Sendo, economista, como deve ser a gestão financeira de empresas ligadas ao ramo do petrolífero?
A gestão financeira neste tipo de empresas em princípio é a comum de outros ramos de actividade. Todavia, no que concerne à sua contabilidade, temos alguma limitação, tendo em conta que o nosso Plano Geral de Contabilidade não trata uma parte importante dos seus activos, embora tenha uma abertura para as normas internacionais de contabilidade. No entanto, acredito ser uma situação que ficará ultrapassada nos próximos tempos, dado que no ano passado foi criada pelo Ministério das Finanças a Comissão de Normalização Contabilística. Mas na qualidade de país produtor de petróleo este assunto deve ficar na agenda de prioridades, aliás, já vamos muito atrasados.
Entretanto, investir neste sector exige avultadas somas de dinheiro, pois há muitos riscos,a começar pelo processo de pesquisa que exige uma tecnologia muito cara, segue-se o problema da incerteza em encontrar o local em que óleo se encontra.
Por outro lado, é uma indústria com altos riscos de poluição e acidentes na produção, pelo que exige muitos custos com o seguro. Isto tudo a torna numa indústria de investimento com um risco elevado. Portanto, a gestão financeira nesta indústria do ponto de vista de tesouraria, exige um forte pendor do domínio de probabilidades, é necessário ter-se processos eficientes.

Numa altura em que já se fala do fim do petróleo, como podem estas empresas sobreviver?
Ao contrário de muitas opiniões e que respeito, eu defendo que as empresas devem diversificar os seus negócios,mesmo que seja em áreas fora do seu core business. O fim último da criação de uma empresa é a obtenção de lucro para os seus accionistas, ninguém abre uma empresa para ter prejuízo. Por isso, quem faz negócio sério sabe que é assim. Assim é que hoje vemos bancos a investirem no sector agrícola por exemplo e se é rentável porque não entrar no sector.
É meu entendimento que as empresas sobreviverão se investirem noutros sectores rentáveis como é óbvio, porque elas são criadas à luz do princípio da continuidade das suas operações e não tendo em conta o fim da sua principal mercadoria no caso o petróleo.

As empresas petrolíferas são tão rentáveis assim? Por que não se atribuem quotas a particulares?
Ser rentável é uma questão de eficiência e eficácia, com tudo, o que referi acima para ser rentável é necessário que as empresas tenham eficiência na variável em que podem exercer influência, ou seja, ter um custo de produção competitivo, porque elas não têm influência sobre a outra variável importante que é o preço de venda, pois é determinado pelo mercado e é muito volátil.
Não me parece que a questão seja apenas atribuir quotas aos particulares, como referi anteriormente, trata-se de um sector cujo investimento é muito elevado, logo, pode ser um problema dos próprios particulares evitarem entrar nesta área de negócios, pois estamos a falar de custos só para a pesquisa à volta de alguns milhões de dólares e que podem se transformar em prejuízo se o óleo não for encontrado, logo, torna-se mais fácil entrar para negócios cujo nível de incerteza é quase nulo.

Ou melhor, quais as dificuldades de antigos quadros e conhecedores do matière não entrarem no negócio do petróleo, à semelhança da Nigéria?
Não conheço a realidade da Nigéria mas, acredito que se entraram deverão ter beneficiado de um apoio de qualquer instituição ou governo, numa das fases do processo. Não sei se entraram em campos onde o operador já recuperou o seu investimento e, portanto, por força legal deveria abandonar é um exemplo ou pode haver uma política do governo em assumir o investimento inicial até o início da produção, com vista a atender uma determinada estratégia do país.

Acha o petróleo um negócio ainda apetecível?
Claro que é. Estamos a falar de uma matéria-prima de consumo mundial, às nações industrializadas a nível internacional ainda não o conseguiram substituir. Logo, é um bom negócio para investir. Há guerras entre nações cuja essência é o petróleo.

Razão?
O que o torna apetecível é acima de tudo a sua utilidade, o mundo ainda é muito dependente deste recurso, como referi às nações mais ricas do mundo são em muito dependentes desta matéria-prima.Os países ricos consomem muito petróleo na sua indústria e não só.