A fruticultura tem estado a crescer no mercado nacional, devido aos investimentos que têm vindo a ser aplicados, quer sejam públicos ou privados.
Em entrevista à TPA, o ministro da Agricultura, Marcos Alexandre Nhunga, revelou que o país produz banana em grande escala, que em muitos casos já está a ser exportada. Por outro lado, assegurou que espécies como a uva e o morango também têm estado a despontar, apesar de reconhecer que os níveis de produção ainda não satisfazem o mercado interno, sendo que “existe ainda um défice considerável em algumas culturas, mas no caso da banana, o país já produz o suficiente”.

Estratégia de crescimento Segundo um documento do Ministério da Agricultura a que o JE teve acesso, espécies como banana, manga, citrinos, abacate e ananás, com grande predominância na sua produção por pequenas iniciativas familiares e grupos empresariais, contribuíram para que o país produzisse na safra 2015/2016, mais de cinco milhões de toneladas.
A fonte acrescenta que os números estão em linha com as políticas traçadas pelo Governo angolano, através do Ministério da Agricultura que visa relançar as culturas de rendimento com perspectivas de rentabilidade e com tradição no território, de forma a promover o aumento do rendimento dos produtores e das exportações nacionais.
A estratégia visa igualmente a produção directa e processamento de fruta, desenvolvendo uma agricultura competitiva, assente na reorientação da produção familiar para o mercado e no relançamento do sector empresarial, promovendo a criação de emprego e contribuir de forma significativa para o aumento de rendimentos da agricultura familiar e para o relançamento do sector empresarial.

No quadro da sua política, o Ministério da Agricultura projecta para curto prazo, indicadores de produção de frutasque poderão assegurar e apoiar prioritariamente a indústria nacional de bebidas, que constitui um dos segmentos que a nível do mercado absorve grandes quantidades, e que por um lado poderão ajudar a gerar rendas e empregos.
Incentivo à produção Províncias como Luanda, Bengo, Malanje, Huíla, Moxico e Benguela têm sido desenvolvidos projectos estruturantes para o aproveitamento das suas potencialidades, incentivando o cultivo de frutas adequadas ao seu clima. Por exemplo, no município do Cubal, província de Benguela, tem sido levado a cabo uma campanha de plantação de citrinos, no campo agrícola tutelado pela Escola Técnica Agrária do Alto-Capaca.
O campo comporta cinco hectares e poderá receber 100 espécies de frutas, nomeadamente goiabeiras, laranjeiras, limoeiros, moringueiras, mangueiras e abacateiros, por forma a dotar os alunos de experiências neste ramo. As autoridades locais entendem que a iniciativa visa incentivar as populações camponesas, para o cultivo de fruticultura, com o propósito de aumentar a renda familiar.

A actividade será conduzida por 90 alunos inscritos na instituição de ensino, nas especialidades de Agronomia, Pecuária e Mecanização Agrícola, 15 professores e integrantes da comunidade, para que todos adquiram experiência e desta forma se incutir a necessidadee a importância que este exercício representa para as famílias e para a economia.
Por outro lado, ainda em Benguela, perto de 50 mil plantas de citrinos, com destaque para laranjeiras, serão cultivadas no município do Caimbambo, aproveitando as potencialidades hídricas do canal de irrigação do rio Halo/Cavaco, que tem como maior fonte de alimentação a bacia hidrográfica do Dungo (Cubal), para o aproveitamento agrícola.

Com este projecto prevê-se uma produção em média ano de 50 quilogramas por cada planta. Banana destaca-se A feira da banana de produção nacional, que habitualmente acontece na província do Bengo, numa parceria do Governo local e o Ministério da Agricultura, tem sido a grande impulsionadora da comercialização e exposição das potencialidades que esta espécie apresenta. Na feira, produtores, empresários e comerciantes nacionais dão mostras dos seus produtos e serviços.
No ano passado, o evento registou a sua quinta edição, tendo decorrido no mês de Maio, no mercado do Panguila, sob o lema “Diversificar a produção para promover o crescimento económico”.

A feira alcançou um volume de negócio de 240 milhões de kwanzas, e das 11 províncias previstas a participar, apenas seis estiveram presentes, nomeadamente Cuanza Norte, Luanda, Lunda Norte, Malanje, Uíge e Bengo. A feira congregou mais de 326 expositores, contra 229 da edição anterior (2015), dos quais constam pequenos e grandes produtores, associações de camponeses e cooperativas. Dados do Ministério da Agricultura indicam que nas regiões Norte e Nordeste do país, onde estão localizadas as províncias de Luanda, Cabinda, Zaire, Uíje, Malanje, Cuanza Norte, Bengo, Luanda Norte e Lunda Sul, a produção atingiu 1,7 milhões de toneladas de banana em 2015. As províncias do centro, nomeadamente Cuanza Sul, Benguela, Huambo, Bié e Moxico produziram 1,6 milhões de toneladas de banana, no mesmo ano. As províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango apresentaram uma produção de 249 mil
toneladas em 2015.