A autorização de levantamento dos seus depósitos feita esta semana pelo Banco Nacional de Angola (BNA) aos clientes dos bancos “Postal” e “Mais” deve movimentar o equivalente a 25,4 milhões de dólares (7,9 mil milhões de kwanzas).
O BNA fez saber que caso os clientes optem pelo levantamento via balcão, podem fazê-lo até 31 de Janeiro, mas se preferirem a rede multicaixas, tinham-no só até ontem, quinta-feira ou seja quatro dias para concretizarem as operações.
Os indicadores destes operadores dão conta de que a carteira de depósitos do Banco Postal é de seis mil milhões de kwanzas (19,3 milhões de dólares) e do Banco Mais 1,9 mil milhões de kwanzas (6,1 milhões de dólares). O BNA deu o máximo de duas semanas para retirar estes recursos do sistema financeiro ou transferi-los por via do Número Internacional Bancário (NIB/IBAN) a um outro dos 26 bancos em operação, desde que o cliente tenha nele conta domiciliada.
Esta medida, no entender da bancária Ana Alberto, é pouco recomendável.
“É muito dinheiro para retirar do sistema em 14 dias. Nem aos bancos se deve dar esta tarefa de dispensar tais somas em tão curto período. O BNA deveria estudar uma boa solução e manter o seu perfil de mobilizador da bancarização e de fidelização dos clientes junto da banca comercial”, disse.
A equipa do JE percorreu na segunda e terça-feira por algumas agências do Banco de Comércio e Indústria (BCI) pré-indicadas pelo BNA para o processo de reembolso dos depósitos aos clientes do Banco Postal e rede Xikila Money. A principal constatação foi de enchentes, contestações e alto nível de impaciência dos que se dizem agora desconfiados da banca e com a ânsia de retirar os seus dinheiros.
Os clientes do Banco Postal e sua rede Xikila Money que recorreram ao sistema “multicaixa sem cartão” e no “mobile banking” não registaram constrangimentos para transferirem os seus valores para outras contas e posterior levantamento com menor pressão e maior comodidade.
Para aferir sobre a funcionalidade dos canais digitais, recorreu-se a um colega de banca, titular de uma conta Xikila Money, que em minutos transferiu 20 mil kwanzas para duas referências bancárias de outras instituições. O processo correu com normalidade e segundo viemos a apurar 24 horas depois os valores estavam confirmados já nas outras entidades.
As contas feitas por esse jornal estimam que seriam precisos mais de 170 dias para se concretizarem os levantamentos dos 7,9 mil milhões de kwanzas que é a carteira de depósitos de clientes nos bancos Postal e Mais.
O Banco de Comércio e Indústria (BCI), indicado pelo BNA para proceder ao reembolso dos depósitos, disse, citado pelo Jornal de Angola, na segunda-feira que só nesse dia o movimento nos seus balcões foi de mais de 34 milhões de kwanzas (109 mil dólares) em levantamentos de 1.137 clientes só das contas Xikila Money.
Quanto aos valores em crédito, de 250 milhões de kwanzas (811 mil dólares) no Postal e 600 milhões (1,9 milhões de dólares) no Mais, dados até 30 de Novembro de 2018, só a partir de Março é que se vão decidir as regras e tratamento, isto devido às férias judiciais que se observam neste momento, segundo o BNA.

Banco Mais reivindica
Os accionistas do Banco Mais acusaram esta semana o Banco Nacional de Angola (BNA) de extrapolar o seu papel de entidade liquidatária, conforme deliberação judicial, ao mandar este operador atender nas suas agências os clientes que pretendem fazer o levantamento dos respectivos depósitos.
Segundo disseram, estão impedidos de exercer actividade bancária e não devia o banco central orientá-la para pôr os seus funcionários em contacto directo com o público em cumprimento com a Ordem do Tribunal, que deu provimento à solicitação do próprio banco central em revogar a licença de actividade deste banco.
Na nota que fez chegar às distintas redacções dos órgãos de imprensa, o Conselho de Administração do Banco Mais declara não concordar com os termos da decisão do BNA relacionada com a devolução dos depósitos dos clientes, por considerar que a medida contraria o solicitado pelo Ministério Público e extrapola os poderes de fiél depositário instituído pelos Tribunais de Luanda a favor do banco central.
“O Banco Mais não irá praticar nenhum acto que configure exercício da actividade bancária por estar impedido pela decisão proferida no âmbito da providência cautelar não especificada com o número 3115/2019-A, que correu os seus termos na Primeira Secção da Sala do Cível e do Administrativo do Tribunal Provincial de Luanda”, lê-se.

Banca digital em fórum

A banca digital faz hoje parte da lista de prioridades de grande parte das instituições financeiras angolanas, que ao longo dos últimos anos têm feito um investimento continuado em todas as áreas relacionadas com o digital.
Nessa perspectiva, “Digital Transformation” é o tema da conferência que a Asseco PST, empresa especialista em soluções tecnológicas dirigidas ao sector financeiro, promove no próximo dia 24 de Janeiro no Auditório da Cidade Financeira, em Talatona, província de Luanda.
O evento pretende debater os temas centrais da transformação digital aplicada ao sector bancário angolano.
De acordo com uma nota a que o JE teve acesso, o poder dos dados e a sua transformação em informação relevante, a gestão da relação com o cliente num único ponto, a gestão dos riscos associados à actividade dos bancos e os canais electrónicos, com as novas soluções de internet banking e mobile banking, serão alguns dos temas em debate. Além das apresentações conduzidas por responsáveis da Asseco PST, o evento contará igualmente com a participação de especialistas de empresas parceiras, como a Microsoft e a IBM.
Em simultâneo, o evento permitirá aos participantes ligados ao sector bancário experimentar no local um conjunto de soluções potenciadoras da criação de uma verdadeira cultura digital nas suas organizações que beneficie os respectivos clientes. Para isso, será montado um espaço interactivo denominado “Experiência Digital” onde, ao longo do evento, será possível dialogar sobre os principais temas da transformação digital e ver como funcionam algumas soluções tecnológicas.
“A exemplo do que acontece em muitos outros países, o sector bancário está em profunda transformação”, lê-se.