A subvenção de combustíveis com incidência no gasóleo está entre as grandes preocupações do Ministério da Agricultura e Florestas. Pelo facto, os técnicos do Ministério têm se desdobrado em esforços no sentido de garantir que a subvenção estimada em cerca de 40 por cento esteja contemplada no OGE 2019, pelo que apelam tranquilidade aos produtores. A iniciativa surge em resposta aos vários apelos feitos pelas famílias camponesas envolvidas na presente Campanha Agrícola.
Entretanto, é entendimento do pelouro que as subvenções não fiquem pelos combustíveis e sejam abrangentes a outros insumos ligados à agricultura, pecuária e florestas. O Executivo angolano persegue um aumento da produção durante o presente ano agrícola, pelo que se propõe a uma forte aposta nas principais fileiras”, como cereais, leguminosas e oleaginosas, raízes e tubérculos, café, palmar e mel, produtos directamente ligados à dieta alimentar das populações angolanas.
O pelouro defende que o alcance das metas depende em grande parte da criação de uma estratégia em política agrária que efectivamente garanta o aumento dos níveis de produção e colheita.
O director Nacional da Agricultura, engenheiro José Carlos Bettencourt, disse ao JE que o aumento da capacidade de intervenção das famílias camponesas passa ainda pela mudança das políticas de crédito junto da banca.
“É necessário que os prazos para pagamento dos créditos sejam dilatados e que se revejam as taxas de juros que estão acima da capacidade de pagamento dos agricultores”, frisou .
Angola importa ainda avultadas quantidades de produtos que podiam ser cultivados localmente caso se fizessem apostas efectivas no sector.
Durante o arranque da presente Campanha Agrícola, o Ministério da Agricultura desenvolveu um conjunto de esforços que resultaram na facilitação de aquisição de fertilizantes com custos abaixo dos anteriormente praticados, e na garantia de sementes melhoradas, o que permite aos agricultores produzir com custos relativamente inferiores, facto que se reflectirá nos resultados das colheitas e comercialização da produção.

Baixa nos preços dos produtos é
a meta estabelecida pelo minagrif

Na opinião de José Bettencourt, os elevados preços verificados no mercado nacional em relação a alguns produtos como tomate, batata rena e cebola, que no tempo seco em regra registam queda no custo, pode estar associado a uma possível redução nas quotas de importação e não necessariamente a baixa da produção interna, não descartando a hipótese de dificuldades no escoamento da produção do campo para as principais praças. Pelo facto, defende a necessidade de se afinarem mecanismos práticos e funcionais de forma a garantir o escoamento dos produtos e consequente eliminação de perdas por parte dos agricultores.

Importações
José Bettencourt defende a necessidade de se mudar a visão em relação à importação de determinadas culturas como o arroz e trigo. Para o engenheiro, uma forma de se reduzir a saída de divisas com a importação, seria a opção pelos mesmos produtos em casca, pois que permitiria a reabertura das moageiras, a criação de novos postos de trabalho, o reaproveitamento da casca para o fabrico de ração animal e a baixa no preço do produto final.

Agravamento de taxas
O engenheiro defende o agravamento das taxas de importação sobre alguns produtos e que o valor arrecadado seja utilizado para financiar as famílias camponesas. Outra acção urgente é a garantia de equipamentos para a preparação dos campos durante o início das campanhas, por forma a garantir maiores extensões de terras cultiváveis e o consequente aumento na produção.
Falando em exclusivo ao JE, Carlos Bettencourt diz-se alinhado com os agricultores locais que buscam a baixa dos preços de alguns produtos dentre os quais se destaca o milho, importante componente da dieta alimentar e que regista preços em alta no mercado. Disse que a aquisição de uma tonelada no exterior exige um desembolso de usd 268. Sondagensfeitas apontam para uma pretensão dos agricultores de reduzir em cerca de usd 35 o custo de uma tonelada
produzida internamente.