O indicador de 38 por cento tido como a actual taxa de informalidade da economia angolana é preocupante, conforme defendeu, esta semana, em Luanda, a especialista do Banco Mundial, Zenaida Uzir.
Ela e outros especialistas nacionais defenderam no seminário de iniciativa dos ministérios da Economia e do Planeamento e o das Finanças, que a economia informal não pode ser combatida, mas integrada no sistema formal, para fortalecer-se o mercado.
Nesse sentido, a especialista do Banco Mundial disse que a economia informal vai ser o conjunto de empresas e actividades económicas que actuam fora da economia moderna e longe das obrigações legais.

Causas
Entre as causas da informalidade nas economias, Zenaida Uzir apontou os elevados índices de pobreza, a baixa produtividade e o desemprego.
Além destes factores, indicou, igualmente, a corrupção, a burocracia, os elevados custos dos impostos e outros emolumentos como os que concorrem para a não formalizar uma iniciativa de negócio.
Questionada sobre as consequências da informalidade, Zenaida Uriz apontou as dificuldades para aceder ao crédito bancário, a protecção social dos trabalhadores e abertura de pólos como as que tendem a fomentar a concorrência desleal.
Por outra, explicou que não existe uma única fórmula para resolver o problema da informalidade, pois cada caso é um caso.
No entanto, aconselhou a adopção de medidas que passam pela redução de pagamentos em dinheiro, sistemas de pagamentos electrónicos, reavaliação de alguns impostos e emolumentos como medidas complementares.
O economista Fernando Heitor, que participou na conferência na condição de consultor, disse que a economia informal não se combate mais sim, atrai-se para o formal.
Para Heitor, o Estado precisa criar novas medidas para formalizar os negócios, fiscalizar as empresas, assim como a cobrança de impostos.
Defende também a necessidade de se criar uma única instituição de fiscalização da actividade comercial no país, a atribuição de crédito bancário de modo a atrair quem está na informalidade bem como redução de encargos na formalização dos negócios.
Segundo o economista, a situação dos empreendedores angolanos é bastante crítica e carece de medidas para inverter-se a actual realidade.

Redução
Já a empresária Elizabeth Dias dos Santos disse que a redução da informalidade na economia angolana passa pela resolução dos problemas de base.
Para ela, a vulnerabilidade da maioria das famílias angolanas consta entre as causas que levam muitas mulheres às ruas, para dar respostas as necessidades de alimentar a família, estudar e garantir a assistência em casos de necessidade.
Elizabeth Dias dos Santos assegurou que as vendas de rua estão entre as principais impulsionadoras da economia real, pois trabalham noite e dia para alimentar famílias e assegurar a continuação do negócio.
Recorreu a alguns exemplos do grupo empresarial que dirige para explicar em como lida com as histórias de vida de mulheres, que começaram com um cartão de ovos e, actualmente, contam com mais de 10 caixas, o que constitui um verdadeiro exemplo de empreendorismo, que deve ser transformado, através de políticas concretas.
Por outra, solicita os líderes africanos a exigir das multinacionais do Ocidente a criação de indústrias transformadoras nas zonas de exploração das matérias-primas, de modo a empregar a mão-de-obra a nível local.
Já o presidente da Associação de Vendedores do Mercado Informal, Óscar Cardoso, disse que o tal sector controla elevadas somas de dinheiro, sem qualquer dividendo para o Estado.
No seu entender, o Estado deve ir ao encontro do cidadão, criar serviços mínimos a nível local e potenciar a produção nacional. Disse ainda contralarem aproximadamente mil associados pelo país.
Na sua justificação, os vendedores ambulantes continuam neste segmento face às dificuldades no acesso aos serviços, a burocracia e a falta de incentivos atractivos para que possam formalizar os respectivos negócios. Há também o facto de muitos vendedores ganharem muito mais nessa actividade de patronato.
Segundo o presidente, este segmento de negócio é controlado sobretudo pelas mulheres, face a fuga a paternidade e baixo grau de escolaridade de mutas mulheres, que encontram no comercio informal a única forma de sobreviver.