O nome da empresa é difícil e grande, assim como o projecto que a mesma pretende implementar em Angola nos próximos anos. Foi desta forma que o representante da empresa Ural Vagon Zavod iniciou a apresentação do seu projecto que visa construir na cidade de Benguela uma fábrica de vagões ferroviário.

A escolha de Benguela para a construção da fábrica de vagões foi bem recebida e aplaudida pelas autoridades angolanas, que se comprometeram em apoiar a companhia russa Ural Vagon Zavod na sua concretização. A escolha não poderia ser melhor na medida em que a província possui uma das maiores malhas ferroviárias do país e uma empresa pública de referência no sector, que é o CFB (Caminhos de Ferro de Benguela).

Segundo a referida empresa russa, o projecto da fábrica será realizado numa área de 13 hectares de terreno, com um investimento orçado em 100 milhões de dólares (mais de nove mil milhões de kwanzas) que irão gerar 600 novos postos de trabalho, além da transferência de “Know-how” e qualificação da mão-de-obra nacional.

De acordo com os promotores, caso haja celeridade no apoio do Executivo angolano, o projecto será implementado em pouco mais de 12 meses, tendo em conta a experiência da companhia russa na montagem de tipo de estruturas. Assim, pretende-se construir no país para o mercado interno e regional vagões de carga e passageiros, vagões para transporte de mercadorias diversas como produtos agrícolas, cargas secas ou em contentores, cimento, produtos petroquímicos, etc.

A fábrica terá uma capacidade de produzir 2.000 vagões por ano e será uma das mais modernas de Áfricas com tecnologia de ponta.
Para o efeito, a empresa Ural Vagon Zavod conta com o apoio financeiro do banco russo VTB África para a concretização do projecto.
Por sua vez, a empresa Kamaz pretende também criar uma montadora de camiões em Angola à semelhança do que fez na Etiópia, que desde o mês passado já colocou várias unidades no mercado. A marca Kamaz já é bastante conhecida no país devido aos camiões utilizados pela Polícia Nacional e Forças Armadas.

A empresa russa pretende investir 200 milhões de dólares (19 mil milhões de kwanzas) para a expansão do seu negócio em países africanos, como Angola onde já fornece camiões a longa data e já manteve contactos preliminares com o ministério da indústria neste sentido.

Oportunidades no sector
O Secretário de Estado dos Transportes, José João Kovíngua, mostrou-se satisfeito pelos projectos apresentados pelas empresas russas e afirmou que o sector dos transportes rodoviário e ferroviário oferecem boas oportunidades de investimentos. “Relativamente às infra-estruturas do sector o país possui mil quilómetros de litoral, cinco portos dos quais partem os grandes corredores de desenvolvimento e três linhas ferroviárias”, disse.

Em termos de oportunidades de negócio no sector dos transportes indicou o projecto de implantação de uma rede de metro ligeiro nos centros urbanos, particularmente de Luanda. O novo quadro ferroviário do país prevê a participação de empresas privadas na exploração das malhas ou estruturas ferroviárias e na gestão dos seus serviços.

Na área dos transportes aéreos, José Kovíngua apontou opórtunidades para as empresas russas no fornecimento de materiais de apoio à navegação aérea, formação e gestão aeroportuárias. “A Rússia tem muita experiência no sector ferroviário que seria muito útil para nós. Por isso, o meu apelo vai no sentido de se ampliarem as linhas de crédito que possibilitem a entrada das empresas russas nos vários segmentos económicos do nosso país, particularmente no sector dos transportes”, declarou.

Na ocasião, o presidente do conselho de administração da Feira Internacional de Luanda, Matos Cardoso, aproveitou a oportunidade para convidar as autoridades e empresas russas a organizarem, no próximo ano, uma feira para expor os serviços e produtos da Rússia com o objectivo de criar uma aproximação mais directa entre produtores e consumidores dos dois países.

“Seria um importante momento de abordagem de mercado e uma oportunidade para se conhecerem as potencialidades e oportunidades. A nossa experiência na FIL demonstra que 16 por centos dos contactos feitos durante as feiras resultam em negócios realizados”, apelou Matos Cardoso, à semelhança do que fez com a Argentina e a Turquia que graças a isso viram as trocas comerciais com Angola aumentarem significativamente.