O turismo nacional tem merecido destaque nos últimos tempos fruto de vários investimentos feitos no sector para diversificar a economia nacional. O JE abordou a questão com o secretário executivo da Associação das Agências de Viagens e Operadores Turísticos de Angola (AAVOTA), Augusto Pedro, que destacou as iniciativas da instituição para que haja mais promoção do turismo interno atendendo o período menos bom que o país atravessa.

Como avalia o mercado turístico com a crise económica que se regista no país?
Primeiramente, acho que a crise fez com que olhássemos para o turismo de outra forma, consequentemente, apelando para a criatividade dos agentes e operadores turísticos. Não obstante a carência de divisas no mercado, as agências de viagem através da nossa associação têm estado a criar novos instrumentos de trabalho de forma que possam rentabilizar o seu negócio. E uma das formas foi olhar para o turismo interno. É verdade que o sector já viveu melhores dias, mas as atenções estão viradas para dentro e acho que este é o futuro deste negócio. Por outro lado, a Aavota conseguiu manter parcerias com algumas seguradoras do mercado e introduziu esses serviços dentro das agências associadas como seguro automóvel e de viagem.

Porquê que muitas agências não se dedicavam à criação de pacotes turísticos no interior do país?
A dada altura, os agentes turísticos chegaram a conclusão que é necessário olhar para o interior do país com “olhos de ver” e encontrar atractivos e a crise jogou papel preponderante. Na altura muitas agências não criavam pacotes internos por desconhecimento dos locais turísticos, por um lado, e por outro, as poucas condições de hospedagem e restauração que algumas províncias apresentavam, mas esse factor foi grandemente ultrapassado. O cenário hoje é totalmente diferente e a crise, de uma forma, fez com que os operadores buscassem alternativas para render e a solução é o turismo interno. As visitas de prospecção da AAVOTA a algumas províncias no sentido de suscitar o turismo interno fez com que as agências criassem pacotes a nível nacional e começassem a rentabilizar através da mobilidade interna. Por exemplo, em Dezembro, já houve muita procura dos pacotes turísticos internos para as províncias de Benguela, Huíla, Cabinda, Bengo, Cuanza Sul, Huambo, entre outras.

Quais as metas da associação nos próximos cinco anos para melhorar a contribuição do turismo no PIB?
São várias. Mas por orientação da presidente da AAVOTA, Catarina de Oliveira, temos no plano de acção de visita a várias províncias no sentido de fazermos um pacote turístico interno para criar uma maior mobilidade turística, sendo o objectivo principal fazer com que as agências comecem a realizar mais pacotes internos por via da aviação aérea e terrestre. E já está firmada parceria com as operadoras Ango-Real e Macon no sentido de facilitar e flexibilizar algumas relações de deslocação de turistas. Mas faremos mais parcerias no sentido de termos mais operadores neste segmento e maior fluxo de procura das agências de viagens para podermos ajudar, não só o Executivo, mas também aqueles operadores face aos encargos financeiros que acarretam. Outro plano de acção já traçado será aumentar a formação dos operadores turísticos para doptá-los de conhecimentos e técnicas na intenção de aumentar a capacidade criativa dos agentes turísticos porque existe operadores que nem conhecem a Lei de Base do Turismo e nem das agências de viagens, por isso a formação é muito importante para os empresários, daí que está também prevista a parceria com o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social( MAPTSS).


Quais as principais dificuldades para a promoção do turismo interno?
Acho, sinceramente, que as dificuldades prendem-se com as condições das estradas que em muitas partes do país dificultam o acesso em tempo de chuva. Por outro lado, penso que ficamos muito tempo acomodados com os bilhetes de passagem a pensar que não há atractivos internos e é esta mudança de paradigma que estamos a imprimir agora para que as agências de viagem sejam verdadeiros parceiros do Estado na contribuição e massificação do turismo interno. Por isso, convidamos os agentes turísticos para fazer visitas conjuntas e vermos “in loco” os atractivos turísticos, por forma a chegar a conclusão que é possível vender e fazer acontecer o turismo interno.

Quantas agências a associação controla e quantos postos de emprego já foram criados?
A nossa associação é de âmbito nacional e 80 por cento das agências no mercado fazem parte da AAVOTA. Queremos fazer parcerias com o Governo e instituições privadas para levarmos a bom porto toda a iniciativa para massificação do turismo, uma vez que é um dos sectores que emprega muitos trabalhadores.

Que perspectiva são apontadas no negócio das agências de viagens para este ano?
Como sabe, o presente ano também será marcado pelas eleições gerais e pensamos que será um ano de algumas fricções. Mas, vamos continuar a desempenhar o nosso serviço para que ultrapassemos as vicissitudes que encontrarmos ao longo do percurso, e cumprir com os planos de acção para este ano. Pensamos que será um ano de desafios que vai exigir a nossa criatividade no que fazemos como um todo, para que o resultado preconizado seja atingido. Vamos participar na Feira Internacional de Turismo (FITUR) onde continuaremos a vender a imagem de Angola, bem como a sua multiplicidade cultural e atractivos turísticos e incentivar os estrangeiros a visitarem o nosso país. Também apelar aos empresários a investirem mais no sector turístico por ser bastante dinâmico e congregar vários serviços. Queremos trazer também o desporto, as agências, os campeonatos de basquetebol, andebol, futebol, judo, entre outros. Trazer estes negócios junto das agências de viagens para que de facto haja novas fontes de receitas.

As províncias estão preparadas para receber os turistas?
Eu costumo dizer que o país como um todo tem condições para receber turistas de qualquer parte do mundo. Acho ser preciso mais organização e noutros casos há condições, mas não são divulgadas, foi o caso da província do Bengo, numa recente visita que efectuamos e notamos que existe lá muitos atractivos turísticos que podem servir como escapatória para um final de semana de descanso e fica bem próximo de Luanda, mas muitos não conhecem. Levamos a conhecimento das agências e hoje muitas já têm pacotes turísticos para aquela província. Por isso, optamos por visitar todas as províncias para que as agências tenham conhecimentos e, acima de tudo, possam estreitar relações com os empresários do sector de hotelaria com os das agências de viagens, acreditando que essa simbiose ajude no crescimento do turismo nacional.