A queda do financiamento bancário ao sector privado angolano, em 2018, marcou um assinalável registo de 50 por cento.
Tudo deveu-se às opções tomadas pelos bancos comerciais que exigiram melhores garantias reais aos tomadores de empréstimos, isso também devido à alta do crédito malparado que se assiste até ao momento (estima-se em mais de 20 por cento). A dívida soberana, aquela tomada pelo Estado à banca/economia, foi a escolha das instituições de crédito por representar menor risco e maior rentabilidade no curto, médio ou longo prazo.
Nas explicações dadas esta semana, num seminário promovido pelo Governo, através do Ministério da Economia e do Planeamento, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA) disse que a resposta do seu pelouro a todo este ambiente foi o de investir na redução significativa dos atrasados cambiais no valor de 3,5 mil milhões de dólares que restabeleceu a confiança dos fornecedores não-residentes.
José de Lima Massano garantiu, no entanto, que tudo está a ser feito para que a retoma do crédito à economia, com prioridade à produção nacional, ocorra num ambiente de vantagens comparativas e de maiores garantias.
O BNA promoveu, na esteira dessa sua missão de dar garantias e mais confiança aos operadores e produtores, uma série de mudanças na forma de governo do negócio da banca. Entre elas, o aumento dos níveis de capital dos bancos com vista a prepará-los para assumirem mais riscos e a redução do coeficiente das reservas obrigatórias em moeda nacional, com vista a prover os bancos comerciais com mais liquidez.
Também, três (3) outras medidas estão previstas no plano operacional do banco central, designadamente continuar a garantir o estrito cumprimento da regulamentação que exige aos bancos comerciais a priorização de fornecedores locais antes de atribuir divisas a importadores; incentivar os bancos comerciais a criarem produtos e serviços orientados para o sector primário da economia e implementar uma política monetária que permita o aumento de crédito sem prejudicar a estabilidade financeira e de preços.
BAI tem usd 200 milhões
A respeito do financiamento, o Banco Angolano de Investimentos (BAI) desafiou os produtores nacionais a apresentarem projectos viáveis, capazes de atraírem a banca. O seu presidente da Comissão Executiva assegurou estarem disponíveis 200 milhões de dólares para o efeito. Luís Lélis tranquilizou os produtores a deixarem claro que o BAI reserva entre 60 e 70 mil milhões de kwanzas (os valores em dólares convertidos em kwanzas) para o empresariado privado.
“Portanto, tragam-nos os projectos credíveis. Assegurem que os estudos de viabilidade são exequíveis e nós garantimos o apoio”, garante.
Só para ter um exemplo, conforme Luís Lélis, a taxa média do incumprimento do programa Angola Investe está acima dos 70 por cento, ou seja, para cada 100 kwanzas que emprestou o banco, 78 estão perdidos. “As pessoas querem créditos, mas não conseguem executar os projectos. A taxa do crédito malparado do BAI é de 16 por cento, embora esteja muito abaixo da média do mercado, face ao rigor na gestão do crédito”, finalizou.

Fundo
agrícola
O “carro-chefe” do desenvolvimento nacional há muito se definiu. A agricultura retoma o princípio de ser a base, para dar à indústria o papel de factor decisivo.
Embora reconheça a importância estratégica do petróleo, que deverá ainda continuar a ser o maior produto de expoportação de Angola, o Governo sabe que é o do lavrar a terra por onde resolverá grande parte dos problemas, afinal a produção interna vai permitir que se reserve mais divisas, hoje gastas em altas somas só para trazer comida de fora.
Nesse lema, pretende-se que o crédito agrícola possa ser não só uma séria garantia dessa aposta aos que lavram a terra, mas também dos melhores resultados que se aguardam com a sua concretização.
Além da falta de garantias reais e do seguro agrícola, a banca também mostra reservas sobretudo quanto à titularidade da terra e das explorações agrícolas. Contudo, o BNA e os programas do Governo estão orientados na finalidade de
redução das importações.
Em tudo isto, o Governo entende que vai também fundamentar o realinhamento da pauta aduaneira, que deverá proteger a produção nacional pelo agravamento dos produtos que
podem ser de oferta local.
Estes caminhos já traçados vão andar de mãos dadas com a opção do Governo, de controlar os fluxos monetários e financeiros em circulação na economia, para não permitir que estes suplantem os fluxos da economia real, vistos pela oferta interna de bens e serviços, capazes de atender a procura e desta forma travar a tendência generalizada de pressão nos preços
geradores de inflação.
A verdade é que o FMI, nos seus acordos com o Governo, também requereu a avaliação contínua da qualidade dos activos financeiros da banca, para permitir que de facto seja validada a força e saúde financeira da banca comercial pública-privada. IL