O aumento sucessivo das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos da América (EUA), a maior economia mundial a um dos seus maiores parceiros comerciais, a China, segunda maior economia, pode pôr em causa o crescimento global, que prevê uma contração de até 70 por cento este ano, de acordo com dados do Banco Mundial, caso a guerra continua nos proximos meses.
A tarifa aplicada pelos EUA de 25 por cento é apontada como a principal causa que provocou a retaliação imediata da China. Aquele país asiático impôs uma sobretaxa idêntica sobre 545 produtos americanos, que também somam um total de 34 mil milhões de dólares, com consequências imediatas em alguns dos principais produtos de exportação norte-americanos, como a soja, carne de porco, frutos do mar e veículos eléctricos.

Promessa cumprida
O Presidente norte-americano, Donald Trump, fez uma promessa durante a campanha eleitoral e manteve firme esta vontade desde o início do seu mantado, que colocaria a “América primeiro” e deixou claro que a China era o inimigo a ser combatido para devolver empregos aos americanos.
Para ele, a China adopta por práticas desleais, algo que o estadista considera até mesmo de roubo de propriedade intelectual de companhias do seu país, o que fez despoletar uma declaração de guerra comercial com aquele país asiático.
As tarifas americanas sobre 34 mil milhões de dólares em produtos chineses entraram em vigor recentemente sinalizando o início de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Redução do défice
Esta situação também foi agravada depois da constatação de que o défice comercial dos EUA chegou aos 375 mil milhões no ano passado e de 100 mil milhões o défice da sua balança comercial com a China, que anunciou em Março deste ano taxas sobre o aço e o alumínio mais caras. Já a China vê as medidas protecionistas americanas como “um ataque” que é necessário evitar para se proteger de possíveis perdas económicas e alega que os norte-americanos foram os que começaram com aquela que já é conhecida como a maior guerra comercial da história.

Desaceleração global
Um confronto entre dois gigantes e uma continua escalada de tensões pode desacelerar o crescimento global e prejudicar países emergentes. Em visita a Pequim no ano passado, Donald Trump insistiu que as regras comerciais precisavam ser reajustadas para equilibrar o comércio entre os dois países, algo que não se verifica na prática. Já o presidente chinês, Xi Jinping, um defensor


Banco mundial e fundo monetário
sugerem abertura dos mercados

Quer o Bando Mundial, como o Fundo Monetário Internacional sugerem, num estudo divulgado mês passado, ser necessários que estes dois países e não só, reduzissem as barreiras comerciais, para aumentar a produtividade e apenas desta forma seria possível tirar quase 12 milhões de pessoas da pobreza e frear as tensões provocadas por esta guerra comercial actual.
De acordo com o Banco Mundial, para que isso aconteça, estes dois Estados precisam ainda melhorar drasticamente o seu desempenho em termos de produtividade e diálogo que conduza a um entendimento sobre as taxas de exportação aplicadas aos 545 produtos sobretaxados e o regresso as tarifas anteriores.
Num discurso proferido em Abril deste ano na Universidade de Hong Kong, a Directora- geral do FMI, Christine Lagarde, deixou bem claro a sua posição quanto a este conflito, no encontro que reúne os principais líderes económicos mundiais em Washington sobre as Perspetivas Económicas Mundiais. “Os governos precisam de rejeitar o protecionismo em todas as suas formas. A história mostra que as restrições à importação prejudicam toda a gente, especialmente os consumidores mais pobres”, vincou Lagarde em Hong Kong.
Essa guerra acontece numa altura em que os EUA, lançou um aumento dos impostos alfandegários sobre o alumínio e o aço, originando por parte da China, a segunda maior economia, uma resposta semelhante, o que poderá desencadear uma guerra comercial mais alargada.

Consequências podem ter efeitos
mais alardados nas economias emergentes

No actual contexto de economias integradas num sistema de comércio multilateral, as mudanças nos preços, as reduções ou aumentos de produção, o encerramentos ou deslocamento de fábricas ou ainda a pressão para redireccionar produtos para outros destinos geram impactos directos nos parceiros económicos da China e do Estados Unidos da América, com efeitos alargados sobretudo das economias emergentes, o que faz com que ninguém esteja imune a este conflito.
Por exemplo, para Louis Chan, director de pesquisa do Conselho de Desenvolvimento do Comércio de Hong Kong (Hong Kong Trade Development Council, HKTDC) na China, a chamada “guerra comercial” não envolve só os dois países. “O que os EUA estão a fazer é algo unilateral contra chineses e contra outros aliados, como a União Europeia, México, Argentina e Brasil, países que costumavam ser parceiros de comércio e investimento tradicionais”, afirma.
O mesmo afirma ainda que mesmo os países que estão fora desta esfera de influência poderão sentir num espaço de médio e longo prazo, porque a interligação económica tem efeitos multiplicador e contagioso para as economias.