Hoje em dia, todos os países desenvolvem uma diplomacia assente, não apenas na política, mas também em interesses comerciais. Aliás, já no tempo do imperialismo da canhoeiras e mosquetes, concretizado por intervenções armadas em países independentes, as grandes potências utilizaram o uso da força para se apropriarem de riquezas.
A chamada “economia global” nasceu nesse tempo, quando caravelas e naus demandavam de portos europeus para destinos africanos, asiáticos e americanos. A ocupação de territórios e as migrações esclavagistas que se seguiram deram origem a um enorme fluxo de comércio e de populações.
A economia global, tal como existe actualmente “inventada” pelos Estados Unidos da América (EUA), é o sucedâneo de políticas expansionistas do passado. Agora, os países mais desenvolvidos actuam de forma dissimulada, a coberto de acordos de cooperação desvantajosos, na maioria dos casos, para os supostos beneficiários.
No entanto, grandes empresas multinacionais instalam fábricas, unidades comerciais e escritórios em países do chamado Terceiro Mundo, que beneficiam com esse investimento, pois geram emprego e contribuem para o fisco.
Tendo em conta esta realidade, países como Angola só têm a beneficiar com a entrada de investidores estrangeiros, desde que actuem de boa fé, no intuito de contribuírem para o desenvolvimento económico e social.
Investimentos na agricultura, pecuária, indústria ligeira, energia, transportes, turismo e redes de comunicação são bem vindos no nosso país, que ainda está longe dos patamares dos países mais desenvolvidos, apesar de possuir imensos recursos naturais.
Para potencializar esses recursos, a fim de desenvolver o país e, consequentemente, conceder à população melhores condições de vida, a chamada diplomacia comercial “joga” um papel importante.
Neste “tabuleiro”, o Ministério das Relações Exteriores está a desempenhar uma função notável, utilizando os canais diplomáticos para contactar governantes, empresários e chefes de grandes empresas dos países onde estão sediadas as embaixadas angolanas para atrair investimento.
A diplomacia comercial é, actualmente, um desígnio fulcral da política externa de Angola. Ao contrário do que alguns conservadores pensam, os representantes diplomáticos não devem limitar-se a discursar no Dia da Independência Nacional e trocar brindes de champanhe com outros embaixadores.
Angola apresenta a potenciais investidores condições excepcionais em África, como estabilidade política e militar, ao contrário do que acontece em outras latitudes. Apesar da crise económica e financeira com que se debate, o país começa a dar sinais de recuperação.
Um dos exemplos assenta na regularização de pagamentos a empresas privadas, prestadoras de serviços ao Estado, e, também, de salários a funcionários públicos. Outro baseia-se no acesso ao crédito externo em praças financeiras da Europa e dos EUA.
A “política de charme” do Presidente João Lourenço junto de países africanos, asiáticos e europeus, além da América do Norte, a que não será estranho apontar a Primeira-Dama, Ana Dias Lourenço, como conselheira não oficial - mas sobretudo por ter sido ministra da Economia e, posteriormente, membro do Conselho de Administradores do Fundo Monetário Internacional (FMI) - terá aberto muitas portas que se haviam encerrado, devido, entre outros motivos, a alegados casos de corrupção envolvendo titulares de cargos públicos de alta relevância.
O anunciado combate à corrupção e a intenção assumida por João Lourenço de adoptar uma política de transparência nas contas públicas, pesou a favor da diplomacia comercial angolana.
Agora, já não se contam pelos dedos das mãos os dignitários de outros países que se deslocam ao Palácio da Cidade Alta, com a intenção de fortalecer as relações diplomáticas, mas também de apresentar propostas de incremento da cooperação económica, social e cultural.
Muito do mérito dessa actividade advém dos representantes de Angola, espalhados pelos quatro cantos do mundo, que desenvolvem a chamada diplomacia comercial. A via está traçada para que mais investidores venham desenvolver negócios no país, em prol do desenvolvimento económico e social e da prosperidade da população.