A senhora Júlia Buta, 42 anos, desde 2013 ( ano cuja inflação foi de 8,9 por cento) que ganha 30 mil kwanzas “sem tirar nem meter”. Naquela altura, ela comprava alimentos em quantidade para o mês e alimentava a sua família de mais quatro (4) membros com algum à vontade.
Em 2017 (com uma inflação prevista de 22,9 por cento), passados cerca de cinco (5) anos, ganha o mesmo e compra muito menos.
Os 30 mil kwanzas de salário da dona Júlia Futa perderam, efectivamente, o seu poder de compra. Em termos reais, este valor é como que somente equivalesse um pouco mais de 10 mil devido a sua desvalorização.
Questionada sobre o que terá acontecido, ela não culpa os deuses. Diz que “a culpa é dos preços que estão caros nos mercados e do patrão que não sobe o seu salário”. Afinal para ela, algum aumento fazia bem, pois tudo subiu (propinas, comida, transporte, etc, etc...) menos o seu vencimento mensal.
É daí que sói dizer-se “que a culpa nunca morre solteira”, pois patrões e empregados, compradores e vendedores continuam em busca das melhores explicações aos fenómenos que vivem: o da perda do poder de compra.
O Executivo angolano tem a resposta e um estudo muito claro sobre o que deverá ser feito nos próximos dias já está alinhado.
Para 2017, a meta é conseguir posicionar a taxa de inflação nos 22,9 por cento que se pretende e sair das altas cifras de 42 que se coleccionou em 2016. Mas como só isso não bastará, ainda para esse ano está em fase adiantada, para análise, aprovação dos deputados e posterior promulgação a Lei da Concorrência.
As duas medidas de política têm a perspectiva em comum de devolver o equilíbrio ao poder de compra das famílias (consumidores) e corrigir as distorções que ainda são observadas junto do mercado nacional.
Aos preços dos bens exerce forte influência a produção nacional, pois interefere na oferta disponível e de origem local. Desde logo, o processo de diversificação da economia tem de avançar e com horizontes curtos e bem imediatos. Seguindo-se a perspectiva de voltar-se a taxa de inflação de um dígito ainda num curto prazo.

Respostas às causas reais
O ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, disse à imprensa, à margem do discurso sobre o Estado da Nação do Presidente da República, que nos próximos dias vai à Assembleia Nacional a proposta de Lei da Concorrência, através da qual o Executivo pretende corrigir as assimetrias e distorções que se
observam no mercado nacional.
Nunes Júnior, que desde um tempo a esta parte se tem dedicado ao estudo do fenómeno “preços e concorrência” garante que o documento a submeter para a apreciação e aprovação dos deputados e, posterior, promulgação reflecte as preocupações já manifestadas pelo Presidente da República e Titular do Poder Executivo, João Lourenço.
O ministro das Finanças, Archer Mangueira, disse que entre as medidas correctivas a serem implementadas constam as que visam combater todo um conjunto de desequilíbrios fiscais, com prioridade para a execução do programa de consolidação fiscal e
melhoria das despesas públicas.
Falou ainda na melhoria da arrecadação de receitas, com realce para a não tributária, a racionalização das Reservas Internacionais Líquidas, sendo estas as pré-definidas no quadro da redução da inflação.
Ante uma inflação acumulada de 42 por cento, em 2016, e a prevista de 22,9, em 2017, as Finanças está desafiada, juntamente com o banco central, a trabalhar para a correcção dos desequilíbrios macro-económicos que se assiste, ajustando-se ao que o ministro tem vindo a designar de o “novo normal”.
“Temos de trabalhar com celeridade e de forma articulada com todos os órgãos ligados à macroeconomia, para que estes objectivos sejam alcançados”, disse.
Na mesma ocasião, o ministro Archer Mangueira reconheceu que as altas taxas de inflação, além de prejudicarem o consumo interno, não incentivam o investimento, sobretudo de estrangeiros.
O histórico da inflação em Angola dá conta de que de 2012 (10,3 por cento), 2013 (8,9), 2014 (7,8), 2015 (14,9), 2016 (42) até 2017 em que se prevê uma taxa de 22,9, a trajectória desse indicador de mercado tem sido de várias oscilações, mas sempre em desfavor do consumidor.