O clima macroeconómico de Angola é favorável e já permite pensar-se numa expansão forte da internacionalização das empresas.

Num estudo sobre Angola, elaborado e apresentado nesta semana pelo Banco Internacional de Crédito (BIC), durante a conferência sobre “internacionalização das economias” da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que Lisboa acolheu nos dias 3 e 4 de Junho, salienta-se que, nos últimos dez anos, o país conquistou resultados económicos impressionantes.

O estudo apresentado pelo presidente do BIC português, Mira Amaral, frisa que, após o fim do conflito armado em 2002, o país precisou de apenas dez anos para triplicar o seu rendimento per capita.

No final do século passado, a Coreia do Sul, a China e a Índia, precisaram de 10, 12 e 16 anos, para conseguirem duplicar o seu rendimento per capita.

Na visão do Banco BIC, Angola é ainda considerada economicamente desigual, visto que a maioria da riqueza do país está concentrada numa pequena parte da população.

No entanto, em dez anos, já atingiu a primeira meta dos objectivos de desenvolvimento do milénio, visto que reduziu para metade o número de cidadãos que vivem no limiar da pobreza. O país ascendeu para a reduzida lista dos 20 países africanos classificados, pelo Banco Mundial, como de rendimento médio, ao lado da África do Sul, da Nigéria do Egipto, entre outros.

Desafios
Diminuir a dependência económica e financeira ao petróleo, aumentar e diversificar as exportações, diminuir as importações e elevar a produção para um mercado doméstico em crescimento são apontados como a estratégia acertada para Angola alcançar o desenvolvimento.

“Para se atingirem grandes e ambiciosas metas para o país como um todo, é no tecido empresarial angolano, actual e em formação, que se irão encontrar as respostas para uma Angola mais forte, mais rica e mais sustentável”, disse Mira Amaral.

No sector externo, num contexto ainda de cotação alta do petróleo e de um aumento da produção e exportação de hidrocarbonetos, estima-se que o saldo da balança comercial em 2014 seja de 49 mil milhões de dólares (4,7 triliões de kwanzas), eliminando os efeitos do permanente aumento das importações.

O Banco BIC acentua no seu estudo que, nos próximos anos, as compras ao exterior deverão prosseguir num ciclo de crescimento, como consequência da recuperação do investimento e da procura interna. Entre 2014 e 2017, os excedentes da balança comercial deverão, em média, rondar cerca de 58 mil milhões de dólares (5,5 triliões de kwanzas), suportados pela solidez das receitas do petróleo. “Mas, mesmo que continue a dever esse contributo positivo do petróleo para a balança comercial, ter-se-á em contrapartida a continuidade dos elevados défices das balanças de serviço e de rendimentos, em consequência da prestação de serviços, de assistência técnica e de repatriação dos lucros de IDE em Angola”, afirmou Mira Amaral.

O saldo da balança corrente, que se estima que tenha caído para 5,00 por cento do produto interno bruto (PIB) em 2013, deverá continuar numa trajectória descendente, por força do rápido crescimento das importações, em grande medida devido ao investimento
público em capital.

Folga orçamental
Segundo o estudo, durante os próximos anos, o Governo angolano deverá continuar a beneficiar de uma folga orçamental, permitindo-lhe implementar gradualmente o programa de investimentos públicos, com uma absorção saudável pela economia dos elevados rendimentos proporcionados pela indústria extractiva.

O relatório “Perspectivas económicas em África 2012” assinalava que Angola necessitava de melhorar o sistema cambial e a gestão financeira pública e de enfrentar os “pesados desafios de reduzir a pobreza e o desemprego”.

No que respeita às importações, Portugal constitui-se como o principal fornecedor de Angola, tendo representado 16,5 por cento do total das importações em 2013, seguido da China, com uma quota de 11,1. Dos restantes fornecedores, destacam-se os Estados Unidos da América (6 por cento), o Brasil (4,6) e a África do Sul (4,5).

No contexto das importações de Angola, os seus principais fornecedores viram o seu peso diminuir em 2013. Entre 2008 e 2012, Angola terá recebido 64,4 mil milhões de dólares ( 6,2 triliões de kwanzas) de investimento directo estrangeiro. numa média anual de cerca de 12,9 mil milhões (1,2 triliões) e, segundo estimativas internacionais, o stock total de IDE atingiu 115,5 mil milhões (11,2 triliões), correspondendo a 93,7 por cento do PIB. O investimento angolano no estrangeiro tem sido reduzido, sendo que nos últimos cinco anos o país investiu 6,8 mil milhões de dólares, o que se traduz numa média anual de cerca de 1,4 mil milhões
de dólares.