De acordo com o director provincial do IDF, António Paulo, que avançou os dados, em entrevista ao JE, durante o mesmo ano, a instituição que dirige arrecadou igualmente para os cofres do Estado, 644 mil 725 euros, com as exportações de madeira serrada.

Avançou que, para o mesmo período em análise, o IDF arrecadou, também, para os cofres do Estado, 15 milhões de kwanzas, com as emissões de licenças de exploração de madeira em toro, nos municípios do Buco-Zau e Belize, bem como 490 mil kwanzas em multas diversas.
Sublinhou que, comparativamente ao ano de exploração florestal de 2015, houve um aumento de cinco mil metros cúbicos de madeira, em que as empresas madeireiras exploraram 34 mil e 190 m3, o que perfaz uma produção anual de 44 por cento.
Segundo António Paulo, em 2015, o IDF registou a exportação de 17 mil e 932m3 de madeira para China, três mil e 833m3 para Vietname, perfazendo um total de 21 mil e 765 m3 de madeira em torro. Quanto a madeira serrada, foram exportados para China, 454 mil e 350m3, para Vietname, dois mil e 503 m3, para Portugal, 442 mil e 240m3 e para Coreia do Norte, 20 mil e 130 metros cúbicos.
O gestor referiu que, a escassez de exportações de madeira que se assistia no passado para o mercado asiático, ganhou maior ritmo em 2016, com a retomada das vendas para China e Vietname, como aconteceu anteriormente com os mercados da Itália, Estados Unidos e da Alemanha.
Por isso, adiantou que, desde do ano passado, as empresas madeireiras iniciaram a exportar madeira serrada para Portugal e Espanha, o que vai contribuir significativamente na aquisição de mais divisas para o país, no quadro da política do executivo central da diversificação da economia, no quadro do Plano Nacional de Desenvolvimento de Angola.

Maiombe

A floresta densa do Maiombe que parte do rio Nhunca, (Buco-Zau), ao rio Miconge (Belize), numa extensão de 220 mil hectares, ocupa uma área de exploração de madeira em torro de 80 mil 190 hectares, onde são exploradas espécies como, takula, nkussa, menga-menga, kambala, ndianune vermelho, ndianune cocipo,
singa e nkulumazi.
António Paulo, que também é ambientalista, disse que, estão licenciadas para exploração de madeira cerca de 11 empresas madeireiras que exploram no Buco-Zau e Belize, em áreas autorizadas pelo IDF.
Referiu que, os fiscais do IDF têm feito trabalhos de fiscalização conjunta com os técnicos do Parque Nacional Maiombe para interpelar os exploradores ilegais, os chamados “garimpeiros”, que têm cortado a madeira de forma ilícita sem autorização das autoridades competentes. Acrescentou que, os trabalhos de fiscalização têm decorrido de forma satisfatória, apesar da falta de meios e de condições técnicas de trabalho.

Repovoamento em vigor

De acordo com o director do IDF, para o presente ano de exploração florestal que iniciou na segunda-feira, 1 de Maio, entra em vigor, a nova lei de repovoamento florestal, que obriga as empresas madeireiras a reporem as espécies exploradas, com o objectivo de se garantir o rejuvenescimento da floresta do Maiombe.
Referiu que na execução da nova lei, o IDF vai trabalhar em parceria com a Universidade 11 de Novembro, que está a formar os primeiros engenheiros florestais que vão prestar serviços às empresas madeireiras em matéria de repovoamento florestal, pelo facto de muitas delas não possuírem técnicos especializados em florestas.
António Paulo disse que a nova lei possui varias vantagens e estipula que as licenças para a exploração de madeira devem ser emitidas pela direcção nacional do IDF, num sistema de “on-line”. Assegurou que, a outra vantagem da nova norma é que as emissões das licenças vão ser pagas anualmente, através de concessamento de hectares.

Empresas exploradoras

Com o início do presente ano de exploração florestal, as empresas almejam melhorar os níveis de produção, diferentes atingidos em 2016. A empresa “Ricardo&Sinadince” que iniciou actividade de exploração de madeira, em 2003, ambiciona atingir, este ano, a meta de quatro a cinco mil metros cúbicos.
Segundo o seu sócio-gerente, Manuel Sinadince, em 2016, a empresa não conseguiu atingir a meta definida com a exploração de madeira, estimada em quatro mil m3, atingindo apenas dois mil.
“O objectivo deste ano é de aumentar a produção. Em 2016, adquirimos mais um tractor que nos vai permitir aumentar a nossa exploração.
Com uma área de exploração de 10 hectares, a empresa madeireira vai neste ano explorar madeira no município de Belize e deixar a zona do Buco-Zau onde fazia a exploração para se desenvolver o processo de repovoamento florestal, no quadro da nova lei florestal.
Por seu turno, o responsável da Emacol, Mário Covas, disse também que, este ano, a sua empresa pretende melhorar os níveis de produção.
“Este ano o início das actividades de exploração atrasaram, o que pode afectar a produção, mas, com a concessão de novas áreas no quadro da nova lei de repovoamento, tudo vamos fazer para superarmos as nossas metas”,
Há 20 anos no mercado de exploração de madeira, a Emacol possui seis hectares no município do Buco-Zau, nas áreas de Chionge e Numbi com um total de 80 funcionários que trabalharam directamente na exploração e na serragem de madeira.
A outra a empresa que se destaca na exploração e serragem de madeira é do Abílio de Amorim, fundada em 1968. A empresa detém uma concessão florestal de 30 mil hectares, nos municípios do Buco-Zau e Belize, atingindo uma produção anual de 20 mil metros cúbicos de madeira.