A dificuldade na importação da ração destinada para as aves, aliado ao défice de produção no mercado nacional está a colocar em risco todo investimento feito até agora no sector da avicultura.
Em entrevista ao JE, a administradora da empresa “Avinova”, Maria José disse que, se em 2014 a unidade controlava perto de 85 mil pintos, hoje restam apenas 10 mil dada a dificuldade na importação da ração.
Segundo explicou, a produção de ovos na Avinova baixou para 90 por cento em relação ao mesmo período em 2014. De acordo com a gestora, de 250 caixas de ovos por dia em 2014, actualmente a produção está em 25 caixas. A conjuntura actual obrigou igualmente a empresa a dispensar 215 trabalhares de um total de 300. Hoje restaram apenas 85 trabalhadores.

Situação dramática
Durante a ronda realizada foi possível constatar que as três naves montadas numa área de 112 hectares apenas uma está a funcionar em pleno.
O matadouro com capacidade para abater seis mil aves por dia está desactivado por falta de matéria-prima.
Já a central de incubação, com capacidade para gerar até 10 mil pintos em cada trimestre, está também voltada ao abandono. Os equipamentos, a cada dia se transformam em refúgio para cobras e lagartos, porque o capim soma e segue.
Para assegurar a dieta alimentar das aves, a empresa montou uma pequena unidade para o fabrico da ração. A falta de matéria-prima obrigou a empresa a reduzir a sua capacidade de 40 toneladas por dia para 15. A equipa de produção de ração da empresa é liderada por Simão Arão. Segundo o responsável, a fim de compor a ração para as aves, é necessário o milho ou soja, sal, óleo, premix, MCP e o cálcio.
A dificuldade no acesso à vacina constitui a outra dor de cabeça para os criadores de aves no país.
À semelhança dos recém-nascidos, as aves também cumprem um calendário de vacinação que não pode falhar. Inicialmente, as aves tomam a vacina da água, segue-se a das asas e mais tarde a de dorso.