Vinte empresas portuguesas que participaram do Fórum Empresarial Angola-Portugal esperam formar parcerias com congéneres angolanas para dinamizar a comercialização de produtos através de representantes oficiais com vista a explorar novas áreas de negócio.
Hermínio Ferreira Cardoso, sócio-gerente da Quadroviseu, ligada à comercialização de quadros eléctricos e caixas plásticas para utilização de redes eléctricas, telecomunicações, gás e água, salientou ser importante firmar parcerias sólidas com empresas angolanas.
“Temos clientes que distribuem e vendem aos instaladores e construtores presentes em Angola, mas não temos representação oficial no país. Este fórum serve, também, para manter contactos com potenciais empresas angolanas que queiram ser nossos parceiros”, afirmou Hermínio Cardoso.
O gestor afirmou que os produtos são bem aceites no mercado angolano, pois têm tido problemas em atender os clientes que na maior parte é constituído por armazéns de venda de material eléctrico, devido à escassez de divisas.
O responsável disse ainda que a facturação da empresa no ano transacto caiu para 70 por cento, mas para 2017 mostra-se promissor e acredita na retoma da normalidade do mercado.
Já o administrador da HVR, Pedro Veríssimo, empresa ligada à montagem de equipamentos de processo para fábricas de ração e fuba, o mercado apresenta inúmeras oportunidades de negócio e o sector agro-pecuário joga um papel fundamental para a diversificação económica de Angola.
“Com a escassez de divisas, o Governo e as pessoas perceberam que têm de aproveitar os excelentes recursos naturais que o país oferece, dando lugar às plantações em grande escala e as fábricas são importantes para transformar os cereais ou vegetais saídos do campo”, salientou.
Os sectores da produção e transformação são importantíssimos para a diversificação da economia angolana e as empresas portuguesas ligadas ao sector estão para estabelecer parcerias nestes domínios. A empresa HVR está no mercado angolano desde 2012.
“Os nossos clientes mantiveram-se com a crise, o que parou foi os pedidos de projectos, mas agora com a continuação da crise alguns projectos estão a ser reactivados e estou em querer que serão uma realidade”, disse, para se referir igualmente as obras abjudicadas nas províncias do Cuanza Sul, Cuanza-Norte, Malanje e Luanda. “Há linhas de produtos montadas em 2015 que não estavam a funcionar e fomos novamente solicitados para reactiva-lás e isso mostra que as coisas em Angola estão no bom caminho”, afirmou.
Para o administrador, este ano é promissor porque a empresa já está encarregue de alguns projectos ligados ao agro-negócio. Pedro Veríssimo informou que, além do Wako Kungo e Malanje, vai ainda desenvolver um grande projecto privado na província da Huíla avaliado em 70 milhões de dólares.
“Penso ser o maior projecto privado agrícola neste momento no país”, disse Pedro Veríssimo.
Por sua vez, o director comercial do grupo Plastidom, Carlos Nogueira, afirmou que o fórum serve sempre para formar parcerias com empresas angolanas e identificar áreas de potencial investimento.
Sublinhou que em Angola existem várias oportunidades de negócio, uma vez que o país exporta quase tudo. Afirmou ainda que a situação que o país enfrenta faz com que a indústria transformadora tenha um espaço maior no sentido de relançar a economia nacional.
Com uma panóplia de produtos que vão desde a utilização no uso domésticos aos produtos agrícolas, a Plastidom quer intensificar o destino dos seus produtos para o campo e pensa-se que neste ramo joga-se um papel importante, uma vez que a indústria transformadora está sofrer mudanças e há grande aposta na agricultara e pecuária no país.
“Estamos à procura de novas parcerias e o fórum serve para podermos conhecer melhor o mercado de Angola, para que possamos melhor entender
os nossos clientes”, afirmou.
A morosidade processual e o problema dos vistos de trabalho para estrangeiros foram os problemas levantados durante o Fórum Empresarial Angola- Portugal.
A burocracia em algumas instituições para um processo de investimento faz com que muitos empresários tenham receio em investir em Angola, conforme analisa o gestor de empresas da Femafoa, Arão Guerreiro.
Para o responsável, as instituições devem ser menos burocráticas no processo de investimento e facilitar mais o investimento privado, além do problema do repatriamento de capitais que se enfrenta no actual momento.
Por isso, acredita que em todos os sectores há oportunidades de negócio em Angola, apesar de o país ainda importar quase tudo.
“Todos os sectores têm de crescer para se produzir mais localmente e isso faz-se com que se aumentem as parcerias excelentes e projectos de investimento”, disse. Contudo, assegura que, actualmente, é já notório muitos investimentos na agricultura e indústria transformadora sendo os sectores chave para o crescimento esperado que vão impulsionar o desenvolvimento económico.