Na última década vários investimentos foram executados e outros estão em curso pela Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea (ENANA) nos domínios da actividade da empresa, nas áreas de negócio, navegação aérea, engenharia e equipamentos, infra-estruturas e gestão aeroportuária. A empresa angolana mantém o ritmo em melhorar os serviços de Tecnologias de Informação e Comunicação, Segurança da Aviação Civil, formação aeronáutica e já implementou o sistema de comunicação com as aeronaves por meio de dados (ADS-C/CPDLC), assim como a construção dos procedimentos operacionais para a nova sectorização do espaço aéreo superior da FIR de Luanda. O documento que o Jornal de Economia & Finanças teve acesso revela que na navegação aérea foram melhoradas as comunicações do sistema da rede móvel através da reabilitação das estações remotas do sistema VHF-ER, implementou-se um sistema técnico denominado (TMA/ CTR) nos aeroportos da Catumbela (Benguela), Cabinda e Lubango. Engenharia e equipamentos Já no ramo de engenharia e equipamentos, o investimento incidiu no programa de reabilitação e modernização dos aeroportos do país, que permitiu criar uma nova abordagem da manutenção dos sistemas e equipamentos de suporte à navegação aérea. Um programa que garantiu melhorar a coordenação de tráfego a nível da Região de Informação de Voo, por via da optimização dos sistemas de comunicações HF e VHF-Extend Range, Rádio ajudas (VOR/DME, ILS, NDB), iluminação de pistas, energia socorrida e grupos electrogéneos em mais de 17 aeroportos, e culminou com a electrificação da energia da rede pública nos aeroportos da Catumbela, Soyo e Uíge. Relativamente ao Plano Director de Tecnologias de Informação (PDTI), foram implementados novos e vários sistemas de equipamentos e serviços de suporte à operação de terminais de passageiros com destaque para a Rede Integrada de Multiserviços (dados, voz e vídeo), Telefonia IP e relógio Digital Central.

Segurança no espaço aéreo
Recentemente, a Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea (ENANA) anunciou que a segurança do espaço aéreo angolano é eficiente e seguro. A empresa reagia a uma notícia do Novo Jornal, na edição de 20 de Abril, com o título “Lançado alerta sobre risco iminente de colisão de aeronaves”, e considerou que está eivada de falsidade. O documento aponta que o fluxo do tráfego reportado diariamente a dimensão da Região de Informação de Voo, e o sistema convencional de controlo, em uso em Angola, atribuem eficiência e segurança, factores que têm garantido a confiança das companhias aéreas que operam em Angola, acrescido ao aumento de solicitações de companhias do mundo que pretendem operar no país. Um trabalho credibilizado pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), face à função do fluxo, dá nota positiva ao controlo de tráfego aéreo e pode ser prestado com segurança e eficiência, sem que o Estado possua o equipamento Radar, sendo no caso designado controlo convencional, que é o praticado aponta o documento. Adoptam-se, para o efeito, procedimentos de separação vertical ou horizontal entre as aeronaves, com suporte nos sistemas de apoio à navegação aérea (VOR/DME) e de comunicações (HF, VHF e VHF-ER) em conformidade com a ICAO, o que permite uma operação segura e eficiente das aeronaves, aponta. A nota recorda que a segunda fase do contrato celebrado entre a Enana e a canadense Intelcan, que contempla a aquisição de sistemas emergentes com suporte em satélite, que irão garantir a cobertura total do espaço aéreo continental cobrindo a Região de Informação de Voo (RIV) de Luanda. Até 2013, a navegação aérea angolana vivenciou sérias dificuldades. Com a aprovação do Programa de Gestão e Controlo do Espaço Aéreo Civil (PGCEAC) surgem efeitos imediatos reconhecidos pela ICAO e pela Iata. A partir dessa data, a Enana instalou os sistemas VCCS (Sistemas de Controlo de Comunicação de Voz), os sistemas de roteamento de mensagens, de vigilância moderna, bem como efectuou a formação de controladores de tráfego aéreo e técnicos de instalação e manutenção de sistemas. A Enana prevê instalar no Novo Aeroporto Internacional de Luanda (NAIL) um sistema de Radar e sistemas emergentes ADS B ground based e ABD B Space Based, via satélite, enquanto que, para suporte do tráfego na área terminal de Luanda (TMA). Conforme apurou o JE, o sistema convencional de controlo em uso em Angola, dado o volume de tráfego existente e a dimensão da região de informação de voo (RIV) é seguro. Quanto à gestão do tráfego aéreo predominante em Angola, tem merecido a confiança das companhias aéreas que operam no país, e várias outras pretendem operar no espaço aéreo nacional. E foi celebrado um contrato com a Intercan para a segunda fase do Pgceac que contempla a aquisição de sistemas emergentes com suporte em satélite que irão garantir a cobertura total do espaço aéreo continental abrangendo o tráfego que opera no raio Luanda.

