Como avalia a diplomacia económica em Angola?
A nossa diplomacia tem conhecido bons momentos se consideramos os ganhos que alcançamos logo após o alcance da paz efectiva, como sejam a nossa eleição para membro não permanente do Conselho de Segurança em duas ocasiões, a presidência de Angola na CIRGL, na comissão de paz e segurança da União africana, no órgão de política de defesa e segurança da SADC, dentre outros ganhos não menos assinaláveis. O facto é que Angola privilegiou em demasia os aspectos político/diplomáticos da nossa política externa, em detrimento do económico ou seja, a promoção da imagem do país, a participação em processos de gestão e resolução de conflitos em África, dominaram a actuação externa do Estado.

Angola quer atrair cada vez mais investimento estrangeiro, mas está num processo de encerramento de embaixadas e consulados...
O encerramento de missões diplomáticas em nada obsta a atracção de investimentos, primeiro porque os factores de mercado como bom ambiente de negócios, desburocratização, incentivos fiscais, legislação favorável para protecção de investimentos, nível de consumo, questões cambiais, sejam na realidade a base para que essa atracção seja possível. Em segundo, o encerramento destas missões não significa que deixará de haver representação dos interesses nacionais.

Que países à volta do mundo Angola deve apostar fortemente a sua diplomacia económica?
Eu acho que orientarmo-nos para os países economicamente fortes e aqueles aonde existam grandes fundos de investimento seja a decisão mais acertada, mas não podemos descurar os do sul, pois esses países podem s er visados no quadro do acesso a novos mercados por parte do empresariado nacional.

O Presidente João Lourenço reuniu-se recentemente, com os embaixadores em Luanda, e teceu algumas críticas em relação ao actual do quadro diplomático. O que se esperar para os próximos tempos?
O Presidente, enquanto chefe da diplomacia angolana, de conformidade com o Artigo 121, alínea A, deixou recomendações expressas, e cabe ao ministro materializar essas recomendações. É necessário que se qualifiquem os agentes diplomáticos, que se priorizem os embaixadores de carreira e se promovam jovens angolanos com competências para assumpção de cargos nas organizações internacionais. Que as representações diplomáticas não sejam um mero meio de acomodação de pessoas, mas, que coloque a diplomacia ao serviço do interesse nacional.