O ano lectivo 2017 nas universidades públicas e privadas do país vai decorrer entre o início de Março e final de Dezembro, aproximando-se do calendário académico dos países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), segundo constatou o JE.
Com efeito, enquanto alguns estudantes estão na frenética corrida para as inscrições com o fito de conseguirem uma vaga numa das instituições superiores, outros no caso os que já frequentam a universidade auguram um ano lectivo tranquilo, a julgar pela qualidade de ensino.
Celmira da Silva, estudante do 4º ano do curso de Contabilidade e Admnistração pelo Instituto Superior Técnico de Angola (ISTA) espera que neste ano lectivo haja mais organização do ponto de vista admnistrativo e professores melhores capacitados no que toca à transmissão de conhecimentos.

Menos burocracia
Augura ainda menos burocracia na aquisição de documentos como declaração, certificados e cartões de estudante.
“É importante haver mais flexibilidade por parte da instituição no que toca ao prazo do pagamento das propinas uma vez que o país encontra-se mergulhado numa crise económica e financeira”, disse a estudante.
Celmira da Silva disse igualmente que o aumento das propinas vai dificultar ainda mais a vida de muitos estudantes que já frequentam o ensino superior e para os que pretendem ingressar, sendo que o emprego para a juventude está cada vez mais difícil. “Se ao pagarmos 25 mil kwanzas/mês já é dispendioso, para muitos, 35 mil, por exemplo, ficará mais complicado, a julgar pela compra de materiais didácticos”.
Revelou que o seu pai é quem paga as suas propinas, mas com muito sacrifício também por isso, o seu objectivo é terminar a sua formação este ano com êxito e compensar os anos de muito sacrifício.
A estudante entende que devem ser criadas mais universidades públicas e desse modo obrigaria as instituições privadas a baixarem os preços ou ainda uma intervenção urgente da Assembleia Nacional com uma lei que as obrigue a manterem os preços.

Mais dedicação
Augusto Fernandes, estudante da Universidade Técnica de Angola (UTANGA), disse à nossa reportagem que para o presente ano lectivo quer dedicar-se mais aos estudos em relação ao ano anterior.
O estudante do 2º ano curso de Gestão de Recursos Humanos sublinhou também que espera contar com docentes mais experientes e capacitados e que dominem as matérias a leccionar.
“Por que não é justo pagarmos as propinas durante quatro anos e não termos um ensino de qualidade”, reclamou.
Conta que, às vezes, deixa de contribuir em casa com o parco salário que aufere para manter as propinas regulares e evitar as pesadas multas, acrescentando que o mesmo procedimento acontece com a compra de roupa e calçado.

Ensino de qualidade
Augusto Fernandes adianta que pagava mensalmente 30 mil kwanzas até ao ano passado, mas que ainda não se inteirou junto daquela unidade de ensino se houve alteração ou não dos preços.
Em relação à qualidade de ensino, afirmou que ainda é cedo para dizer que “temos um ensino de qualidade uma vez que o país entrou muito tarde na fase de reconstrução e as universidades em massa surgiram muito depois”.
Já Neusa Manaça também estudante do Ista assegura que muitos deixaram de estudar por falta de dinheiro, mas acredita que este ano as coisas tendem a melhorar. “O processo de formação de quadros só terá sucesso se houver mais investimentos no sector da educação”, disse.
Belengue José é outro jovem que anseia ingressar este ano para uma universidade pública, uma vez que se encontra desempregado já algum tempo, segundo relatou.
“Terminei o ensino médio na vertente de formação de professores e pretendo encontrar um emprego e dar sequência aos meus estudos coisa que sempre gostei de o fazer”, sublinhou.