No seu relatório recente sobre as “Perspectivas económicas mundiais’ do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontava que as economias da África Subsahariana deveriam crescer 3,3 por cento este ano e 3,5 em 2019. Aquela organização de Bretton Woods aventava a possibilidade de o crescimento vir a recuperar na África Susahariana, de 2,7 por cento em 2017 para 3,3 em 2018 e 3,5 em 2019, tal como foi, genericamente, antecipado no Outono.
Os analistas do FMI escrevia na actualização das previsões de Outubro que houve uma modesta revisão em alta para a Nigéria, mas o crescimento deverá ser um pouco mais baixo na África do Sul, ficando abaixo de 1 por cento em 2018 e 2019, devido ao aumento da incerteza política e ao seu impacto na confiança e no investimento. O FMI reviu em baixa de 0,1 pontos o crescimento previsto para a África Subsahariana para este ano, e aumentou em 0,1 pontos a previsão para o próximo ano (2019), mas não apresentava explicações sobre esta ligeira alteração.
A previsão do FMI colide com a do Banco Mundial que revia em alta o crescimento em África de 2,4 por cento em 2017, que se seguiu a um forte abrandamento para 1,3 em 2016, e para 2018 a estimativa de expansão económica para 3,2. O Banco Mundial é mais optimista em relação ao crescimento de África, mas o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) é mais pessimista.
No seu relatório, o Banco Mundial prognosticava uma recuperação modesta em curso na África Subsahariana, apoiada por uma melhoria nos preços das matérias-primas. Os autores do documento mantêm as previsões feitas em Outubro no ‘Africa’s Pulse’, sendo exclusivamente dedicado às economias do continente africano.
Apesar de o crescimento económico ter aumentado em Angola, Nigéria e África do Sul, as três maiores economias da região, a expansão continua baixa”, acrescentam os redactores do relatório, que nota que a região deve ver uma subida da actividade económica durante o horizonte das previsões, alicerçada na consolidação dos preços das matérias-primas e no fortalecimento gradual da procura interna. Segundo o BM, o crescimento não implica, no entanto, o abrandamento do ritmo das reformas que o banco diz serem necessárias para explorar o potencial do continente africano.

Relatório do BAD
Sobre as perspectivas económicas em África em 2018, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) diz que o crescimento na África Subsahariana, excluindo a Nigéria, abrandou de 3,8 por cento, em 2016, para 3,2, em 2017. Em 2018 e 2019, prevê-se um crescimento anual com valores superiores a 4 por cento.
Após um crescimento anual moderado de 2,2 por cento, em 2016, o PIB real médio recuperou, alcançando os 3,6, em 2017. Em 2018 e 2019 prevê-se um crescimento de 4,1 por cento por ano. A justificação do BAD tem a ver com a proporção das melhores condições económicas mundiais, a recuperação dos preços dos produtos de base (sobretudo o petróleo e os metais), a procura interna sustentada, parcialmente complementada pela substituição das importações, assim como as melhorias na produção agrícola.
O Banco Africano afirma no seu relatório que grande parte da contracção económica está relacionada com a recessão na Nigéria, onde a produção diminuiu 1,5 por cento, em 2016, em consequência dos baixos preços do petróleo e dos desafios das políticas, incluindo os atrasos nos ajustes da taxa de câmbio. Em 2017, a recuperação dos preços do petróleo reforçou a produção. Em conjunto com o forte desempenho na agricultura, retirou a economia da recessão que sofreu no ano anterior, embora o crescimento ainda tenha sido moderado, situando-se em 0,8 por cento. A Nigéria prepara-se para uma recuperação, que se prevê menos intensa do que a média do continente. Em 2016, entre as outras grandes economias do continente, a África do Sul apresentou um crescimento muito lento (0,3 por cento), enquanto o Egipto beneficiou de um crescimento acima da média (4,3).

Norte de África
No Norte de África, excluindo a Líbia, a contracção económica de 2016 foi mais branda do que noutros países, com o crescimento a sofrer um abrandamento de 4 por cento, em 2015, para 3,4, em 2016 (a Líbia e excluída porque o crescimento extremamente volátil do país distorce a análise, ainda que apenas represente menos de 5 por cento do PIB de África). Em 2017, o crescimento recuperou para 3,6 e, em 2018, deverá acelerar para 4,1, ganhando impulso em 2019, para 4,7.

Crescimento mundial
O BAD estima um crescimento económico mundial de 3,1 por cento, em 2016, para 3,6, em 2017, e 3,7, em 2018. Este crescimento pode dar origem a preços dos produtos de base mais elevados, o que pode beneficiar alguns países africanos. O relatório do banco africano considera que o desempenho económico de África tem sido resistente no contexto de um ambiente externo difícil, nos últimos anos. Os produtos de base representam as principais exportações do continente.
A nível mundial, o Banco Mundial reviu em alta as estimativas de crescimento global para 3,1 por cento em 2018, quando no ano passado previa uma expansão económica de 2, para este ano.

Sub-região do continente
Na sub-região de África prevê-se uma aceleração do crescimento para 5,1 por cento, em 2018, seguindo-se a um abrandamento, em 2019, para 4,5. A recuperação na produção de petróleo na Líbia sustentou este crescimento. Após diminuições nos anos anteriores, o PIB do país aumentou 55,1 por cento, em 2017, mas a produção manteve-se cerca de um terço inferior aos valores registados antes da revolução árabe, de 2011.
O Egipto continuou a registar um crescimento estável, para 4,1 por cento, em 2017, uma ligeiradiminuição em relação ao crescimento de 4,3, de 2016. O crescimento beneficiou do regresso do Investimento Estrangeiro Directo (IED) e das exportações líquidas, impulsionados pela desvalorização da taxa de câmbio real, após a respectiva liberalização.
Uma margem de manobra orçamental e monetária mais ampla permitiu a Argélia mitigar os efeitos adversos dos preços baixos do petróleo na economia, evitando uma diminuição mais acentuada do crescimento, após a queda dos preços do petróleo.
Em 2017, o governo respondeu a redução dos rendimentos públicos, através da redução significativa da despesa pública (de 42 por cento do PIB, em 2016, para 36).

África Austral
Em 2017, o crescimento na África Austral quase duplicou para 1,6 por cento, um aumento em relação ao valor de 0,9, de 2016. Segundo o BAD, tal reflecte o melhor desempenho dos três principais exportadores de produtos de base: A África do Sul, que duplicou o crescimento (embora permaneça reduzido, em 0,9 por cento); Angola, onde a produção expandiu 2,1 por cento e a Zâmbia que registou um crescimento de 4,1 por cento. Os três países representavam cerca de 1 ponto percentual da taxa de crescimento de África.
Estima-se um aumento do crescimento de 2 por cento, em 2018 e 2,4 por cento em 2019.

África Oriental
Esta região continua a ser a sub-região de África com o crescimento mais acelerado, apresentando um crescimento estimado de 5,6 por cento, em 2017, um aumento em relação ao valor de 4,9 por cento, de 2016. Prevê-se a continuidade de um crescimento dinâmico, alcançando 5,9 por cento, em 2018, e 6,1 por cento, em 2019. O crescimento robusto e generalizado na sub-região, com muitos países (Djibuti, Etiópia, Quénia, Ruanda, Tanzânia e Uganda) a registarem um crescimento igual ou superior a 5 por cento. O consumo privado e o impulsionadormais importante do crescimento ajudaram as Comores e Quénia para um investimento público nas infra-estruturas e tem sido fundamental no Djibuti e na Etiópia.