Especialistas consideram a Expo-indústria + Projekta um barómetro para alavancar o tecido produtivo nacional, mas ainda assim defendem mais incentivos por parte do Estado para se diminuir a falência das empresas.
Ouvido pelo JE, o economista José Buiti considera que o número de expositores assim como a capacidade apresentada na feira mostram claramente, a realidade destes dois sectores, considerados cruciais para o crescimento de qualquer país.
No seu entender, o evento constitui uma oportunidade ímpar para os empresários demonstrarem o seu potencial em produtos e serviços que oferecem ao mercado e por outro lado, criar novas oportunidades de negócios para quem deseja inovar e até mesmo trazer valor acrescentado ao mercado.

Efeito multiplicador
Por sua vez, o docente universitário Silvestre Francisco assegurou que as feiras têm implicações positivas para a economia. O também economista destaca que, além de criarem postos de trabalho, embora temporários, relançam a expectativa dos fornecedores, assim como os investidores face ao ambiente de negócio.
Para ele, os vários temas que são discutidos normalmente durante estes eventos podem apontar novos caminhos para os investidores.
Questionado sobre a redução substancial de expositores no certame, o economista apontou a conjuntura económica prevalecente desde de 2014.
Segundo indicou, de 2014 até 2017, muitas empresas fecharam às portas, como consequência, perderam a liquidez.
O Estado, através da Administração Geral Tributária introduziu multas que rondam entre 200 e 800 mil kwanzas às empresas devedoras, “o que contribuiu para a falência de muitas que deveriam participar nesta montra de negócios”.
No entanto, é de opinião de que a política de incentivo ao empresariado relançado em 2017 não surtiu o efeito desejado por falta de crédito à economia.
Segundo avançou, aquelas empresas que prestavam serviço ao Estado viram-se igualmente obrigadas a fechar as portas, face à dívida pública, pelo que estão a sobreviver no mercado apenas as empresas “verdadeiras”, daí a redução substancial de expositores.
O especialista aproveitou igualmente a ocasião para alertar que o ambiente de negócios não se circunscreve apenas a redução de impostos, mas sim, na melhoria de infra-estruturas, que vão desde as vias de comunicação, energia eléctrica e escoamento da produção.
Parcerias estratégicas
Por sua vez, o economista Samora Kitumba encorajou o Estado angolano a melhorar o parque industrial nacional, pois, o actual “não está à altura dos desafios do país”.
No seu entender, o desafio de buscar parcerias de negócios um pouco por todo o mundo para a industrialização do país constitui uma mais-valia para a economia, sendo que a prioridade deve recair para o sector da indústria transformadora para absorver a produção interna.
Para o economista, ao invés de pensar no país no seu todo, devem ser identificadas duas ou três zonas, de preferência, ai onde já existe caminho-de-ferro, para facilitar no escoamento da produção, dando assim resposta às necessidades do consumo.
Para a especialista em comunicação de eventos, Sandra Mateus, as feiras constituem oportunidades ímpares para as empresas demonstrarem o seu potencial, expor produtos e serviços, o que por sua vez poderá ajudar a relançar a sua “marca no mercado”.