Aeconomia angolana está a atravessar uma fase difícil, muito por conta da quebra do preço do petróleo no mercado internacional, que iniciou na segunda metade de 2014, em que o preço do barril desvalorizou-se em mais de 45 por cento, com consequências devastadoras para o produto interno bruto (PIB), que cresceu apenas 2,8 por cento e 1,1 por cento em 2015.

Hoje, em função do actual contexto macroeconómico internacional, marcado por um crescimento relativamente baixo, não acima dos três por cento, este condiciona igualmente à procura de matérias- primas, entre elas o petróleo, que é o principal produto de exportação de Angola, o que coloca a sua economia vulnerável às oscilações do preço do ouro negro no mercado internacional.
De acordo com alguns analistas ouvidos pelo JE sobre as perspectivas da economia angolana para o ano em curso, todos foram unâmines em admitir que este ano as performances da economia vão registar uma relativa melhoria em relação ao ano passado, mas afirmam que não poderá ser muito diferente de 2016, apesar da subida constante do preço do crude no mercado internacional.
O que vai acontecer, segundo disseram, é senão um desempenho melhor do sector não petrolífero, onde se prevê um crescimento de 2,3 por cento, com destaque para o sector da Energia, que atingirá os 40 por cento, ao contrário dos 1,2 do sector petrolífero, cuja taxa de crescimento do PIB real venha a ser de apenas 2,1 por cento.

Visão optimista
Segundo Gildo Matias, especialista em Políticas Públicas e docente universitário, o Executivo prevê diminuir substancialmente o custo de vida dos cidadãos por meio do combate à inflação, em que se projecta uma descida de 15,8 em termos homólogos, a actualização dos vencimentos na função pública e uma maior estabilização dos preços e serviços. “Essa é certamente uma boa notícia. Agora, devemos privilegiar o investimento público com mais ousadia”, disse.


Fluxo de receitas
Já Inocêncio das Neves, gestor de negócios, prefere olhar para as instituições financeiras bancárias, que devem, na sua visão, enquanto prestadoras de serviços de intermediação por excelência, fazer muito mais e melhor para a revitalização da economia nacional. Para ele, é necessário o aprimoramento da informação contabilística e patrimonial das empresas e desagregar o fluxo das receitas do petróleo e estabelecer os mínimos para o financiamento à economia fora daquele sector. “Este vai continuar a desempenhar um grande papel na economia durante os próximos dez anos”, reconheceu.

Atracção de investimentos
Já Hélder Batalha, especialista em Gestão e Administração Pública, é preciso que o investimento seja levado para as áreas que impactam de forma directa nas estruturas de importação de produtos, concentrada em mais de 50 por cento nos bens de primeira necessidade, daí ser importante um maior investimento na agricultura e na pequena indústria. “Temos que continuar a investir na criação de condições e incentivos ao sector privado de forma a melhorar o ambiente de negócios para atrair mais investimentos”, referiu.