Os angolanos consideram o ano que findou como difícil e asseguram que 2017 será de muitas expectativas, desafios e também de incertezas, a julgar pela crise financeira que o país atravessa desde finais de 2014, resultante da baixa do preço do crude no mercado internacional.

Com efeito, o JE saiu à rua para reportar aquilo que algumas pessoas perspectivaram e desejam realizar este ano, quer numa visão pessoal, quer o que auguram para o país. O docente universitário Wilton Micolo considera que os últimos dois anos foram difíceis de um modo geral, desde o ponto de vista do Estado e da sua gestão governativa até ao ângulo do “modus vivendi” do cidadão.
Segundo ele, os planos foram substituídos pelas expectativas e esperança de se voltar a ter o mínimo. Wilton Micolo assegura que este ano em função de alguma tendência da subida do preço do petróleo no mercado internacional e as eleições gerais previstas há uma “luz verde” na melhoria
das condições de vida.

Reacender a esperança
“Espero que todos nós possamos voltar a ter alguma capacidade de cumprir com as nossas obrigações de cidadãos e ocorram as mudanças de paradigmas em todas as esferas da vida do país”, disse Wilton Micolo acrescentando que no final “possamos reafirmar a nossa esperança de um país melhor”.
O docente realçou que não costuma traçar planos de longo prazo em que estabeleça metas de realização, pois a não concretização pode levar-nos a um estado de frustração. Mas revela que prefere ir planeando e executando na dimensão do seu esforço e dedicação acima de tudo.
“Ainda este ano quero poder defender a minha tese na área da Educação que por motivos económicos não pude fazê-lo, continuar a escrever o meu livro, assim como ter um segundo filho”. Acrescenta que espera igualmente do novo ano, tolerância, trabalho, respeito pela lei e que haja prosperidade.

Determinação
Já a estudante universitária, Lila Januário afirma que as expectativas são várias e pretende realizar todos os planos que ficaram em 2016. Segundo contou à nossa reportagem, pretende agendar tudo para no momento certo colocar em acção sobretudo na busca de novas oportunidades profissionais.
“Pretendo investir mais na minha formação, dar sequência aos planos de contenção de gastos em função da situação crítica que atravessamos e cultivar o empreendedorismo”, disse.
Por seu turno, Diogo Lemos, funcionário público espera que o país consiga melhorar ainda mais a credibilidade junto das instituições financeiras internacionais por via do cumprimento dos padrões económicos, pois só assim Angola poderá ter acesso regular das divisas para satisfazer as necessidades no exterior do país.
Deseja igualmente que as eleições decorram na paz e que haja mais humanismo nas instituições do Estado, sobretudo nos hospitais onde reina o respeito mútuo e o amor ao próximo, pois só assim alcançaremos o sucesso. Diogo Lemos acrescenta que, na actual conjuntura financeira que se vive, fica difícil avançar novos projectos, pois a ideia será dar sequência aos que já estão em curso e na medida do possível tentar realizá-los.

Dedicação
Para o jovem Cláudio Gonçalves, licenciado em Engenharia de Telecomunicações, durante a transição de um ano para o outro, à semelhança do que acontece na maioria dos casos sempre prometeu a si mesmo mudanças e metas a serem materializadas nos próximos 365 dias.
Sublinha que foi em 2014 que ao entrar para o desafiante mundo do empreendedorismo aprendeu desde logo que não era suficiente estabelecer metas, mas sim ir para além com força e dedicação. Por isso, para este ano Cláudio Gonçalves pretende inovar as ideias, a fim de alcançar
os melhores resultados.
“A minha lista de objectivos é extensa, mas pretendo concluir a minha formação académica no Brasil com a determinação de dar o meu contributo à Nação angolana”, ressaltou.

Mais empregos
O professor universitário Fortunato Paixão perspectiva políticas económicas concretas rumo ao processo de diversificação em curso no país com a criação de infra-estruturas de modo a melhorar as condições de vida dos cidadãos. “Pretendo ainda que o fornecimento de energia eléctrica e água potável seja regular e que haja mais postos de trabalho”, apontou.
Neste novo ano, Fortunato Paixão diz colocar Deus no centro de tudo no sentido de haver mais união, solidariedade e perdão no seio da sua família, amigos e nas instituições públicas e privadas, assim como dedicar-se mais à investigação, leitura e ao trabalho para que os planos sejam concretizados.