As expectativas resultantes do segundo fórum de negócios Angola-Japão foram ultrapassadas com sucesso, facto que orgulha o país e abre deste modo, novas perspectivas no âmbito do relacionamento bilateral entre os dois países.

Durante o encontro, foram abordados assuntos económicos tão importantes que envolvem vários sectores produtivos bem como apresentados projectos contidos no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2013/2017 e lançados instrumentos legais que suportam o investimento privado em Angola.

Esta é a conclusão transmitida pelo embaixador de Angola no Japão, João Miguel Vahekeni, no final do encontro que reuniu em Luanda, mais de 37 empresas e 118 empresários entre nacionais e japoneses ligados aos sectores da energia e águas, transporte, agricultura, infra-estruturas, telecomunicações, entre outros.

Reforço na diversificação
O embaixador disse igualmente que ao nível do relacionamento bilateral é unânime considerar que a partir deste fórum “é pretensão do Executivo angolano que o Japão seja um dos maiores investidores e importante parceiro estratégico no reforço da diversificação da economia”.

Segundo o diplomata, para que isso se concretize é necessário uma cooperação séria e profunda no processo que levará o país também à assinatura de acordos de protecção e promoção recíproca dos investimentos e de cooperação técnica.

“Auguramos que dentro de um ano ao fazermos o balanço possamos registar um aumento das empresas japonesas em Angola por via do investimento directo”, realçou, acrescentado que as sementes lançadas por intermédio deste certame devem ser bem cuidadas para que amanhã produzam frutos saborosos.

Balança comercial
Dados apurados apontam que, em 2013, o Japão exportou para Angola automóveis, materiais de construção civil e outros equipamentos na ordem 280 milhões de dólares (29,7 mil milhões de kwanzas). Além disso, no mesmo período Angola exportou para aquele país asiático petróleo num valor de 376 milhões de dólares (39,8 mil milhões de kwanzas), o que resultou num saldo positivo na balança comercial angolana de 96 milhões de dólares (10,1 mil milhões de kwanzas).

Financiamento garantido
Por sua vez, o director executivo do Banco Japonês para Cooperação Internacional (JBIC), Koichi Yajima sublinhou que a instituição financeira que dirige tem um volume financeiro e de garantia avaliado em 11 mil milhões de dólares (1,1 triliões de kwanzas).

O responsável garantiu que podem ser criadas parcerias para que os empresários angolanos tenham acesso a estes financiamentos para potenciar outros sectores produtivos e a criação de novos postos de trabalho.

Por seu turno, a secretária de Estado para Cooperação do ministério das Relações Exteriores, Ângela Bragança, reiterou que os recursos disponibilizados através de um financiamento do JBIC, permitiu a reabilitação, modernização e expansão das indústrias têxteis da Textang II em Luanda, África Têxtil em Benguela e Satec na província do Cuanza Norte, cuja execução está a cargo de uma empresa japonesa e prevê-se a sua conclusão no último trimestre deste ano.

Ângela Bragança clarificou que estes financiamentos resultam de pelo menos três contratos de financiamento com o Banco Japonês para a Cooperação Internacional avaliados em mais de mil milhões de dólares (106 mil milhões de kwanzas).

Projectos em curso
Na sua intervenção sobre o tema “As relações económicas Angola e Japão”, a governante explicou que os programas de reabilitação, expansão e modernização das referidas unidades de produção foram concluídos em 2014.

Ângela Bragança revelou ainda que recentemente Angola solicitou àquela instituição financeira japonesa um estudo de viabilidade para financiar um projecto de cabo de fibra óptica, avaliado em 300 milhões de dólares (31,8 mil milhões de kwanzas) no qual comporta dois subprojectos, nomeadamente, cabo de Atlântico Sul e das Américas”, com base numa garantia a emitir pelo Ministério das Finanças de Angola.
Segundo asseverou, os dos países estão em fase de preparação de concessão de um empréstimo de políticas de desenvolvimento para apoiar o programa de reforma do sector energético, com base numa matriz de políticas que abrange os diferentes aspectos e objectivos para a reestruturação do sector.

Nesta senda, a diplomata fez saber também que a cooperação entre os dois países caracterizou-se por algumas acções registadas nos domínios de transporte, telecomunicações, energia, indústria e construção. Neste período, as empresas japonesas como a Mitsubishi, Toyota e outras, instalaram-se no país, desenvolvendo as primeiras acções de cariz económico.

Entre os outros assuntos foram abordados durante o evento temas ligados às potencialidades de Angola nos sectores dos transportes, mineração, indústria transformadora, petroléo e gás.

Durante a sua estadia no país os empresários japoneses foram igualmente recebidos em audiências separadas pelos ministros angolanos, bem como efectuaram a uma visita à Zona Económica Especial (ZEE) para avaliarem o grau de execução das fábricas instaladas.