A pesar de uma queda acentuada de 93 por cento na comercialização de automóveis por concessionárias nos últimos anos, tendo como factor principal a crise económica e financeira que afecta Angola desde 2015, o mercado automóvel vai registar um crescimento de quase 4,2 por cento este ano.
Esta constatação resulta das previsões da Associação das Concessionárias de Equipamentos de Transportes Rodoviários e Outros (ACETRO), que até Abril do corrente ano registou a comercialização de mais de 943 viaturas diversas, representando, para o efeito, um sinal de recuperação.

Quedas sucessivas
De acordo com dados da ACETRO, que controla 29 concessionárias automóveis em todo o país, o mercado foi sofrendo baixas significativas ao longo dos últimos cinco anos, tendo como anos mais positivos o período que vai de 2010-2014. Os anos de 2016, 2017 e 2018 são considerados os piores da história das concessionárias nacionais, que continua a ressentir da forte baixa na procura de viaturas.
Por exemplo, em 2014 foram vendidos 44.536 veículos, sendo que estas vendas baixaram no ano seguinte para metade, ou seja, 20.471 unidades, e para apenas 9.052 em 2016.
Em 2017 foram comercializados 4.298 carros e 3.146 em 2018, números considerados aquém das espectativas das concessionárias angolanas, que vivem dificuldades de manter os salários e alguns funcionários no activo, que em quase quatro anos acumulou uma dívidas de quase 300 milhões de dólares com parceiros e fornecedores.

Depreciação do kwanza
Por outro lado, outra grande dificuldade vivida pelas concessionárias reside no facto de se registar durante o ano de 2018 a depreciação do Kwanza em relação ao dólar e face ao euro, o que traduziu um aumento significativo nos preços das viaturas zero quilómetro.

Preços nas Stands
Actualmente, no caso das organizações Chana, concessionária multimarcas, o carro mais barato, o Renault Duster no caso, custa sete milhões e 250 mil kwanzas e o mais caro, Toyota Land Cruiser VXS, está cotado em 48 milhões e 500 mil kwanzas.
Já na Imporafrica, representante da marca Kia em Angola, um Kia Pacanto está a custar quatro e seis milhões e 590 mil kwanzas, dependendo dos acabamentos do veículo. O carro mais caro nesta concessionária, no caso o Kia Mohave, sai a 20 milhões e 90 mil kwanzas.
Na TDA, representante das mais Renault e Nissan, encontra-se carros que vão dos seis milhões e 190 mil a 19 milhões e 500 mil kwanzas, no caso um Nissan Micra e Phafinder. Já na Robert Hudson, da marca Ford, o mais popular veículo custa, a Ford Ranger, 23 milhões e 800 mil kwanzas, no caso a versão mais acabada.

Empresas sustentam
negócio das “stands”

O director Comercial das organizações Chana, João Meneses disse esta semana, em entrevista ao JE, que actualmente  as pessoas singulares com falta de capital para compra deixaram de adquirir viaturas como no passado e as empresas com necessidade de renovarem das suas frotas, embora com compras pontuais, devido aos custo, passaram a ser os maiores clientes actuais, garantindo a sustentabilidade das vendas das concessionárias.
O gestor, que não deixou de enfatizar o papel importante de todos os clientes, sobretudo, da marca que representa, reconhece que o mercado autómovel em Angola atravessa um período de crise e de estagnação nas vendas de viaturas, mas que este ano começa a dar alguns sinais de melhoria neste particular, com tendência de maior procura de carros em relação aos anos anteriores.
Questionado sobre qual foi o pior ano nas vendas dos Stands, foi categórico em apontar o 2016 como sendo o ano mais “negro” para as empresas do sector automóvel.
De acordo com dados avançados por João Meneses, em 2016 as Organizações Chana vendeu 286 carros, em 2017 subiu para 466 e em 2018, a venda de viaturas voltou a cair para 364 unidades.

Viatura mais vendida
No que toca à viatura mais vendida pela Chana nos últimos três anos, João Meneses afirma ter sido o Toyota de modelo Hilux, que continua a ser uma das mais preferidas das empresas e clientes particulares angolanos.
Para ultrapassar as dificuldades desta fase menos boa das empresas, o gestor comercial diz que as parcerias com outras concessionárias, a fidelização de clientes e procura incessante de novos clientes tem ajudado na recuperação de valores, face à falta de divisas e abertura de carta de crédito para importação. “Neste momento estou muito céptico quanto à recuperação das vendas”, disse. IB