Os lucros dos bancos angolanos são ainda hoje uma questão que move várias opiniões, porquanto a economia, cada vez mais precisa de crédito, mas a banca está menos disponível para o efeito. A opção recaiu totalmente em alinhar-se ao Estado, na sua procura por financiamento fazendo com que os Títulos do Estado dominem as preferências. O consultor Galvão Branco respondeu a três perguntas deste jornal sobre o assunto.

Que opinião tem ao facto de os bancos, preferencialmente, recorrerem aos Títulos do Tesouro para o seu financiamento, deixando de parte o tradicional crédito à economia como fonte primária da sua função de comprar e vender moeda?
Alguns factores são críticos na avaliação que se faz do nosso mercado financeiro, cujos bancos concentram o essencial do seu negócio na comercialização de títulos de dívida pública, ao invés do que é tradicional nesta actividade ser dominada pelo crédito nas suas diferentes modalidades. É suficientemente evidente que a principal razão deste comportamento decorre da avaliação que cada instituição bancária faz do factor de risco que cada transacção apresenta, que no caso em presença o Estado é claramente a entidade que oferece maiores garantias de resgate dos empréstimos que contrai, associado à atractividade das taxas associadas ao seu reembolso. Os montantes já existentes do crédito malparado, a “síndrome do ex-BESA”, a fragilidade na concessão de garantias suficientemente firmes e o fraco desempenho da nossa economia, sobretudo decorrente do baixo consumo privado, são factores desmotivadores para o incentivo de um comércio bancário sustentado pelo crédito à economia. Mesmo os projectos patrocinados pelo Estado e orientados para o desempenho da actividade empresarial privada, não merecem o interesse dos bancos, pela falta de substância técnica e económica que dêm suporte e garantias de viabilidade e rentabilidade. Ainda é entendimento de muitos potenciais mutuários de crédito bancário de que a elaboração de estudos de viabilidade, planos de negócios, entre outros instrumentos de suporte, são custos supérfluos a incorrer, acomodando-se nas consideráveis garantias dadas pelo Estado por via dos fundos criados para o efeito. O modelo de desempenho empresarial incentivado pelo INAPEM tem que ser suportado por mais exigente e sustentada análise de viabilidade técnico – económica e do perfil do risco dos potenciais investidores.

Qual deveria ser o papel do BNA no realinhamento destes objectivos da banca comercial?
Importa em primeiro lugar ter presente que os bancos têm a sua liquidez sustentada nas poupanças das famílias e das empresas e são movidos na sua actividade pelo interesse dos seus accionistas. O principal instrumento que o BNA pode manusear no afã do aquecimento da economia é por via do estabelecimento da taxa de juros de referência e no asseguramento da solvabilidade e a robustez de cada instituição esteja garantida. Muito recentemente, foram adoptadas duas importantes medidas que concorrem nesse sentido que são o caso do Fundo de Garantia aos Depósitos e a obrigatoriedade do aumento do capital social dos bancos, o que incute no sistema financeiro nacional mais confiança, previsibilidade e segurança. É evidente que o papel de regulador e de supervisor têm que constituir uma prática habitual e sistemática do Banco Central, acrescido ao seu papel determinante de preservação do valor da moeda nacional.

Presidente da comissão executiva
da academia BAI focada nos jovens

A Academia de formação do Banco Angolano de Investimentos, através da sua presidente da Comissão Executiva, Noelma Viegas D’Abreu, manifesta, para 2019, um comprometimento sério virado à formação sobretudo do quadro-jovem.
Para tal, a concessão de “Bolsas de Estudos” em associação com o Instituto Superior de Administração e Finanças (ISAF) espera ser a porta de realização de sonhos de inúmeros jovens e suas respectivas famílias.
As formações especializadas decorrerão em regime de internato e externato, sendo que aqueles que vierem das províncias do interior para Luanda e optarem pelo regime de interno podem beneficiar, nas diferentes formações, de subídios e outros bónus.
Contudo, os jovens que se canditatam às bolsas da Academia BAI e o ISAF devem obter a média de 14 valores na sua conclusão de curso médio. Já o Instituto, no seu plano académico, promove curso de ingresso através do qual os candidatos que obtêm notas excelentes deixam de ter por exigência o exame de acesso.
No programa da Academia BAI, os subsídios incluem propinas e um adicional dos subsídios de alimentação e transporte.
As bolsas de estudo correspondem aos cursos de licenciatura no Instituto Superior de Administração e Finanças (ISAF), localizado no Morro bento, em Luanda. As mesmas vão ser nos cursos de Contabilidade e Finanças, Informática de Gestão Financeira e Gestão Bancária e Seguros.
Ao que soube este jornal, muito recentemente, as inscrições devem ir até 15 de Fevereiro e podem ser feitas através da página de internet ou de forma presencial.

Os lucros que são revelados pela banca, numa economia com margens de crescimento deficitária, como devem ser entendidos?
Efectivamente, são relevantes os resultados financeiros traduzidos sob a forma de lucros que a nossa “indústria” financeira tem vindo a apresentar em cada período fiscal. Claramente que esses resultados têm como principal origem o negócio dos empréstimos ao Estado e ao comércio de divisas, agora em processo de estabilização. Neste momento crítico que o nosso contexto económico se confronta e na absoluta necessidade de se aumentar o volume da receita fiscal não petrolífera, arrisco em alvitrar que se deveria incrementar os impostos a tributar às instituições financeiras. IL