A Empresa Nacional de Diamantes de Angola (ENDIAMA) e a comissão executiva da diamantífera russa (Alrosa) assinaram ontem um acordo para a constituição de uma parceria com o objectivo de efectuar a prospecção de diamantes em áreas consideradas como tendo potencial de acordo com a pesquisa geológica efectuada por aquele grupo.

A comissão executiva do grupo russo Alrosa aprovou a constituição de novas parcerias para a exploração de depósitos de diamantes em África, particularmente em Angola e no Botswana.

O presidente da comissão executiva da Alrosa, Fyodor Andreev, deslocou-se recentemente a Angola a fim de discutir detalhes do projecto agora formalizado com a Endiama, tendo no final da visita, afirmado que de acordo com a pesquisa geológica efectuada irá ter lugar a descoberta de um grande depósito de diamantes.

Na ocasião, antecipou-se a constituição do referido consórcio entre a Endiama e a Alrosa para prospecção e exploração de kimberlitos em Angola, questão que foi abordada naquela altura, numa audiência que o Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, concedeu ao presidente do conselho de administração da maior empresa de diamantes do mundo.

Segundo o gestor Fedor Andreev, “chegamos a conclusão que há muito boas possibilidades e perspectivas para criar uma empresa mista com a empresa angolana de diamantes”.

Participações
O responsável adiantou que cada uma das partes deverá ter 50 por cento das acções e a empresa vai cobrir cerca de 90 por cento do território angolano.

A actividade deverá iniciar primeiro com pesquisas geológicas e depois com prospecção e exploração de novas chaminés.

O presidente do conselho de administração da empresa detida 90 por cento por capitais do Estado russo, informou que, depois da assinatura da constituição da empresa, a sua criação e definição das suas áreas poderá ocorrer três a quatro meses depois.

Fedor Andreev afirmou que as perspectivas, baseando nos dados disponíveis, são muito promissoras, ou mesmo, enormes, sublinhando que espera que a empresa a ser criada venha ter a dimensão da Alrosa.

O responsável expressou satisfação com o desenvolvimento do projecto Catoca, que em termos de tamanho, segundo ele, é a sexta maior do mundo e com lucros altos.

O gestor da Alrosa declarou que Angola tem melhores e maiores perspectivas mundiais para se encontrar novas chaminés de kimberlitos, reportando estudos realizados há um ano, que comprovam o “alto potencial” diamantífero de Angola.

Questionado sobre eventuais intervenções noutras áreas, como a petrolífera, Fedor Andreev respondeu que devido a alguns prejuízos a empresa decidiu fazer apenas investimentos na sua área de especialização, que são os kimberlitos.

Alrosa continua estudos
A primeira etapa preliminar de elaboração do mapa geológico de Angola, referente à região Nordeste do país, com indicações de existência de depósitos de diamantes de kimberlitos e de aluvião, está concluída, desde 2012.

O estudo sobre investigação geológica-mineira para a criação do mapa geofísico e mineralógico de áreas diamantíferas de Angola iniciou em Maio de 2011 e permitiu inferir a existência de depósitos em kimberlito ainda não descobertos.

“Na zona estudada metade dos depósitos em kimberlito ainda não foram descobertos”, afirmou o chefe de departamento de descobertas de potencial geológico dos novos territórios da Alrosa, Victor Ustinov, acrescentando, naquela altura, que também existem kimberlitos no Sudeste de Angola.

O especialista adiantara que  o grupo Alrosa continua a fazer a recolha de dados geofísicos no âmbito do acordo de cooperação com a Endiama.

Segundo frisou, estão incluídos na primeira etapa o estudo geofísico do território angolano e as áreas de distribuição dos depósitos em kimberlito e em aluvião e conclui dizendo que o potencial de depósitos de diamantes ainda não descobertos é muito elevado.

Disse que o trabalho está numa fase adiantada e quando for concluída, a Endiama  estará  em condições de saber as características e qualidade dos diamantes que vieram de Kimberlitos desconhecidos.

“Isto traduzir-se-á  num grande avanço para actividade de prospecção por parte dos operadores, uma vez que as buscas prospectivas incidirão na procura de kimberlitos desconhecidos, mas cuja existência é um facto”, frisou.