O ministro das Relações Exteriores, Georges Chicoti, afirmou que durante o longo período de guerra que o país viveu, a política externa de Angola esteve sempre focada na conquista da paz. Uma vez alcançada essa meta, o Executivo definiu outros objectivos na política externa do Estado, tendo atribuído uma forte componente económica à diplomacia angolana.

“O que faz hoje a política externa é o peso económico, daí que as empresas, principalmente as públicas, são um instrumento fundamental de política externa” declarou Georges Chicoti durante o fórum de negócios realizado em Luanda pelo Instituto para o Sector Empresarial Público (ISEP) no pretérito dia 6 (segunda-feira).

“A relação com outros Estados e organizações internacionais de carácter económica centra-se na captação de investimentos no âmbito do processo de reconstrução pós-guerra, da luta contra a pobreza e da diversificação da nossa economia” acrescentou.

Ao longo da sua prelecção, Georges Chicoti referiu que Angola define-se e tem se assumido como um Estado progressista em todos os processos de transformação que ocorrem nas relações internacionais e a sua política externa tem se baseado no princípio do respeito e igualdade jurídica entre os Estados, da resolução pacífica de conflitos e cooperação entre os povos, de progresso e justiça social.

Mais adiante afirmou ainda que a estratégia seguida tem sido a de promover não só uma inserção competitiva do país no contexto internacional como também de retirar os maiores benefícios da cooperação internacional de modo a elevar cada vez mais a qualidade de vida do povo angolano.

Segundo o ministro, a cooperação com os mais variados países e instituições económicas e financeiras internacionais aumentou e o país tem estado a receber muitas propostas de investimento por parte de empresas estrangeiras. A seu ver, a reformulação da Lei do Investimento Privado contribuiu grandemente para esse aumento e os resultados estão a vista de todos.

“A nova Lei do Investimento Privado contém uma importante cláusula que obriga o investidor estrangeiro a realizar parceria com empresas nacionais públicas ou privadas, mas essa lei só terá força se as nossas empresas estiverem organizadas e bem estruturadas e se os seus gestores estiverem bem capacitados” alertou.

Georges Chicoti defende ainda que dada a desvantagem das empresas angolanas face aos seus pares estrangeiros, a emergência de grupos económicos fortes e competitivos deve merecer o apoio do Estado designadamente através do acesso prioritário aos clausters e às cadeias produtivas, aos contratos para fornecimento de materiais, equipamento e matérias primas, bem como através de facilidades financeiras.

Intervenção externa
Segundo o dirigente, dado o papel político que o país tem exercido na pacificação da África Austral, da região dos Grandes Lagos, da África Central e do continente em geral, o Executivo tem recebido imensos pedidos para que empresas públicas angolanas invistam em alguns países nomeadamente a RDC, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Konacri, Tchad, Guiné Equatorial, República Centro Africana, só para citar esses.

“Para que possamos responder satisfatoriamente a esses convites” afirma Georges Chicoti, “é necessário acelerar o fortalecimento da nossa economia, tornando-a diversificada e estável. Para tal, o Estado deve apoiar a criação de uma base económica e empresarial efectivamente controlada por angolanos”.

Além disso, o chefe da diplomacia angolana referiu ainda que, para o efeito, será necessário adoptar uma política e estratégia parcialmente proteccionista que estimule oportunidades a essas a classe empresarial do país. Ao mesmo tempo estimular a criação de estruturas que se dediquem a promover a continuidade de um processo de capacitação empresarial numa perspectiva mais aprofundada, conduzida por excelentes escolas de negócio constituídas através de iniciativas públicas ou privadas com parcerias das melhores escolas do mundo.

O ministro da Geologia e Minas, que também participou da mesa redonda com outros dirigentes, mostrou-se optimista e de acordo com o novo foco da política externa. “O que faz hoje a política no exterior é a força económica” disse reiterando as palavras do ministro Chicoti, todavia, é preciso saber antes de mais qual é o nosso potencial interno para expansão externa das nossas empresas.

“Depois é preciso identificar os mercados onde esse potencial pode ser concretizado. No ramo mineiro temos experiência e capacidade para isso. A título de exemplo temos a Endiama que tem actuação externa muito significativa, e já pensa em actuar activamente no Zimbabwe” disse, acrescentando que outras empresas do ramo têm estabelecido parcerias com os países limítrofes, nomeadamente Namíbia, Zâmbia, Zimbabwe e RDC. “Portanto, temos capacidade interna para internacionalizar as nossas empresas mineiras e temos mercados”, sublinhou Francisco Queiroz.

Georges Chicoti foi peremptório ao afirmar que é chegado o momento para a internacionalização das empresas angolanas com o objectivo de dar corpo à cooperação económica com outros países.

Segundo o ministro, as políticas públicas de apoio e formação às empresas públicas que se lançaram no mercado internacional devem constituir uma plataforma do Estado para permitir a participação das respectivas empresas de forma competitiva e sólida na perspectiva de crescimento dos mercados internacionais, que devem ser igualmente apoiadas pelas instituições financeiras afins por forma a conferir maior confiança e credibilidade das empresas públicas na perspectiva de servirem de instrumento da política externa do Estado.

Para concretizar esse desiderato, o secretário de Estado dos Transportes referiu que faz parte da estratégia do referido ministério dotar o país de infra-estruturas que garantam a harmonização e a ligação de todo o país e além fronteira, na medida em que Angola possui uma posição geo-estratégica importante que lhe permite fazer ligações com os países do interior do continente através da malha ferroviária, principalmente a região central e austral, começando pelos países vizinhos.