A época Natalícia está aí à porta e com ele o mês mais complicado para muitas famílias conseguirem controlar os gastos. Para os consumidores angolanos é a época habitual de maior consumo. Aumentam-se as idas aos centros comerciais, os gastos nos presentes e nos alimentos da consoada, com o consequente impacto na carteira de todos no final deste período.
O JE conversou com as famílias angolanas e constatou que à semelhança dos últimos anos é notável a vontade dos angolanos de economizar e festejar o Natal de forma mais racional.
Para a senhora Edneya Nelson, casada, mãe de uma filha, os preparativos para a noite de 24 para 25 não vai fugir à regra dos natais de outrora.
“Todos os anos é assim. Nós nos reunimos em casa da minha avó e com uma contribuição simbólica festejamos o Natal”, disse, acrescentando que as compras foram feitas sem esbanjamento.
No momento da reportagem o seu marido estava ausente, mas, ela nos contou que, além da contribuição para a ceia, para a sua casa não comprou nada mais do que o habitual todos os meses.
“Este ano vou somente comprar o necessário para garantir a consoada da minha família. Os excessos como guloseimas e o bolo rei ficaram para a história”, afirmou Edneya Nelson, com um sorriso nos lábios.
A incentivar o consumo nesta época festiva estão as promoções: Porém, o JE apurou durante a reportagem que no que toca ao tipo de gastos, as prendas dominam as despesas, seguindo-se a alimentação e bebidas. “Apesar do momento, não descoramos da tradição familiar de troca de presentes”, disse a dona Edneya.
Por sua vez, a dona Antónia da Costa, viúva, e a chefe de família de 4 filhos e 13 netos, aposentada há dez anos, nos contou que “como o dinheiro está difícil ainda não consegui comprar nada até ao momento”, mas, afirma que quando chegar a hora não vai faltar batata, o peixe e o azeite para a ceia de Natal e o funge no dia 25.
Ela afirma que a estratégia é evitar gastos excessivos. Conforme argumenta, este Natal será em sua casa, tendo os dois filhos e respectivas famílias ausentes.
“Antes a esta altura estaríamos todos (irmãos, primos...) a nos preparar para ir a Ndalatando na casa do meu pai com os cabazes e já encontrávamos lá o cabrito. Agora é cada um na sua casa”, disse.
Antónia da Costa diz estar a pensar comprar uns jogos de luzes para enfeitar a árvore do quintal que serve de árvore de natal. Acrescenta que para ela o importante mesmo é estarem todos de saúde.
A família “Voga”, como prefere ser tratada, numa alusão ao prédio com o mesmo nome na Mutamba, entende que o espírito de Natal continua o mesmo.
Sendo uma família cristã, não consome álcool, já mesmo antes da crise o Natal sempre foi muito calmo, sem excessos e numa casa maior no Benfica. É lá onde a família reúne-se para celebrar o nascimento de Jesus Cristo Salvador.
“Este ano não vai fugir à regra. A diferença é que desta vez nós mesmos é que construímos o nosso cabaz. Teremos o amigo oculto e não faltará a ceia habitual de Natal”, disse Manuel Paulo o filho mais velho”.
Já Orizia, a segunda filha da família Voga, afirma sentir algumas dificuldades na escolha do presente para o amigo oculto, por achar tudo muito caro.
“Nós temos um dilema que com Deus tudo é possível e mesmo que não for o presente esperado, o importante é o gesto”, rematou.