Os operadores do sector agrícola mostraram-se expectantes com a entrada em funcionamento do primeiro portal angolano inaugurado na passada quarta-feira, em Luanda, dedicado exclusivamente ao agro-negócio.
A plataforma é um suporte que veio enquadrar a estratégia do Executivo angolano que visa a diversificação, dinamização e transferência de conhecimento, bem como tecnologia para o sector agrícola.
Segundo um documento da empresa Weza, promotora do projecto, a iniciativa tem como objectivo criar uma plataforma onde os homens do campo possam facilmente comprar, vender, trocar ou alugar, tudo aquilo que necessitam no âmbito do negócio agrícola é uma mais-valia.

Ganhos
A reacção dos empresários agrónomos presentes na cerimónia de lançamento já cadastrados é de que apesar da importância do sector para o país, são necessários passos importantes para a potencialização das oportunidades que o agro-negócio possui.
O engenheiro agrónomo Jeovani Caetano, representante da empresa “Agrikuvango”, localizada na província da Huíla disse que, o país só conseguirá revolucionar o sector do agro-negócio se simplificar a vida do produtor rural em diversos âmbitos, como por exemplo, facilitar a compra, e diminuir a burocracia no sector público.
“Esse portal veio a calhar. É uma grande iniciativa, porque a partir dele, nós podemos escoar o nosso produto e se calhar até fazer algum intercâmbio para compra de alguns inputs necessários para a nossa produção. Se de facto funcionar é uma ferramenta importantíssima”, afirmou.
O engenheiro contou que neste momento, a Agrikuvango tem plantados 300 hectares de milho, onde esperam até no final do 1º semestre aumentar a área de cultivo, passando para 600 hectares.
“O projecto teve arranque em 2016. Neste momento temos 200 trabalhadores empregados, e esperamos atingir até 2022, a capacidade de produção máxima de 1.500 hectares, com previsão de produzir e transformar o milho”, augurou.
Para o também engenheiro agrónomo Gaspar Saraiva, proprietário de uma pequena empresa de transformação de jindungo, com a marca “Maria´s”, instalada em Luanda, o portal vai permitir, por exemplo, que possa comprar a matéria-prima de qualidade, para a posterior transformação.
“O portal vem em boa hora e vamos experimentar. Eu já publiquei há três meses e ainda não tenho retorno, mas penso que é uma fase de adaptação, e esperamos que daqui a mais um tempo o portal comece a surtir efeito”, destaca.
Gaspar Saraiva entende que é muito difícil entrar num mercado onde as grandes empresas, querem ser elas “a ditar o preço, e preferem importar um produto com menos qualidade, do que estar a utilizar um produto bom ao preço justo”.
No mercado há menos de um ano, Gaspar Saraiva transforma no máximo trinta quilos por dia e distribui para algumas lojas em Lunada, onde chega a facturar até 300 mil kwanzas por mês.
“A minha capacidade é de 100 quilos por dia, mas neste momento ainda não consigo atingir esse máximo, porque ainda tenho problemas na compra de frascos. O mercado em Luanda está consolidado, não tenho muitas críticas e tenho confiança na qualidade do produto que faço”, garante.
Por sua vez, o empresário Emeric Desjeux entende que o portal vai fazer chegar o produto a todo o país e distribuir com mais eficácia.
A sua empresa faz parte de um grupo francês de produção e selecção de sementes hortícolas, com uma filial em Angola para distribuição. “Temos aqui uma filial em Angola e penso que este portal é um grande canal para darmos a conhecer o nosso produto”, disse.
“Vendemos sementes hortícolas, como legumes cenoura, alface pepino, repolho, jindungo, quiabo, entre outros. Temos centros de pesquisa no Burquina Faso e Senegal e temos uma genética adaptada ao clima tropical, ou seja, as nossas sementes são muito boas para o clima africano”, explicou.
Para ele, o ambiente do agro-negócio em Angola tem tudo para desenvolver e é um segmento que está em desenvolvimento.
“Com um apoio institucional muito forte e se continuar assim, temos as condições necessárias para atingirmos níveis altos de produção”, salientou.