O presidente da Associação das Indústrias de Materiais de Construção de Angola (AIMCA), José Mangueira, considera que há um esforço das indústrias de materiais de construção em produzir com qualidade e em conformidade com as melhores normas existentes no mundo.
O responsável falava durante o programa “Vector” emitido pela Luanda Antena Comercial (Lac) que juntou vários especialistas do sector para abordar a questão dos “preços, quantidade e qualidade dos materiais de construção”.
José Mangueira sublinhou que um dos principais entraves do sector é a falta de regulação o que faz com que muitas empresas trabalhem de forma ilegal, não pagam impostos e competem com as que cumprem com todos os requisitos previstos por lei.
Acrescentou ainda que o Executivo não está a garantir as infra-estruturas necessárias para permitir um melhor funcionamento das empresas, uma vez que “continuamos a trabalhar com péssimas vias de acesso, águas em cisternas e recurso a geradores o que torna pesados os custos de produção encarecendo o produto”.
Revelou que as 17 empresas ligadas à AIMCA estão interessadas em diversificar e exportar para conseguir divisas para o país mas, devido aos vários constragimentos, não tem sido possível. E deste modo, não há condições para competir com outros mercados como a Namíbia e África do Sul.
Por seu turno, o Engenheiro António Venâncio lembrou que no tempo colonial havia um parque industrial de materiais de construção que estava no seu auge sobretudo em Luanda, onde o seu crescimento era mais acelerado e cobria plenamente as necessidades do país.
“Naquela altura não havia tanta necessidade de importação porque tínhamos um parque de cerâmica branca e vermelha, indústrias siderúrgicas, tintas e a Cimangola, sendo que tudo era produzido localmente, o que permitiu construir edifícios que resistem até hoje.
Falha de estratégia
António Venâncio disse durante a sua intervenção que houve alguns erros no passado que devem ser corrigidos e considera errada a estratégia que permitiu fomentar e encorajar a importação de praticamente tudo e que só faltava importar areia.
Mais adiante assegurou que o país apostou fortemente na construção, mas não apostou na concepção, projectos e em cadernos de encargos.
“Construímos as centralidades, mas não desenvolvemos, com isso, a indústria de materiais de construção, mesmo havendo condições objectivas para o efeito”, indicou.
Apesar dos desafios que o mercado enfrenta a Fabrimetal, empresa produtora de varão de aço, prevê atingir uma capacidade de produção de 10 mil toneladas/mês, no próximo ano contra as actuais oito mil a fim de diminuir as importações, segundo fez saber o seu director, Luís Diogo.
A empresa que produz varão de aço a partir de sucatas dispõe 550 colaboradores nacionais e 95 expatriados. O gestor considera a actual crise como uma oportunidade porque permitiu a aposta na qualidade e na procura da produção nacional.
Confirmou que os dados do Conselho Nacional de Carregadores registavam que o consumo de varão de aço no mercado nacional em 2012 rondava 25 mil toneladas/mês, mas devido à crise em 2015 este consumo baixou para a 16mil.