Aestratégia de relançamento do sector do café em Angola continua longe do alcance das metas traçadas pelo Fundo de Desenvolvimento do Café de Angola (FDCA), que se queixa da insuficiência de verbas para a revitalização do sector por parte do Ministério da Agricultura e Florestas.
De acordo com dados avançados este ano, pelo FDCA, o fundo conta com um montante de 300 milhões de kwanzas ano, um valor considerado irrisório para alavancar a produção nacional e apoiar as cooperativas em todo país.
A situação actual do sector do café foi motivo de discussão recente, promovida pelo FDCA, onde além das oportunidades e propostas de relançamento da produração, foram apresentados os factores que encorajam a formulação de medidas para o relançamento da produção cafeícola nacional. Não obstante os desafios existentes, há pontos fortes, fraquezas e ameaças por vencer.

Factores encorajadores
O FDCA apresentou, no evento, os factores que encorajam a produção nacional do café em 11 das 18 provincias do país com condições edafo-climáticas favoráveis, com potencial para produzirem café. Além disso, existem factores chave que colocam o café robusta de Angola equiparado em qualidade aos melhores do mundo, associados à prática da cultura tradicional considerada biológica, considerados elementos motivadores para a produção interna.
Pontos fortes e ameaças
De acordo com dignóstico do Executivo da aposta do relançamento do sector, existe um potencial forte de receitas em divisas para o país, onde o papel do café no desenvolvimento social e económico do país é uma realidade garantida. Por outro lado, há ainda o aumento contínuo do consumo mundial e a evolução do preço do café ao longo dos últimos cinco anos, factores que servem de incentivo à produção interna.
No que toca às ameaças, o país ainda se debate com a indisponibilidade de insumos, a baixa de produtividade e uso de prácticas rudimentares. Nesta senda das dificuldades, há ainda o baixo nível de mecanização e irrigação, a força de trabalho pouco qualificada, inadequada infra-estrutura de processamento e um modelo de produção familiar e fragmentado, que prejudica a produção.

Fraqueza e oportunidades
No evento, foram também apresentadas algumas fraquezas, que travam o desenvolvimento do sector, onde o actual ambiente macroeconómico que o país enfrenta, a escassez de recursos financeiros (Banca e OGE), a infra-estrutura de suporte precária (rede viária, eléctrica, água e telecomunicação) e a migração da força de trabalho das áreas rurais para zonas urbanas são factores condicionantes.
Quanto às oportunidades, há, de acordo com o FDCA, factores impulsionadores e desafios pela frente, entre os quais internos e externos que devem ser aproveitados para a revitalição do sector no país.

Aumento das áreas de cultivo na agenda do FDCA

O Ministério da Agricultura e Florestas (MINAGRIF), por via dos seus órgãos (INCA e FDCA), pretende revitalizar a produção de café em áreas existentes bem como expandir para novas áreas.
O rejuvenescimento dos cafezais está também nos planos do Ministério, o que poderá permitir, com base na aplicação de técnicas adequadas, o incremento dos serviços de extensão rural, busca de soluções financeiras com vista potenciar os produtores nacionais e aumentar dos actuais 60 mil hectares de área de cultivo do café para os 100 mil hectares.

Estratégia na forja
Neste campo, o Minagrif tenciona, à curto prazo, optimizar a produção, com o aumento das áreas de cultivo nas regiões actualmente em produção e em zonas consideradas de baixo compotencial, a melhoria da amecanização e os processos da cadeia produtiva. Já à médio-longo Prazo, a expansão da produção passa pela viabilização do relançamento da produção através de um modelo de parceria, assentes em contratos de partilha de produção do café co produtores nacionais, engajamento de áreas existentes na parceria de contrato de exploração de 25-30 anos e garantir uma maior segurança jurídica aos investidores.
Por exemplo, para o FDCA, o café em Angola deve ser um imperativo inadiável, em função dos seu potencial e números obtidos em anos anteriores, em que chegou a obter, em 2016, nove milhões de dólares norte-americanos, menos 21 milhões em relação a 2014 em que se arrecadação atingiu 30 milhões de dólares, de acordo com um relatório do Banco Nacional de Angola (BNA).
O país na década de 70 ocupava um lugar de destaque na produção de café em todo mundo, chegando a ser o terceiro maior exportador internacional, mas esse título caiu nos últimos 30 anos, cobrindo uma área de cerca de 60 mil hectares de zonda de exploração nacional. IB