O interesse das relações empresariais e económicas entre Angola e Portugal esteve em evidência, no II fórum empresarial dos dois países, realizado,
no início da semana, em Luanda, numa realização da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA).
No encontro que juntou homens de negócio e instituições públicas dos dois Estados, foi patente a necessidade de se investir cada vez mais, contrariando algum clima de pessimismo que tem existido sobre o mercado angolano.
As trocas comerciais entre as duas nações são animadoras, apesar da actual conjuntura económica e financeira.
A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) está convencida de que a matriz histórico- cultural é uma mais-valia para se
transformar em valor económico.

Aumentar a competitividade
No evento, o presidente do Conselho de Administração do Entreposto Aduaneiro de Angola, Joffre Van-Dúnem Júnior, apresentou as linhas mestras do sector do comércio nacional,plasmados no Plano Nacional de Desenvolvimento em curso no país, que entre os vários propósitos, visa aumentar a
competitividade empresarial.
Destacou a estratégia dos projectos estruturantes que estão a ser desenvolvidos pelo Ministério do Comércio, que define o aumento da produtividade e fomento das exportações.
“Os programas têm como objectivo aumentar a oferta de bens alimentares no mercado, assim como diminuir as importações, através do
aumento da produção, sublinhou, depois de frisar que os programas visam também facilitar o ambiente de negócio.

Fortalecimento
Por sua vez, o representante da Aicep, José Junqueira, convidado a encerrar o II fórum empresarial Angola-Portugal, disse que a cooperação
económica entre os dois países é já uma realidade.
Revelou que existem 10 mil empresas exportadoras portuguesas, das quais metade têm Angola como único mercado, e empresas de origem portuguesa são cerca de duas mil.
Para o gestor, a actual crise que os dois países enfrentam não vai alterar essa realidade e, apesar da limitação de algumas operações, as empresas portuguesas que estão instaladas no mercado angolano pretendem cimentar a sua presença.
“A Aicep acredita no esforço e parcerias entre as empresas angolanas e portuguesas e tudo fará, tal como até aqui, para colocar nessa estratégia toda a sua vontade, disponibilidade e capacidade para ajudar ao sucesso comum”, destacou.
Mais cooperação Há 14 meses a liderar a diplomacia portuguesa em Angola, o embaixador João Caetano da Silva, revelou que as empresas do seu país querem continuar a investir no mercado nacional.
“Fruto dos novos tempos que vivemos, as empresas portuguesas estão preparadas para se adaptar, principalmente nesta fase da diversificação da economia angolana”, destacou o diplomata luso em Angola na sua intervenção no II fórum empresarial Angola-Portugal.
Convidou os seus compatriotas a constituirem em Angola parcerias duradouras, bem como fazerem a transferência de tecnologia, tendo em conta os objectivos do Governo angolano.
O responsável é de opinião de que se deve cada vez mais apostar nas alianças económicas entre empresários portugueses e angolanos, com o objectivo de se fortalecer as duas economias.
No encontro foram aflorados temas como “O valor económico da língua portuguesa” bem como “Parcerias entre as empresas angolanas e portuguesas na diversificação da economia angolana.

Saldo comercial
O saldo favorável a Portugal relativamente às trocas comerciais com Angola desceu 34,4 por cento entre Janeiro e Novembro, para 1,34 mil milhões de euros, devido à queda de 30,5 por cento nas exportações.
De acordo com os dados da Agência para o Investimento, Comércio Externo de Portugal (AICEP), as exportações de Portugal para Angola passaram de 3,2 mil milhões de euros, de Janeiro a Novembro de 2015, para 2,2 mil milhões nos primeiros onze meses do ano passado.
Em 2016, Angola foi o destino de 3,3 por cento das vendas de Portugal para o estrangeiro, o que vale menos de metade dos 6,9 de 2013.
Em sentido inverso, isto é, enquanto fornecedor, Angola vale 1,4 por cento das importações nacionais, o que revela uma quebra face aos 1,9 de 2015 e aos 2,6 do ano anterior.