A economia real não anda assim tão bem como nos querem fazer parecer. O fenómeno desemprego que ninguém quer falar nele, os malefícios que o mesmo acarreta para a sociedade e a forma como está a ser tratado é confrangedor.
Não há um programa de incentivos ao emprego, não há apoio ao desenvolvimento de empresas familiares, não há nada que motive o aparecimento de algo que combata o desemprego, especialmente em Luanda, que continua a “receber” milhares de jovens vindos das províncias do interior por falta de tudo por lá.
Os comentários são do economista Victor de Carvalho, reagindo às conclusões do programa radiofónico Vector de ontem.
Para ele, as aldeias rurais vão ficar desabitadas e a culpa é de quem agora tem poderes para inverter o caso. “Não me digam que é falta de dinheiro, essa problemática existe, mas existe mais como reforço da inércia. E o que é péssimo é que “toda” a gente sabe disso mas chuta-se a bola para a frente. Não concordo com essa ausência de preocupação num assunto que me parece tão sério”, considera.
O programa abordou a Filda na perspectiva da promoção dos negócios num ambiente económico bastante desdafiador.
Para o economista, a forma sistemática como se deixam cair as médias empresas, sem qualquer defesa possível, não têm condições técnico/económicas para fazerem importações do modo obrigatório fazerem-se, “isto é tabú, porque só se pensa nos grandes conglomerados, na exportação (na exportação toda a gente fala, mas mesmo que custe muito a muita gente, são as médias empresas que trazem o emprego e que contribuem directa ou indirectamente para o bem-estar e ajudam na exportação de que tanto gostam de falar”.
“A forma pouco compreensível como são feitas as distribuições de divisas para as importações, muito ou pouco o critério tem que ser conhecido, eu faço alguma consultoria em meia dúzia de empresas e não consigo entender os critérios, a forma como a banca comercial lida com esta problemática. A actual forma, mesmo que tenha 99,9% de pessoas e entidades que ache muito bem, eu sozinho que não me importo
de discordar”, remata.