O fraco incentivo à produção agrícola e principalmente a incapacidade financeira dos camponeses, no que toca à aquisição de meios de trabalho, agravada pelas dificuldades de escoamento da colheita para as principais zonas de comércio, são alguns dos factores que condicionam o aumento da produção no Cuanza Norte.
Numa reportagem efectuada pelo JE, relacionada com a abertura do ano agrícola, oficialmente aberto hoje, em todo o país, os camponeses do perímetro irrigado de Cacala, Pambas e Quirimas, pertencentes aos municípios de Lucala e Cazengo, lamentam o facto de há muito deixarem de receber os apoios necessários para a produção.

Agricultura familiar
O camponês Costa Cândido de 48 anos, 36 dos quais dedicados à prática da agricultura familiar, em Cacala, conta que ele e os irmãos não recebem quaisquer incentivos desde 2011, altura em que chegou a beneficiar de uma motobomba resultante do último crédito de campanha no valor de 35 mil kwanzas, cedido por uma instituição bancária, pagos no fim da colheita agrícola deste ano.
Frisou que há sete anos, os níveis de produção anual atingiam as cinco toneladas de produtos diversos, com particular destaque para a mandioca, feijão, bata-doce e rena e hortaliças. Avança que nos dias de hoje consegue em cada safra 1.500 quilos de produtos diversos, facto que tem estado a desmotivá-lo e colegas.
Quem também manifestou a sua insatisfação pela fala de apoios aos camponeses da cooperativa agrícola de Cacala é a senhora Maria Capita, que nesta fase colhe o feijão das hortas e ao mesmo tempo, junto com os 21 colegas que compõem a cooperativa agrícola, preparam sete hectares para a produzir na época chuvosa.
Segundo ela, em tempos idos a região de Cacala foi a maior produtora de feijão manteiga a nível do Cuanza Norte, mas que por falta de estímulos são obrigados a diminuírem a produção.
“Antigamente, a associação cultivava anualmente perto de 50 hectares, hoje estamos limitados aos sete por causa da subida dos preços do aluguer dos tractores, cujos donos passaram a cobrar 55 mil kwanzas a 60 mil por hectare, ao contrário dos 20 mil cobrados nos anos anteriores”, disse.
Avançou que fruto dos incentivos no passado, já chegou a produzir dois hectares sozinha, mas que actualmente a situação é impossível.
De acordo com a camponesa, a situação se agrava ainda mais com a escassez do transporte de mercadorias para os principais centros de comercialização.
Revelou que as carrinhas raramente escalam a região de Cacala, tendo avançado que o meio de transporte que aparece de forma “tímida” são as motorizadas de quatro rodas, vulgarmente conhecidas de “kupaptas”, que cobram 500 kwanzas por cada cabeça e mil por cada saco de 50 quilos, até à vila de Lucala, numa distância de 15 quilómetros.
Revelou que para a presente época agrícola, os 21 associados da cooperativa agrícola de Cacala preparam sete hectares onde vão semear ginguba, batata-doce, milho, feijão e mandioca. Adiantou que caso as chuvas sejam regulares esperam colher entre 18 toneladas a 20.
Quem também já tem três hectares preparados é o agricultor José Agosto António, da região dos Quirinas, que embora dê maior realce à criação do animais como caprinos, ovinos e galináceos.
Na presente época, espera semear milho, feijão, ginguba, bata-doce, dentre outros produtos.
O agricultor solicita ao Governo a subvenção dos combustíveis destinados para a prática agrícola, como forma de incentivo a produção.

Fazenda “TuriAgro” prepara 100 hectares para colher milho

A fazenda “TuriAgro” situada na região da Pamba da Curva, 30 quilómetros da cidade de Ndalatando, no Cuanza Norte, lavrou para a presente campanha agrícola 100 hectares, onde prevê cultivar branquearia e milho, visando a alimentação das mais de 600 cabeças de gado bovino e produção de ração animal.
O gestor do projecto agrícola Tiago Marques frisou que a produção em grande escala, visa na sua essência, aumentar e melhorar as raças de mais de 600 bovinos e 800 caprinos existentes, visando a comercialização de carne e venda de espécies melhoradas aos produtores locais.
Atendendo ao número de hectares lavrados, o produtor acredita na possibilidade da colheita de 60 mil toneladas das quais 300 mil de branquearias e igual número para o milho.
Avançou que, nos próximos dias, vão ser preparados mais 25 hectares para a produção de couve lombarda.

Produção
Fez saber que durante a época agrícola passada foram produzidos 150 hectares em que cultivou-se 400 mil toneladas de branquearias, 80 toneladas de culturas hortícolas, dívidas entre couves, tomates, pepinos e melão.
Deu a conhecer que actualmente a fazenda emprega 120 trabalhadores nacionais de forma directa e 80 indirecta, nas áreas de recolha e armazenamento de produtos, arruamento de solos, feitura de monda manuais e ensacamento.
Acredita que o número de empregados pode subir 400, tão logo a fábrica e a área de comércio de animais funcionem.
Sublinhou que a granja TuriAgro possui cerca de 1.400, criada com o propósito de se tornar num polo industrial a nível da região, com a intenção de criar um bom ambiente de trabalho que ajudem na diversificação da economia nacional.
O responsável sublinhou que decorrem trabalhos de alargamentos de três currais, um palheiro, dois silos para o aumento de mais animais a serem importados nos próximos seis meses. MM

Campanha
apresenta bons
resultados

Durante a campanha agrícola 2016/2017, o Cuanza Norte colheu um milhão, 100 mil e 421 toneladas de produtos agrícolas diversos, produzidas por camponeses organizados em associações e cooperativas.
Na ocasião, o técnico agrário Afonso Maria Eduardo Zaila, frisou que foram produzidas 972.270 toneladas de mandioca, 25.999 toneladas de batata-doce, 14 mil e 766 toneladas de milho e 11mil e 095 toneladas de feijão.
Constam do leque de produtos colhidos durante referida fase 10 mil e 938 toneladas de amendoim, 55 mil e 245 toneladas de banana, o feijão macunde com três mil e 246, enquanto o tomate, cebola, couve, repolho, cenoura e pimenta tiveram uma produção na ordem de seis mil e 861 toneladas.
No quadro da campanha agrícola 2016/2017 a província preparou 123 mil e 438 hectares de terras aráveis, das quais apenas mil e 275 hectares foram lavrados com recurso a mecanização agrícola. O processo envolveu 82 mil e 928 famílias camponesas nos dez municípios do Cuanza-Norte..
O IDA do Cuanza Norte tem 30 funcionários. A produção agrícola local se processa em três períodos que vão de Setembro/Dezembro, Fevereiro/Abril e Maio/Agosto).
Cuanza Norte é uma província situada no extremo oeste de Angola, e tem uma extensão territorial de 20.252 quilómetros quadrados e congrega 10 municípios.
O JE tentou o contacto com os responsáveis da direcção provincial da Agricultura e Instituto de Desenvolvimento Agrário do Cuanza Norte, com o propósito de saber as previsões da presente campanha agrícola e balançar a passada, mas sem sucesso.