O sector mineral da economia angolana, dominado pelos petróleos e os diamantes, apresentou-se durante anos consecutivos como o principal impulsionador do crescimento nacional e responsável pelo relançamento interno no competitivo mercado internacional.

Esta realidade tem sido motivadora para a redefinição das estratégias de crescimento económico, cujo foco está centrado na reposição do sector não petrolífero, com realce para a indústria, agricultura, banca e finanças, além de serviços como os que podem provocar uma aceleração aos níveis de desenvolvimento.

Recentemente, estudos divulgados pelo Banco Mundial (BM), através do seu “Angola Economic Update 2012”, e pelo Centro de Estudos e de Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN), designado por “Relatório Económico de Angola 2012” avaliam o desempenho dos principais agregados macroeconómicos e avançam cenários, com base nas perspectivas definidas pela governação e nas várias análises independentes.

Retoma do fôlego
Um dos ganhos que Angola apresentou nos últimos anos de elevado crescimento económico foi o aumento da sua credibilidade internacional. Resultante de várias medidas ajustadas tomadas pelas autoridades governativas, a economia angolana é referência no mundo e, particularmente, em África.

O mais recente relatório do Banco Mundial (BM) lembra que o produto interno bruto (PIB) angolano cresceu 8,1 por cento em 2012, superando os 3,4 de 2011.

Num panorama económico positivo, a projecção de estabilidade do Produto Interno Bruto (PIB), fixado em 7,2 e 7,5 por cento para 2013 e 2014, aponta que mesmo sendo a reboque do sector mineral, o programa de governação mantém-se em linha com os grandes objectivos nacionais.

A título referencial, a publicação americana “The Economist Inteligent” avançara um cenário de probabilidades, onde coloca 2016 como o ano em que Angola pode superar a concorrência da África do Sul e Nigéria, respectivamente, na liderança da região subsahariana. Para os analistas desta publicação, o crescimento económico angolano, a julgar pelos indicadores iniciados em 2002, após terminado o conflito interno, fazem crer aos especialistas de que este cenário se apresenta como factível.

Conforme retratado no “Angola Economic Update” do Banco Mundial (BM), o sector petrolífero registou um crescimento de 5,2 por cento em 2012, apoiado na alta dos preços do petróleo e na resolução dos problemas de produção.

Face a este quadro, o estudo do Banco Mundial (BM) adianta que em 2012, o petróleo correspondia a 46 por cento do produto interno bruto (PIB) e a 96 das exportações, facto que favoreceu a criação de um excedente nas reservas líquidas do país.

“As sólidas entradas do capital líquido permitiram ao país aumentar as suas reservas internacionais para o equivalente a 7,4 meses de importações, duas vezes e meia superior ao nível de 2009”, descreve o documento.

Investimentos
Os níveis de investimentos públicos e privados na economia, superados os efeitos nefastos da crise financeira de 2008, acalentaram nas estruturas decisórias o sentimento de existência de um ambiente político e macroeconómico bastante favorável.

Foi assim que, contra um crescimento de três por cento em relação ao PIB em 2011, no ano de 2012 se atingiram os 17 por cento, sendo que para este ano de 2013, o Orçamento Geral do Estado (OGE) previu um aumento abrupto de 60 por cento das despesas de capital em termos nominais.

As anteriores referências, descritas no relatório do BM, combinam com a visão dos investigadores do Centro de Estudos e de Investigação Científica (CEIC), da Universidade Católica de Angola (UCAN), segundo os quais, entre 2002 e 2012, o Estado investiu 65,1 mil milhões de dólares (mais de 6,2 triliões de kwanzas) em obras públicas e que, apesar da queda verificada neste capítulo a partir de 2008, o investimento se tem mantido elevado.

Projecções favoráveis
O sector comercial cresceu cerca de 9,3 por cento em 2012, enquanto as indústrias da tecnologia de comunicação e informações estão em rápida expansão, muito favorecidas pelo lançamento dos serviços 4G. O uso de telemóveis e de internet cresceu, tendo atingido valores em torno dos 52 e de 12 por cento, respectivamente.

Os investigadores do Ceic admitem que o sector dos diamantes tem tido um comportamento muito oscilante ao longo do tempo e foi particularmente castigado pela crise financeira e económica internacional de 2008/2009, ainda com reflexos actuais.

De acordo com a publicação, entre 2007 e 2011, o sector dos diamantes teve uma perda acumulada de produção de 12,2 por cento.
Os pronunciamentos recentes das autoridades apontam para a retoma dos níveis anteriores à crise, antevendo mesmo uma concorrência mais directa com o sector petrolífero, seja na arrecadação de receitas por venda directa, seja indirecta, mais concretamente na arredação de impostos que resultam da actividade. Para estes, os diamantes voltarão a dar o seu brilho.