O Executivo angolano alocou 138 milhões de dólares desde 2016 para a compra de 150 mil toneladas de fertilizantes, através de sete empresários nacionais, medida que visou assegurar as campanhas agrícolas 2017/2018 e 2018/2019, com o objectivo de aumentar a produtividade e garantir a segurança alimentar. Nesse momento, o país não tem necessidade de importar mais fertilizantes e adubos, conforme assegurou o consultor do Ministério da Agricultura e Florestas, António Sozinho. Em entrevista ao JE, o responsável ligado à secretaria de Estado da Agricultura disse que neste momento existe em stock 40 mil toneladas de fertilizantes, que poderão ser transferidos para a próxima safra.

Segundo a fonte, a proeza deveu-se à aplicação de uma nova metodologia de trabalho que consistiu em procurar no exterior do país potenciais produtores de fertilizantes, com realce para o Reino de Marrocos, com condições financeiras e logísticas que permitissem negociar a compra de uma tonelada de adubo ao preço de 330 dólares.
“A negociação directa com os produtores deu muitas vantagens de comprar grandes quantidades na ordem de 150 mil toneladas de fertilizantes, ao preço de 330 dólares a tonelada, referência que está a reflectir na baixa do preço no mercado”, disse.

Esforços
No ano Agrícola 2016/17, o Executivo disponibilizou mais de 103 milhões de dólares. Porém, foram compradas 51 mil toneladas de fertilizantes, porque os empresários seleccionados adquiriam sem qualquer controlo.
Face ao descontrolo, os agentes credenciados para o efeito compravam uma tonelada ao preço de 700 dólares a tonelada “uma inverdade”.
O mau procedimento contribuiu para a subida do preço no mercado dos fertilizantes.
Segundo avançou a nossa fonte, actualmente estima-se que a venda de 50 quilos de adubo custa 5 mil kwanzas ao agricultor, enquanto que para a agricultura empresarial está tabelada ao preço de 7 mil, a mesma quantidade.
“A nova estratégia permitiu accionar os principais fornecedores com condições logísticas, capacidade financeira e quantidade suficiente com os principais produtores de Marrocos e facilitou as negociações, e ali os preços foram mais acessíveis, porque estava a negociar directamente com os produtores e com a vantagem de comprar grandes quantidades”, informou.

Resultados esperados
O Ministério da Agricultura e Florestas pretende que a presente campanha agrícola atinja acima das 11 milhões de toneladas de raízes e tubérculos, quatro mil toneladas de fruta, três mil de cereais, 802 mil de leguminosas e 1,9 milhões de toneladas de hortícolas. O Sector Agrícola quer, com a campanha 2018-2019, alcançar as metas definidas no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022, em parceria com a União Europeia que, através do Ministério do Comércio, financia o estudo de viabilidade de implementação da expansão da rede comercial rural de proximidade a nível das províncias.
Até 2022, a produção de leguminosas e oleaginosas (feijão, amendoim e soja) poderá aumentar 116 por cento em relação a 2017.

2,8 milhões de famílias recebem meios do IDA
PARA garantir E AUMENTAR a produção AGRÍCOLA

Pelo menos 2, 8 milhões de famílias beneficiaram de 29.825 toneladas de adubo, 9.278 de sulfato de amónio e 6.454 de ureia, quantidades insuficientes para responder às necessidades do presente ano agrícola.
Em entrevista ao JE, o director-geral do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), David Tunga, disse que face à escassez, o país triplicou a quantidade de fertilizantes importados para potenciar o sector agrícola, com uma quantidade superior a 140 mil toneladas.
Os fertilizantes foram comercializados por agentes “rigorosamente” seleccionados.
Um saco de 50 quilos de adubo foi vendido ao preço de 5 mil kwanzas, face à subvenção do produto pelo Governo.
“O agricultor reembolsa a semente e devolve na fase da colheita dois quilos, por cada recebido. E fica isento de pagar em dinheiro”, esclareceu, dizendo que até 2016, a média de importação deste produto representava 40 mil toneladas/ano. Naquela fase, o saco de 50 quilos custava entre 30 e 35 mil kwanzas ao produtor.
O sector prevê a correcção de 30 mil hectares de solos ácidos, bem como a preparação de 5.038.971 hectares de terra, para sementeira. Serão também recrutados mais de 380 técnicos superiores e médios para apoio aos vários segmentos.

Inverter o quadro
Para a inversão deste quadro, o Executivo aprovou recentemente a estratégia do aumento da oferta de sementes melhoradas, o aumento dos fertilizantes e correctivos de solo.
Contudo, o objectivo do Executivo é criar internamente capacidade de produção de sementes e fertilizantes, reduzindo gradualmente a necessidade de recurso à importação.
Tudo porque o alto custo das sementes e fertilizantes contribui para o incumprimento dos níveis de produção planificados.
Por isso, as autoridades angolanas apontam para 2019-2020, altura que se vai construir uma unidade fabril de fertilizantes no país para a melhoria.
Segundo um documento do Executivo, com a construção da unidade de fertilizantes, cerca de 80 por cento das necessidades serão supridas em 2022, numa altura em que as sementes passarão para 40 por cento.
No quadro do programa de apoio à agricultura familiar, aproximadamente 1.705 toneladas de sementes de milho branco e amarelo, 100 toneladas de massango, igual número de massambala foram distribuídas.
Para a produção de leguminosas, foram disponibilizadas 200 toneladas de sementes de feijão vulgar e 93,5 toneladas de sementes de soja, respectivamente.
O gestor destacou que a agricultura familiar, que representa 80 por cento da produção nacional de alimentos, vai continuar a merecer atenção especial do sector que dirige.
Revelou que o Ministério da Agricultura e Florestas está a introduzir há dois anos no mercado sementes melhoradas de milho híbrido, importado das Repúblicas da Zâmbia, Zimbabwe e África do Sul.
“As sementes são insuficientes. Como o ano agrícola tem a segunda fase, que começa em Fevereiro, o Instituto está a trabalhar com os seus parceiros para o fornecimento de mais sementes”, informou.