No frenético movimento da quadra festiva, da operadora SGO restam apenas lamentos de mais de 300 trabalhadores que têm o salário em atraso faz oito meses.
Os mais de 30 autorcarros que operavam em nove linhas deixaram de fazer as ligações habituais. A transportadora já foi a mais requisitada em épocas de festas, porquanto ligava Luanda ao interior num menor tempo que a concorrência.
Os autocarros da SGO deixaram de cruzar as estradas de Angola há quase dois anos. Está tudo parado, neste momento. A falência da empresa está ainda sem uma declaração oficial. O JE tentou contactar a direcção para mais esclarecimentos mas sem sucesso.
O drama destes angolanos, que levam, de certeza, atrás de si inúmeras famílias, muitas das quais sonharam com um Natal mais feliz, ainda está longe de conhecer os eu final. Todavia, este cenário de fartura para uns poucos e escassez para outros tantos deve ser vista como uma fase transitória.
Uma fonte ligada aos serviços da transportadora confidenciou ao nosso jornal que as negociações com os trabalhadores correm normalmente, mas o desfecho deverá passar pela indemnização dos mesmos, uma vez que a empresa não vê recursos para dar continuidade às operações.
No início deste ano, a empresa havia já anunciado a sua intenção de despedir mais de 300 trabalhadores dos 650 que controla.
Em Mbanza Congo, província do Zaire, as instalações da operadora de transportes colectivos SGO (Grupo Odilon Santos), localizadas no casco urbano da cidade, transformaram-se nos últimos meses em albergue de marginais e dementes, devido ao estado de abandono em que se encontram.
Embora admita-se a falência, o que muitos dos residentes daquela localidade não conseguem compreender é como uma empresa falida ainda dá-se ao luxo de abandonar as instalações que possui, ao invés de transformá-la para conseguir recursos extras. Aliás, a empresa ainda tem no seu parque vários autocarros parados.