A Associação Industrial de Angola (AIA) entende que do processo de arresto que incide sobre a empresária, Isabel dos Santos, o importante é que as empresas funcionem e que continuem a produzir riqueza, que os seus trabalhadores se sintam tranquilos e não tenhamos um projecto de stress transversal.
Para o industrial José Severino “o que interessa é que as empresas garantam os serviços e continuem a ser contribuintes fiscais”, disse em entrevista à Lusa.
Para o presidente da AIA, se o Estado se sente lesado naquilo que presume serem cerca de 1,1 mil milhões de dólares, é natural que tente recuperar esses valores, e fá-lo pela via mais apropriada, que são os tribunais.
José Severino referiu que são empresas, todas elas, salvo “minha percepção errada, que não têm uma condução unipessoal. Claro que um presidente do conselho de administração tem sempre um papel muito importante, mas as empresas têm funcionado e eu acho que isso interessa às duas partes. Tanto a parte que é considerada devedora, como ao próprio Estado”.
Para o responsável da associação industrial, este arresto, que “não é o primeiro” em Angola, toma proporções mais mediáticas “pelo valor e por quem está envolvido”.
Ao mesmo tempo, José Severino assinalou que “nem o Governo nem os tribunais querem que o Estado fique com mais empresas”.
“Nós estamos com um processo de acabar com a presença do Estado na economia”, vincou.
José Severino reforçou que “os tribunais funcionam” e que “a procuradoria recorreu, perante aquilo que investigou”, tendo ainda afirmado que “a sociedade está tranquila”.
“O processo demonstra que os tribunais estão a fazer o seu melhor para que tenhamos um Estado pleno de direito e de justiça”, concluiu o dirigente da AIA.

Indemnização por danos
O jurista Albano Pedro é de opinião que o arresto decretado pelo Tribunal Provincial de Luanda devia ser a solução também no processo de combate à corrupção no país.
Albano Pedro considera que, tratando-se de um processo cível de arresto de bens, tudo o que se espera é que os acusados paguem a dívida contraída “legalmente” ao Estado.
Em entrevista à VOA, Albano Pedro sublinha que se a dívida não for paga, por eventual incapacidade financeira dos visados, a actual retenção temporária deve dar lugar a “um processo de indemnização por danos”,  podendo desembocar no confisco dos bens. “Não é um processo-crime em que as pessoas seriam indiciadas criminalmente”, lembra.

Arresto vai continuar
Por seu turno, o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, esclareceu que a decisão do Tribunal de Luanda não visa uma pessoa em particular, mas é um processo iniciado em 2018 pelo Estado angolano.
O governante precisou ainda que o processo que vai continuar  e abranger todos os que não aproveitaram o prazo estipulado para repatriar voluntariamente os bens mal adquiridos e património desviado. Assegurou que o processo só terminará quando o governo angolano se estimar ressarcido do que estabeleceu como meta.
“Este não é um acto isolado ou dirigido a alguém em particular, mas sim a todos aqueles que, não tendo aderido à possibilidade que o Estado deu quando estabeleceu a primeira lei de repatriamento voluntário”, acrescentou.
A intervenção do ministro angolano das Relações Exteriores aconteceu depois da sua intervenção no Seminário Diplomático