Nos últimos meses, o mercado nacional da construção civil tem estado a registar um grande défice e elevados preços no cimento, por culpa da baixa de produção das unidades industriais ligadas a este segmento, que alegam constrangimentos no domínio energético, devido à falta de combustível LFO.
A ministra da Indústria, Bernarda Martins, disse, recentemente, em Luanda, que o problema que teve início desde a primeira metade do II semestre deste ano, poderá ser solucionado a breve trecho.
A governante, que falava na abertura do Conselho de Direcção do Ministério, garantiu que o Executivo angolano, de acordo com o seu papel, está a ajudar as empresas no sentido de ultrapassar os constrangimentos para não prejudicar a oferta de cimento no mercado nacional.
“Quando há diminuição da oferta, o mercado reage mal, pois os comerciantes sobem os preços devido à procura. Mas, dentro em breve, a situação das duas indústrias penalizadas voltará ao normal “, informou na ocasião a minsitra da Indústria.
Reconheceu que a indústria transformadora já implantada no país cresceu consideravelmente nos últimos anos, apesar de algumas demonstrarem baixa capacidade de produção e de funcionalidade.
Por outro lado, Bernarda Martins informou que como tarefas imediatas, neste novo ciclo governativo, o sector dará atenção à indústria de construção, a implantação de novas unidades fabris para o país, além de melhorar o observatório da indústria, com vista a recolha regular de dados estatísticos.
Destacou também a necessidade da contínua divulgação, através da síntese da análise da conjuntura da indústria nacional, mensal, contendo informações sobre produção, importação, exportação e outras informações relevantes sobre o sector.

Proibição da importação

Até ao ano passado, a produção interna já satisfazia a procura interna, tendo por isso sido proibida, por Decreto Conjunto nº 15/14, de 15 de Janeiro, a importação de cimento, com excepções às províncias de Cabinda, Cunene e Cuando Cubango, mas com quotas previamente estabelecidas.
As excepções feitas, destaca o documento, resultam das especificidades de cada uma das regiões, mas nenhuma delas está autorizada a exceder o limite de 150 mil toneladas anuais fixado por lei.
O Decreto lembra que a capacidade de produção de cimento instalada em Angola ronda os cerca de oito milhões de toneladas, para um consumo de 5.022.000 de toneladas em 2014. O documento, prorrogado, justifica a decisão com os avultados investimentos no sector, feitos nos últimos anos.

Concorrência

Em entrevista à Angop, o economista Lopes Paulo indicou que a situação de concorrência “desleal” existente na indústria cimenteira, que provocou a alta do preço do cimento e a paralisação de duas indústrias no mercado interno, pode ser ultrapassada com medidas administrativas.
O economista, que falava em reacção ao discurso do Presidente da República sobre o Estado da Nação, na abertura da I sessão Legislativa da IV Legislatura da Assembleia Nacional, disse que a situação levantada por João Lourenço pode ser entendida como administrativas e cuja resolução está ao alcance do Governo.
Apontou também a necessidade de um melhor conhecimento das causas que levaram a paralisação das fábricas de cimento, embora, disse ele, o que deu para entender no discurso do Presidente da República, sejam questões de concorrência desleal que beneficia uma empresa em detrimento de outras.
Sublinhou que não conhecendo bem o diagnóstico das causas que levaram a paralisação, fica difícil prever o que tem de ser feito de concreto, mas o recomendável é ultrapassar as causas que levaram a paralisação.

Indústria

Actualmente, o mercado nacional conta com cinco fábricas de cimento, nomeadamente a Nova Cimangola, fábricas da China International Fund (CIF), em Luanda; a Secil Lobito e a Cimenfort, em Benguela e a Fábrica de Cimento do Kwanza Sul (FCKS), no Sumbe - Cuanza Sul.
Há pouco meses, o cimento registou a sua maior subida no mercado nacional, passando de 1.200 kwanzas, para 2.500 em Luanda e 3.500 no interior do país, sobretudo na província do Moxico.

*Com a Angop e JA