A estratégia de desenvolvimento do país está assente nos 11 projectos estruturantes, aprovados pelo Executivo angolano em 2013, que tem como prioridade a reabilitação e modernização das principais infra-estruturas socioeconómicas de grande dimensão.


Segundo o Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, que discursava sobre o estado da Nação, durante a abertura da 3ª sessão legislativa da III Legislatura da Assembleia Nacional, estes projectos envolvem os sectores produtivos, com realce para o da energia e águas, construção, indústria e transportes, que estão a ser levados a cabo no quadro do plano nacional de desenvolvimento (PND) para o período 2013/2017.

Compromisso
Na sua intervenção, o Presidente da República destacou que se perspectiva, para o sector da construção, a reabilitação e modernização de 1.422 quilómetros (km) da rede fundamental de estradas até ao final deste ano, além de 593 da secundária e 776 das vias terciárias.

O ambicioso projecto considera que as obras rodoviárias exigem cuidados com custos e qualidade, por um lado, e, por outro, não é desejável buscar baixos custos em detrimento da qualidade e fazer obras frágeis que perecerão nos primeiros momentos de uso, levando a que as acções de conservação rapidamente se transformem em acções de reabilitação e as de reabilitação se confundam com as de reconstrução.

No segmento dos transportes, o destaque recai para o projecto em curso de construção e modernização das unidades porto e aeroportuárias e terminais de mercadoria. De forma gradual, será implementado o programa de construção da rede de plataformas de logísticas nacional, que articularão diferentes infra-estruturas e sistemas de transporte.

Estes projectos vão contribuir para o surgimento de zonas de comércio transfronteiriço, beneficiando os países vizinhos. Para o efeito, está programada a construção de infra-estruturas de apoio ao comércio nas províncias do Zaire, Moxico, Cunene e Cabinda.

Eficiência
A estratégia e a política energética nacional constantes no PND estabelecem os grandes eixos de desenvolvimento das capacidades de produção, transporte e distribuição de energia eléctrica. Neste particular, foram destacados no discurso do Presidente da República, os projectos em curso de ampliação do aproveitamento hidroeléctrico de Cambambe que passará a ter uma capacidade instalada de 960 megawatts (mw), a construção da barragem de Laúca (Cuanza Norte), que terá uma capacidade instalada de 2.060, além da implementação da central do ciclo combinado do Soyo (Zaire).

Com a conclusão destes projectos, o país terá um aumento da potência instalada, dos cerca de 2.062 mw actuais, para cerca de 5.000 até 2017. Paralelamente a estes planos, será também criado um sistema nacional de transporte de energia eléctrica, medida que visa suprir as actuais necessidades da população e das unidades empresariais.

Quanto ao abastecimento de água potável, foi reafirmado o compromisso de alcançar-se os objectivos preconizados no programa “Água para Todos”. Assim sendo, até ao final deste ano, cerca de 65 por cento da população angolana beneficiarão deste ambicioso projecto do Executivo angolano.

Está igualmente projectados, o fornecimento de água potável às populações mais atingidas pela seca, bem como a materialização do programa de construção dos sistemas de abastecimento de água para 132 sedes de municípios. Neste particular, para Luanda, tida como sendo a província com maior concentração populacional, com um total de 6,5 milhões de habitantes, está prevista a construção de dois sistemas de captação, tratamento e distribuição de água de grande dimensão, nomeadamente o projecto Bita e o Kilonga grande.

Prevê-se igualmente o prosseguimento do projecto de ligação domiciliar de energia eléctrica e de água potável, para a província de Luanda, que poderão ser concluídos em finais de 2016. Com vista a minimizar-se o défice, serão desenvolvidos programas para suprir a carência, como é o caso de cisternas de abastecimento de água e da construção de chafarizes.

Indústria forte
Nos últimos anos, o segmento da indústria transformadora tem mostrado uma tendência de crescimento constante no produto interno bruto, apesar de ainda se registarem debilidades estruturais ligadas fundamentalmente aos baixos índices de competitividade, fraco apoio infra-estrutural e também por debilidades da estrutura empresarial do país.

Para este sector, o PND prevê a promoção do desenvolvimento do sector da indústria de transformação, em bases sustentáveis, contribuindo para a geração de empregos e aproveitamento de matérias-primas.

O Executivo angolano definiu projectos prioritários constantes nas cadeias de produção, onde o destaque recai para o cimento, indústria têxtil, bebidas, açúcar, silos para cereais e rações para animais, avicultura de cortes e produção de ovos e carne. O plano destaca ainda a pesca artesanal continental, assim como a aquicultura, onde será priorizada a actividade comercial para que estes produtos cheguem a preços baixos aos consumidores.

Até 2017, destaca o PND, o projecto contribuirá para o rápido, consistente e organizado desenvolvimento do sector industrial, de forma a incrementar um valor acrescentado nacional.

A meta é de que o crescimento médio anual do sector atinja os 10 por cento, que a indústria alimentar contribua com 13, bebidas 11, papel e embalagens de papel 8, minerais não metálicos 11 e produtos de metal 7. Prevê-se que a indústria têxtil e de confecções cresça 12 por cento, a química 2 e equipamento de transportes 6.