O Presidente João Lourenço dirigiu-se à Nação por conta da abertura oficial da quarta legislatura e foi um discurso ainda mais incisivo relativamente ao da tomada de posse, pois foi mais ao fundo, tocou nas feridas em algumas das questões “quentes” que ensombraram o fim da governação do presidente cessante.
Foi agradável ver a continuidade do discurso que marcou a campanha eleitoral, apesar das nomeações dos ministros e governadores provinciais levantarem algumas dúvidas sobre a materialização das promessas eleitorais.

Banco central
A passagem sobre o Banco Nacional de Angola é o que mais chamou atenção, sendo que vimos o governador do BNA seguro de si, ao afirmar que apenas tinha mais quatro (4) anos de mandato e que era para cumprir, isto em pleno acto de investidura do actual presidente. Deduzimos então que o governador já tinha o voto de confiança do novo PR.
A verdade é que o PR apenas reproduziu o discurso de quase toda classe empresarial, banca comercial, alguns membros do Executivo cessante e sociedade civil, defendendo que as divisas não estão ser correcta e equitativamente alocadas pela economia, havendo um grupo de empresas privilegiadas por razões de desviadas da eficiência económica.
O facto do PR afirmar que existe a necessidade de colocar profissionais da área económica no BNA denota o reconhecimento da classe de economistas que, por algum motivo, investiram anos de vida e muito suor a fazer licenciaturas, mestrados e doutoramentos em ciências económicas.
Tais profissionais nunca se negaram a tarefa acometidas, mas por motivos de difícil entendimento, têm sido preteridos por quadros de outras áreas, que podem ser bons nas suas áreas de formação, mas certamente nunca melhor do que quem tem o perfil técnico e académico para a tarefa de cariz económico e financeiro em causa.

Recomendações à banca
O que se recomenda para o BNA é a prática internacional, ir buscar altos quadros da banca comercial (com vários anos de experiência) para a banca central, os melhores supervisionados tornam-se supervisores e se a aposta é na juventude, temos vários quadros nacionais da banca comercial com menos de 45 anos que já detêm quase 20 anos de banca comercial.
Em termos concretos, pensamos que o PR, com a reforma no BNA, procura uma melhor alocação das parcas divisas, para importações sustentáveis (que promovam o fim das importações e crescimento das exportações), bem como para aqueles bens de consumo que têm pressionado para cima os preços dos bens e serviços.
É preciso que o BNA esteja na vanguarda da nova dinâmica económica nacional, acompanhando e supervisionado de forma mais assertiva a reestruturação/recapitalização da banca comercial, por outro lado terá de estar compenetrado com política monetária, cambial e o controlo da inflação.

Assimetrias
Ficou claro que a diminuição das assimetrias é um combate que só será ganho se os investimentos tiverem condições de chegar ao interior do país, para dar empregos dignos a todos angolanos, mas para que a agricultura moderna e mecanizada chegue ao interior é necessário haver infra-estruturas (electricidade, vias de comunicação e telecomunicações) nestes locais.
A questão da nossa auto-suficiência alimentar e a redução das importações, exactamente para poupar a “queima” das divisas, foi abordada no sentido de que é importante prestar atenção especial a cadeia completa da agricultura e a própria industria transformadora.
A industrialização do país foi tida como ponto de viragem para diversificar a economia de facto e assim reduzir as importações, sendo que aqui enquadramos a urgência da refinação do petróleo no país, pois cria empregos e acaba com importação dos refinados, virando o sinal das exportações líquidas, pois existe mercado regional para os nossos
futuros refinados.

Distribuição do cimento
Também foram aludidos a problemática da distribuição do cimento (que foi exemplo para vários produtos) que condiciona uma série de sectores e os monopólios que artificialmente ditam as regras em diversos sectores da economia, pondo em risco o normal funcionamento da jovem economia de mercado que pretendemos criar.
Em termos gerais, foram estes os aspectos mais importantes em termos económicos no discurso do PR, pelo que é de todo importante e pensamos o que foi ou o que ficou por dizer, no caso de como se pensa financiar o investimento público, qual será o papel da diplomacia financeira nesta nova era, e por fim, como o Estado pretende apoiar o empresariado privado nacional e estrangeiro no esforço de trazer linhas de crédito em moeda estrangeira para os investimentos sustentáveis.