As nações ricas que querem ajudar os países em vias de desenvolvimento, como é o caso da China, não deviam anunciar as verbas colossais, defende o engenheiro de construção civil,António Venâncio.
O também fiscalista de obras, considera que os montantes financeiros a serem disponibilizados não resolver os problemas de combate à pobreza tão pouco desenvolverem as economias.
O engenheiro defende que deviam fornecer máquinas e outros equipamentos, contribuir para a formação de quadros, e mais material para a construção e apetrechamento de escolas e hospitais pré-fabricados.
“O dinheiro excessivo que a China quer espalhar em África apenas vai atiçar os cidadãos africanos a enveredar à política e na luta pela conquista do poder”,garantiu António Venâncio, na sua página do Facebook.

Défice na balança
O engenheiro acrescentou ainda que estes financiamentos robustos aumentam o défice da balança de pagamentos dos países africanos e criam maior dependência face aos produtos chineses.
Exemplificou que “quando um pai ama de verdade o seu filho, não lhe dá, nem lhe empresta dinheiro, orienta-o para a formação e lhe enche de conhecimentos e experiências”, disse.
Para António Venâncio, parte dos 60 mil milhões de dólares que o gigante asiático vai disponibilizar para financiar projectos em África vão parar em mãos de políticos, o que pode transformar-se numa pólvora para incendiar ânimos políticos e gerar
ainda mais conflitos nas regiões.
Entende que substituir o anúncio valorativo monetário por material seria mil vezes mais aglutinante e compensador.
“Pergunto aos africanos e ao mundo quantos tractores, quantas centrais de betão, fábricas têxteis, médicos, escolas e postos de trabalho a China vai ajudar a criar?.
Prosseguiu que enquanto isso não acontecer, colocará sempre sérias reservas sobre este tipo de empréstimos bilionários concedidos sem prévias
condições de transparência.
“Eu não ap0sto neste modelo de ajuda a pensar no que acontceu com Angola. Foi um autêntico desastre”, finalizou o também professor universitário.

Interesse nacional
Por seu turno, o especialista em Relações Internacionais Frederico Baptista entende que o fórum de cooperação chinês-África é uma acção estratégica na medida em que vem dar resposta à guerra comercial existente entre as grandes potências.
Explica que, embora o mercado africano não seja tão moderno, mas é dinâmico para os interesses chineses.
Sublinha que, além dos “envelopes” que a China vai disponiblizar, é preciso olhar para o interesse nacional, porque cada país africano tem os seus probelamas e realidades.
“No caso concreto de Angola, o principal destino do financiamneto chinês é para pagar dívida pública, pois depender do OGE
não está a resultar”, aclarou.
Frederico Baptista esclarece ainda que os financiamentos têm ajudado nalguns casos, mas liquidá-los por via do petroléo prejudica a economia angolana.
Por isso, acredita que o Presidente João Lourenço já criou novas balizas no âmbito desta cooperação e a China já percebeu o rumo que Angola quer
seguir nos próxomos tempos.
Mas do que isso, defende, é urgente garantir os financiamentos directos às empresas a fim de se melhorar os níveis de consumo interno
e evitar-se a fuga ao fisco.
Já empresário Jorge Baptista insiste que Angola não pode estar refém de uma única potência mundial, pois tem que procurar alternativas óbvias e interessantes.
Por isso, define a China como sendo um bom parceiro “mas é preciso rever os termos da parceria com o gigante asiático”. Jorge Baptista afirma que não se pode cometer erros numa fase de virada para o desenvolvimento.
Segundo o responsável, o país que mais investe em África continua a ser os EUA, seguido pelo Reino Unido e a França, e nunca a China. “É preciso ver as coisas que possam trazer o desenvolvimento de que precisamos”, disse.