A falta de financiamento, valorização e políticas de incentivo às escolas de tecnologias do país, quer de nível médio como superior, tem condicionado a criação de projectos tecnológicos aos criadores, inventores e inovadores angolanos, que se queixam de falta de interesse de muitas empresas e alguns organismos do Estado, que não aproveitam as suas ideias para maximizar a sua actividade.
Esta constatação foi feita no final da 10ª edição da Feira de Inovação Tecnológica do ITEL (Fititel), que decorreu recentemente, em Luanda, sob o lema: “ Criatividade e Inovação Rumo à Transformação do Ensino Técnico Profissional”.
O evento juntou no espaço daquele instituto de Telecomunicações mais de 75 expositores e 50 projectos dos três cursos , nomeadamente electrónica e telecomunicações, informática e sistemas de multimedia, ministrados naquela instituição de ensino médio, tendo registado um número de 800 visitantes por dia.
De acordo com o coordenador da Fititel, Dionísio Fama Noque, a falta de apoio financeiro aos projectos, a abertura das empresas aos estágios para os recém-formados e a falta de emprego, são os maiores problemas que enfrentam a maioria dos criadores e inventores angolanos, que não conseguem ver os “frutos” das suas criações atingirem a fase de produção em massa e a posterior comercialização.
Dionísio Noque afirmou ainda que muitos projectos apresentados podem servir de amostra ao exterior do que se faz no país e da qualidade das criações nacionais.
“Depois daqui os projectos voltam para os laboratórios para melhorias e só assim podem passar para a fase comercial”, disse.
O maior destaque entre os projectos recaiu para a casa inteligente pela clara inovação e principalmente pelo ambiente real do projecto.
Embora esse projecto não tenha concorrido para o prémio de melhor trabalho por esse contar com uma equipa maior que envolveu de forma directa professores e alunos, há outros trabalhos que mereceram grande destaque, como o contador de água, a roleta e o amplificador de áudio.

Participação das empresas é crucial
para o desenvolvimento tecnológico

A participação das empresas é fundamental para o desenvolvimento das tecnologias, da inovação e da criatividade dos jovens angolanos.
Esta afirmação é do director-geral do Instituto de Telecomunicações (ITEL), André Pedro, quando fazia o balanço da 10ª Edição da Feira de Inovação Tecnológica do ITEL (Fititel), ao JE no fim da realização da feira que juntou alunos e empresas angolanas do sector das Telecomunicações.
Para André Pedro, a actividade foi positiva na medida em que todos os projectos preparados foram apresentados com sucesso e conseguiram centralizar as atenções dos visitantes, alegando que as escolas de tecnologias devem, no futuro, dialogar mais, realizar actividades conjuntas para avaliação daquilo que se faz a nível das escolas.
“Somos insuficientes para um país tão grande. É preciso bons laboratórios, professores capazes e um forte investimento em recursos humanos e formação no exterior do país para elevar o nível de competências ”, afirmou.
Aquele responsável disse que os grandes destaques vão para a “Casa Inteligente”, o “Contador Pre-pago” de corrente eléctrica que converte kilowatt hora em kwanzas, onde o cidadão pode ter maior controlo do seu consumo e ainda o “Contador pre-pago” de água, que acaba com a contagem por estimativa.
“ No ITEL, os alunos têm a obrigação de desenvolver um projecto prático para concluirem o ensino médio com sucesso, mas há aqueles projectos que desenvolvem apenas para concorrem como melhor trabalho electrónico na feira”, revelou.
No que diz respeito aos projectos aí desenvolvidos, o resposánvel afirma que estes não ficam esquecidos, pois servem, por exemplo, para o uso interno, como é o caso do sistema de gestão escolar, de matrícula, inscrição electrónica, emissão do boletim de notas, do certificado, do cartão de estudante, que são obras desenvolvidas naquele instituto médio, projectos que afirma serem úteis para muitas outras instituições de ensino do país. “Somos uma escola e temos a obrigação de formar com qualidade e criar soluções que ajudem a resolver os problemas da sociedade”, reconhece.
As limitações típicas de uma escola, faz com que André Pedro, enquanto gestor, apele a outras forças da sociedade a se juntarem às iniciativas tecnológicas, para não se recorrer sempre ao Estado, quando está comprovado que este ente não é a solução de todos os problemas, “é preciso empresários privados fortes que abracem essas iniciativas das escolas”.
O Itel tem mais de mil e 121 alunos e anualmente uma média de 170 terminam a sua formação nos cursos de Electrónica e Telecomunicações, Informática e Informática e Sistemas de Multimédia, que contam com o incondicional apoio do ministério de tutela.
“Temos uma escola de excelência. As empresas do sector têm mais de 70 por cento dos nossos formados nos seus quadros de trabalhadores”, assegurou.