O ambiente económico de incertezas, motivado pela oscilação do poder de compra dos principais produtos no mercado, faz imbuir as famílias, que se reúnem domingo, para a festa do Natal, em espírito de contenção, na Huíla.
Em entrevista ao JE, o estudante do curso de Economia da Universidade Mandume ya Ndemufayo, afecta a VI Região Académica, que inclui as províncias da Huíla e Namibe, Domingos Chiningui, disse que apesar da actual situação, a população do Lubango está satisfeita com a redução significativa dos preços dos principais produtos nos mercados paralelo e oficial locais.
“O poder de comprar dos salários reduziu. Agora, compra-se poucos produtos com mais dinheiro. O decisor, empresários e chefes de famílias, devem ter consciência de que há limitações financeiras provocadas pela situação económica actual”, aconselhou.
Por outro lado, esclarece que o actual cenário provocou medidas de contenção de gastos, sendo que muitos trabalhadores ficam, este ano, sem os subsídios de Natal e outros até mesmo sem o pagamento do décimo terceiro mês, face às dificuldades de tesouraria que muitas empresas enfrentam.
Por aqui, recomenda, ser bom evitarem-se os gastos supérfluos ou desnecessários.
Como conselho, Domingos Chiningui defendeu a importância das famílias conhecerem o seu orçamento, planear as despesas, comprar apenas o que é necessário e criar reservas financeiras, prevendo outras despesas indispensáveis no período pós-quadra festiva, pois lembra que “é preciso racionalização o pouco dinheiro disponível”.
A reportagem na cidade do Lubango visitou alguns supermercados formais e informais, onde constatou que estão assegurados os principais produtos, mas também há redução dos preços. O que se mostrou tímida é mesmo a procura.
Os hipermercados Kero, Shoprite, Marivel e Nosso Supertros são os destinos preferenciais de muitas famílias, que, com um rigorso espírito de contenção, preparam ao máximo o essencial para a festa do Natal e da passagem de fim-de-ano.
A proprietária do Supermercado Marivel, Ana Marques, assegurou que, apesar da procura estar a ser feita de forma tímida, as famílias acorrem ao local para que nada falte à ceia.
Disse que o supermercado está presente no Lubango com filiais na Humpata e Caconda, bem como no Huambo. Em função da localização estratégica na capital huilana, têm sido o destino de várias famílias que procuram produtos como bacalhau, grão de bico, piro, passas, leitão e outros bens que estão disponíveis em grande quantidade.
“Estamos preparados com o básico para a quadra festiva. No que concerne aos mimos do Natal, temos o bacalhau, brinquedos, decorações e a tradicional árvore”, conta.
O número de clientes baixou, comparativamente aos anos anteriores, apesar de os preços também terem baixado. Ainda assim, anunciou que em função da actual fase, o horário de entrada e de saída foi reajustado.
“Estamos a trabalhar das 7h30 até às 22h30. No dia 25 de Dezembro e 31 de Dezembro, a Marivel, que abrirá as portas ao público, vai encerrar três horas antes. A ideia de trabalhar apesar da data comemorativa é a de facilitar aqueles cidadãos que queiram no dia adquirir determinado bem ou serviço.
“Temos muitos clientes que as vezes chegam em cima da hora, tendo em conta também o facto de que parte de alguns funcionários públicos ainda não recebeu os seus ordenados e ao encerrar as portas dos supermercados cedo, o plano do cliente e das famílias pode ser adiado de ter o essencial em falta”, disse.
O Natal, recorda, é o dia do reencontro das famílias. Há aquelas que estão separadas há muitos meses por motivos profissionais e o dia do Natal é o momento de reunirem-se e perspectivar o futuro.
Segundo Ana Marques, as pessoas devem comprar o necessário, que é importante para o dia da família e efectuar reservas para o primeiro mês do ano”, aconselhou.

Contenção nas compras
O vendedor Paulo Cachimbo afirmou que ainda que de forma tímida, ao contrário dos anos anteriores, em Dezembro está a ser possível vender os produtos onde investiu o seu capital.
Segundo disse, desde princípios de Outubro que se regista baixa de preços dos principais produtos básicos. A par da farinha, arroz, óleo alimentar, frango, açúcar e outros, os produtos do campo também estão mais baratos, o que facilita ter uma dieta equilibrada e o momento serve para obter lucros de forma justa.
Para a negociante Madalena Tonena, as famílias estão a mudar de comportamento, porque nesta altura, a maioria compra  somente o necessário.
“Os trabalhadores e as famílias dispõem de menos recursos. Por esta razão, a contenção de gastos é fundamental para evitar carência e o recurso ao endividamento em Janeiro, período em que os pais e encarregados de educação terão que dispor de dinheiro para as despesas escolares dos seus educandos”, disse.

Medidas apertam o cerco
Medidas que visam o combate a especulação de preços foram adoptadas pelo Governo Provincial da Huíla, que criou uma comissão multisectorial, que integra o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor, Comercial, Polícia Nacional, entre outros.
A directora provincial do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), Bárbara Coutinho, explicou que a equipa multisectorial trabalha nos catorze municípios que compõem a província da Huíla, onde fazem parte na equipa multisectorial, os efectivos da Direcção do Comércio, Finanças, Serviços de Investigação Criminal, Plano, entre outros.
“O Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC) na Huíla reforçou, as acções de controlo dos preços e da qualidade dos produtos a serem praticados no período da quadra festiva e o trabalho abrange as empresas grossistas e retalhistas para que os produtos a serem colocados ao dispor do consumidor sejam de qualidade”, disse.
Visitas aos mercados da Laje, Lubango e Mutundo, bem como do mercado paralelo do João de Almeida, preenchem os trabalhos que estão a ser desenvolvidos para o controlo da qualidade dos produtos que são comercializados.
Para despertar a população sobre os cuidados na aquisição de produtos sem qualidade, o Inadec na Huíla está a sensibilizar as populações nos mercados paralelos e instituições públicas a forma viável de precaver ao adquirir produtos alimentares diversos.