Os actuais indicadores macroeconómicos de Angola apontam que o país tem capacidade de financiamento, ou seja, as suas reservas cambiais permitem financiar outras economias e fazer face aos possíveis choques externos.

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), na conferência internacional sobre Contas Nacionais, realizada em Luanda nos dias 25 e 26 do corrente, dão conta que em 2012 a taxa de auto-financiamento (poupança/formação bruta de capital fixo) da economia nacional, foi de 178,57 por cento, dando garantias de um bom desempenho das actividades macro económicas e uma maior capacidade de financiamento.

Os indicadores apresentados permitem ainda concluir que na série, peso da poupança bruta no produto interno bruto (PIB), tem tendência decrescente nos primeiros três anos, ou seja, em 2007, 2008 e 2009 e invertendo-se a partir de 2010 e se elevou para percentagens maiores em 2002 para 48,23.

Assim, em 2002 a taxa de auto financiamento registou a maior percentagem de 42,26, aproximadamente o dobro dos restantes anos.

Segundo o relatório de 2013 apresentado pelo INE sobre as contas nacionais no período 2007 a 2012, citando os dados do Banco Mundial, as previsões sobre a situação económica e financeira angolana, os crescimentos previstos para 2013 e 2014 são muito mais “à custa do dinâmico crescimento da produção petrolífera e dos preços da exportação elevados”.

O documento acrescenta que a produção de gás natural liquefeito, LNG na sigla inglesa, poderia servir de um novo motor de crescimento, embora pouco contribua para aliviar a dependência estrutural de Angola das exportações dos recursos naturais.

Assim, a capacidade projectada da produção do LNG no país é de 5,2 milhões de toneladas/ano, ou de 7.200 milhões de metros cúbicos de LNG para exportação, o equivalente a 25 milhões de barris de petróleo ou um aumento de 6,5 por cento na actual produção petrolífera.

Os dados apresentados apontam que Angola é actualmente o segundo maior produtor da África subsahariana, a seguir da Nigéria. Apesar do panorama positivo para a economia nacional, o Banco Mundial alerta para ameaças face às incertezas das condições dos mercados globais, sobretudo em termos do seu impacto potencial nos preços do petróleo.

Segundo o documento do INE que cita o Banco Mundial, a incerteza da economia global, continua a ser o risco maior para o crescimento projectado para Angola. A dependência do país às exportações do petróleo deixa a economia nacional altamente sensível às tendências económicas globais e as alterações de preços de petróleo tem impacto imediato e profundo nas contas externas e orçamentais.

Em 2012 o PIB de Angola foi de 11,8 mil milhões de kwanzas. No período em referência, registou-se um crescimento real do PIB em todos os anos, sendo em 2005 atinge o pico de 15 por cento.

De realçar que de 2004 a 2008 o crescimento foi de dois dígitos registando-se uma redução para 1,9 por cento em 2011, seguida de um ligeiro crescimento para 5,8 em 2012, enquanto a taxa média anual de crescimento real da economia foi de 10,2. O crescimento do PIB per capita em 2005 foi de 11,7 por cento em relação ao ano anterior. A distribuição para os anos seguintes (2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012), foi de 8,2; 10,6; 7,9; -1,0; 0,35; 1,33 e 2,49 por cento, respectivamente.

Em relação a participação das actividades na composição do PIB em 2011, destaca-se a extracção e refinação de petróleo bruto e gás natural que constitui 45 por cento, seguida dos serviços mercantis com 22,8 por cento e os serviços não mercantis com 2,49 por cento.