O economista Precioso Domingos entende que o Governo deve rever o Orçamento Geral do Estado, já que o actual nível de endividamento acrescido que está em negociações ultrapassa as necessidades previstas no OGE que se situa nos 3%.
“A dívida de Angola normalmente ronda aos 55.4 mil milhões de dólares (cerca de metade desta divida é externa, e a outra é interna). Da externa, a China tem 70% a 80%, o que significa que os chineses neste momento têm 22 mil milhões de dólares do nosso stock da dívida externa. E o défice do OGE agora é a maior e está estimado em de cerca de 3% e isso representa 3.5 mil
milhões de dólares”.
Preciosos Domingo que falava à RNA disse que se se tiver em conta o giro bónus permitido, que é de 3 mil milhões de dólares, os 500 milhões de dólares do banco de exportação da Alemanha, mais os 150 milhões de dólares da França, perfaz um défice que está fechado, “só que as negociações na China são 15 mil milhões de dólares, mais os actuais 15 mil milhões de dólares, quer dizer que a dívida para com a China está a tender para mais de 30 mil milhões de dólares”,
disse o economista.
Na sua opinião, Angola esta a ultrapassar o limite de endividamento que está no Orçamento Geral do Estado e é altura para se rever o documento para se tornar o processo legal.
No entanto, deve-se lembrar que no quadro da cooperação Sul-Sul, o país asiático predispõe-se a incentivar as suas empresas a investir em África não menos do que 10 biliões de dólares, nos próximos três anos.
Na mesma esteira, a China irá perdoar a dívida das nações africanas com as quais tem relações diplomáticas e que sejam menos desenvolvidas ou com fraca capacidade económica.

Existe um grande défice na qualidade dos investimentos 
O especialista Jorge Pinto reconhece que falta alguma qualidade nos investimentos chineses em Angola, o cenário que prevê mudar rapidamente por força de algumas medidas já adoptadas, pois o investimento privado em Angola ronda nesta altura em 700 mil milhões de dólares.“Está tudo bem, existe um grande défice de qualidade de investimento chinês, mas nós temos que nos convir que o investimento da China e, sobretudo privado, é o terceiro ou sexto maior investimento que o país recebeu”, disse.Por isso, acrescenta que Angola tem um montante de investimento chinês avaliado em mais de 750 milhões de dólares e estão distribuídos em vários ramos da economia, com particular destaque para a construção, indústria transformadora, comércio, serviço e a indústria extractiva.Existe também alguns instrumentos de telecomunicações, onde a fiscalização foi um fiasco, e que devia ser exigido ao investidor estrangeiro um rigoroso plano de formação.