O Gabinete da Agricultura, Pecuária e Pescas a nível da província do Cuando Cubango, colocou à disposição das mais de 64 mil famílias camponesas, mais de 140 toneladas de imputes diversos entre sementes e fertilizantes que foram comercializados a preços subvencionados pelo Estado.

O director do Gabinete, António Pereira Vicente, disse que as famílias camponesas que não tiveram dinheiro levaram as sementes e outros instrumentos de trabalho a crédito e deverão ser pagos com parte das colheitas, um mecanismo que visa minimizar os elevados gastos que o Estado faz anualmente para suportar as campanhas agrícolas.
Quanto às sementes, o processo é ainda mais simples porque se o camponês receber um quilograma de milho ou de uma outra semente qualquer, no acto da devolução deverá entregar dois quilogramas, ao contrário dos instrumentos de lavoura pelos quais o agricultor deverá reembolsar com base no custo de cada ferramenta de trabalho.
Para a presente campanha agrícola, o sector colocou igualmente à disposição dos camponeses duas mil charruas de tracção animal, igual número de catanas, 1.500 pás, 300 limas, 2 mil enxadas e machados.
Conta ainda com 10 unidades de pulverizadores, para permitir que os camponeses envolvidos nestas tarefas consigam ampliar os seus campos de cultivo e tenham culturas saudáveis.

Canal do Missombo
António Pereira Vicente afirmou que a sua instituição tem como principal aposta, na presente campanha agrícola, o fomento da produção de hortícolas na comuna do Missombo, no sentido de se aproveitar o canal de irrigação construído na referida localidade com uma extensão de cerca de seis quilómetros e que nos últimos anos tem estado subaproveitado.
“Esta é uma área privilegiada para a produção em grande escala de tomate, cebola, pimento, cenoura, beringela, entre outros legumes”, frisou, tendo acrescentado que o fomento da produção de hortícolas visa dar resposta à dependência que o Cuando Cubango tem com outras províncias, para a aquisição destas culturas.
Anunciou que o governo da província vai dinamizar o perímetro irrigado do Missombo, com a distribuição de imputes agrícolas, num processo que vai continuar no sentido de aproveitar que os 200 hectares sejam cultivados. Referiu que na comuna do Missombo a sua instituição controla 15 associações de camponeses, perfazendo um total de 350 associados.
Referiu que outra aposta do seu sector e do governo local é a conclusão das obras de recuperação do canal de irrigação do Missombo que nos últimos anos foi vandalizado e a água do rio Kwebe não está a cobrir toda a extensão do canal.

Preocupação
O Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) está a prestar assistência técnica a quase 64.530 famílias camponesas, inscritas na presente campanha agrícola 2018/2019, na província do Cuando Cubango, no sentido de praticarem as suas culturas em zonas húmidas ou próximas de rios, para fazer face à escassez de chuvas e as altas temperaturas que se registam na região.
De acordo com o chefe de departamento provincial do IDA no Cuando Cubango, Jorge Pina, a região preconiza colher acima das 400 mil toneladas de produtos diversos, numa área de 220 mil hectares de terras aráveis, mas tal pretensão não será alcançada devido a irregularidade das chuvas que persiste até ao momento.
As áreas mais críticas na província são os municípios da orla fronteiriça, nomeadamente Cuangar, Calai, Dirico e Rivungo, que vivem sob influência do Deserto do Kalahari, onde as temperaturas, nesta época do Verão, variam entre os 20 e 40 graus celsius, embora este fenómeno esteja a afectar indirectamente todo o território do Cuando Cubango.
Jorge Pina salientou que por este facto equipas técnicas do IDA estão a prestar assistência técnica aos camponeses sobre a melhor forma que devem praticar a agricultar para poderem fintar a falta de chuvas e as altas temperaturas, para que no final da época agrícola possam ainda colher alguns bens alimentares do campo.
Jorge Pina explicou que neste momento a estiagem na província está a ocorrer de acordo com as previsões apresentadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET), que neste período de Verão, o Cuando Cubango seria a região do país que poderia registar chuvas com tendências abaixo do normal.
Referiu que muitos camponeses que estão a seguir as orientações dos técnicos do IDA em cultivar nas zonas ribeirinhas já começaram a ver as suas sementes a germinarem de forma satisfatória, tendo em vista que estas áreas estão sempre húmidas e permitem às pessoas produzirem sem chuva.
“Temos a certeza que se os camponeses cultivarem nas zonas baixas aproveitando as áreas húmidas devido o rio, no final da campanha agrícola 2018/2019, apesar de não se atingirem as 400 mil toneladas de produtos diversos que se prevê devido a estiagem, a safra pode ser animadora”, disse.
Jorge Pina explicou que, para a campanha agrícola 2018/2019, a sua instituição recebeu 115.000 feixes de mandioca, 20 toneladas de milho, 12 de massango e igual quantidade de massambala, 48 de adubo 12-24-12, dez de sulfato de amónio e igual número de ureia, 2.000 catanas, 300 enxadas europeias, 300 de limas e 230 charruas de tracção animal.

Balanço
A reportagem do JE apurou que na campanha agrícola 2017-2018 os camponeses a nível dos nove municípios que compõem a província do Cuando Cubango foram colhidas 155 mil toneladas de produtos diversos, cultivados numa área de 103 mil hectares.
Na referida campanha estiveram envolvidas mais de 60 mil famílias camponesas, das quais 40 mil no quadro do programa de extensão de desenvolvimento rural, 20 mil no projecto de fomento, 72 cooperativas e 408 associações.
O director do Gabinete provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, António Pereira Vicente, explicou que das 155 mil toneladas da época agrícola passada, 45 mil foram de cereais e houve menos produção de leguminosas.
“A nossa principal aposta na campanha agrícola 2018/2019 é superar significativamente a safra da campanha passada, sobretudo no cultivo de arroz, milho, massambala, massango, mandioca, batata-doce e rena, feijão, cebola, alho, inhame, ginguba, gergelim, cenoura, beringela, repolho e couve”, disse.

Apoio aos camponeses
A vice-governadora da província para o sector Social, Político e Económico, Sara Luísa Mateus, disse que o governo local está a trabalhar em conformidade com os objectivos do Executivo angolano.
Disse que o Cuando Cubango conta com 40 por cento da bacia hidrográfica do país e milhares de hectares de terras férteis, razão pela qual o governo da província vai envidar esforços no sentido de que não falte nada aos homens do campo.
Reconheceu que devido à fraca produção, a população da província e em particular da cidade de Menongue continua a depender de culturas produzidas nas províncias do Bié, Huambo, Benguela, Huíla e Cuanza Sul, um quadro que prometeu inverter nas próximas campanhas agrícolas.