Aeroporto alternante
Em relação aos aeroportos alternantes a Enana está a trabalhar no sentido de criar mais nos outros aeroportos ter condições técnicas semelhantes às de Luanda. A empresa de navegação refere que o Aeroporto Internacional de Luanda também tem servido de alternante do aeroporto de Kinshasa, bem como para as aeronaves internacionais de outros países. Em relação à certificação dos aeroportos, está em curso, o processo do aeroporto internacional de Luanda, cujo processo encontra-se já na terceira fase enquanto o da Catumbela está na primeira fase das cinco exigidas. A pista 23 é a principal do aeroporto internacional de Luanda e está concebida para procedimentos de aproximação por instrumentos, isto é, vor/dme, ndb, gnss e está equipada com sistemas ils cat.ii que permite a aterragem com segurança em condições meteorológicas reduzidas. Reagindo ao depósito de combustível refere que foram feitos estudos prévios e obtidas as devidas autorizações que conduziram à sua implantação. Quanto à formação a Enana-EP, no início de cada ano, aprova um plano que contempla a formação e refrescamento não só dos controladores, mas também dos técnicos da empresa.

Movimentos
O movimento de Aeronaves em 2016 decresceu em cerca de 27,7 por cento, em relação a 2015 e o resultado não superou a média da taxa ,acumulada, de crescimento nos últimos 10 anos, que era de 6,9. No período em análise, totaliza-se, em acumulado, cerca de 984.174 movimentos. Dada a situação a empresa optou por um cenário de base móvel, na previsão de um crescimento médio de 0,87 a 1,0 por cento , um total acumulado, 30.981.334 passageiros. Em 2016, a procura decresceu em 10,8 por cento, em relação a 2015 e o resultado ficou aquém da média da taxa de crescimento, acumulada, nos últimos 10 anos, que era de 2,8. Face ao comportamento do tráfego de passageiros, a empresa optou para um cenário de base móvel para as previsões em 0,4 por cento somando um total acumulado de 4.512.249 kgs de Correios. No Correio, registou-se uma tendência decrescente na ordem de cerca de 11,4 por cento, em média, ao longo do período em causa o que alterou os indicadores económicos-evolução da Cifra de Negócios com um crescimento Médio de 16,14. Observou-se, no período em análise, uma melhora ria nos prazos de recebimento, com uma redução (média) do prazo
em 6,56 por cento .

Novo Jornal
Recentemente, o Novo Jornal denunciou que técnicos de aviação apontavam para uma situação de desgovernabilidade no Aeroporto Internacional “4 de Fevereiro” com o agravante deste continuar a operar sem radares. A situação do incidente ocorrido a 3 de Abril deste ano, que levou a pista 23 a principal do Aeroporto 4 de Fevereiro a ficar obstruída e fora de serviço após aterragem de emergência de uma aeronave do tipo E120 obrigando a que dois voos fossem desviados para Kinshasa pista alternante ao aeroporto internacional em Angola é apenas a ponta do iceberg perante um sem número de problemas operacionais e de segurança graves, aos quais o Inavic não tem sabido pôr cobro por falta de “autoridade moral”. A revelação, sob anonimato, foi feita ao Novo Jornal por fontes com mais de 30 anos de ligação ao sector da aviação, que traçam um quadro tenebroso e angustiante para quem, todas as semanas em Luanda, lida com o risco efectivo de ocorrência de colisão de aeronaves por falta de radar e de outros instrumentos de controlo de navegação aérea de que não dispõe o único terminal aeroportuário internacional do país. “O aeroporto Internacional 4 de Fevereiro tem muitas debilidades, além do caso de não estar ainda certificado. Os aeroportos em Angola já pertenceram a uma única entidade, ao Inavic. Mas, à determinada altura, separou-se a questão da supervisão da aviação civil da exploração de aeroportos, criando-se uma nova empresa, que é a Enana” lê-se no Jornal. Na operacionalidade, segundo contaram ao NJ, é feita sem suporte de meios tecnológicos à altura dos padrões universais da navegação aérea regional ou mesmo mundial, como o caso da presença do sistema ILS, ou as chamadas rádio-ajudas e outros.