A execução de acções concretas para a integração das comunidades Khoisan em actividades produtivas com vista a mitigar a pobreza e a fome que dezenas de famílias enfrentam como a escassez de alimentos obtidos a partir da caça e recolecção, constitui a prioridade do Executivo.
Para manifestar a preocupação e solidariedade com o estado das comunidades em referência, o Presidente da República, João Lourenço, no quadro das várias audiências que concedeu durante o trabalho que efectuou na cidade do Lubango, província da Huíla, recebeu duas autoridades tradicionais e acompanhadas pelas esposas e trataram de qyuuestões que estas vivem.
O Chefe de Estado, após a audiência com os dois sobas, foi ao pátio do palácio do Lubango para simbolicamente entregar duas charruas de tracção animal, enxadas e catanas, incluindo sementes de milho, feijão e massango de modo a despertá-los à actividade agrícola.
Ao privar com os dois sobas, João Lourenço recomendou as comunidades a trabalharem as terras aráveis e que iria procurar saber se os meios disponíveis e sementes estão a ser aplicados nos propósitos desejados. Zeferino Piriquito contou que “precisam, neste momento, materiais agrícolas e juntas de bois”.
O ancião Piriquito vive no bairro Mopembando, na comuna do Hombo, município de Quipungo, localidade que faz parte do triângulo do milho por ser fértil na cultura em referência a semelhança de Chicomba e Caconda.
As comunidades Koisan habitam as povoações de Nonguelengue e Taima (Chibia), Derruba, Sendi, Hombo (Quipungo), na província da Huíla, assim como nalgumas areas das províncias do Cunene e Cuando Cubango, que vivem com através de vários apoios prestados pelo Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher.
Para a sua integração em actividades socialmente úteis, algumas comunidades já dispõem de espaços para a prática da agricultura familiar, realizadas com base a distribuição frequente de sementes, instrumentos de trabalho, fertilizantes e outros.
A directora da Acção Social, Família e Promoção da Mulher da Huíla, Catarina Manuel explicou ao Jornal Economia e Finanças que após a entrega da cesta básica composta por farinha de milho, óleo vegetal, feijão assim como sabão e roupa usada, os beneficiários são sensibilizados a apostarem no cultivo.
“A integração dos Khoisan em acções rentáveis é processo que obedece várias etapas com destaque ao ensino sobre a importância da agricultura familiar, técnicas agrárias e épocas de cultivo, uso de fertilizantes para melhorar a qualidade dos solos, cuidados a ter com as sementes e uso da rega durante o cacimbo”, descreveu.

Apoio
da aapcil

A revisão substancial das políticas de gestão dos perímetros irrigados, assim como a aplicação de mecanismos para se evitar o favoritismo na adjudicação dos programas agro-pecuários, deve ser o caminho a seguir, defendeu o presidente da Associação Agro-pecuária, Comercial e Industrial da Huíla (AAPCIL), Paulo Gaspar.
O empresário acredita que só com maior rigorosidade é possível “tornar muito mais produtivas as empresas agrárias do país”, com canais de distribuição de água reestruturadas e equipamentos mecanizados à disposição dos agricultores inseridos em vários projectos.
“Estão propostos programas de reabilitação dos perímetros irrigados, mas os executores pouco ou nada conseguiram fazer para o fim sobre o qual os financiamentos foram alocados”, disse, para acrescentar que o Ministério da Agricultura “é o principal culpado, ao fazer adjudicação directa dos programas”.
O presidente da AAPCIL argumentou que a culpa está no facto de o Ministério ter feito adjudicação directa a pessoas que não têm o negócio agrícola como sua actividade principal, por isso “exigimos que o Estado retire a gestão actual e entregue, mediante concurso público, a quem queira fazer algo em condições”.
Apelou também à necessidade de se aproveitar melhor o Instituto Médio Agrário do Tchivinguiro, das estações Zootécnica e Agronómica da Humpata com vista à promoção real da pesquisa científica no sector agro-pecuário. “Estas instituições, às vezes, recebem fundos do Estado e não funcionam devida à ausência dos pressupostos básicos”. 

Montanha continua a ser o refúgio predilecto

comunidade Koisan já não correspondem com as expectativas, por causa da proibição no Parque Nacional do Bicuar e também porque certos animais terem procurado lugares mais seguros.
Alguns beneficiários de vários produtos incluindo de gado para atracção animal consomem as sementes e os animais, abandonando depois as casas, preferindo novamente as montanhas para a caça e recolher frutos silvestres com insucessos a maioria dos casos.
Catarina Manuel garantiu que as autoridades não desistem da missão de reintegrar aqueles que desistem do processo de integração por regressar quase desnutridos, alguns com enfermidades complexas como a tuberculose pulmonar e óssea que são imediatamente tratadas.
Quando a caça e a recolecção não surte os efeitos desejados, instala-se o caos com a fome e outras consequências no seio familiar. Afirmou que os técnicos e parceiros redobram nestas ocasiões os cuidados de modo que todos aprendam que o melhor caminho é o cultivo e criação de animais.

Reconhecimento
Fernando Cwembo, aparenta 70 anos e não fala português. Com auxílio de um tradutor sublinhou que a cesta básica distribuída está a salvar muitas vidas humanas nas zonas onde habitam devido à insuficiência de animais e outros alimentos durante a recolecção.

O acompanhamento oportuno

Os acompanhantes deplorou a atitude de certas famílias cuidarem mal os animais e depois abaterem-nos para consumo e comercialização de parte da carne do gado. “Os sobas e outras autoridades devem pôr ordem no grupo de famílias que recebem junta de bois, de modo a preservar o animal que é usado para o apoio no campo.
Anciãos contam que estes estão mais localizados em Derruba e Hombo, no Quipungo. Muitos estão a ajudar na produção de milho, massango, massambala, feijão e hortaliças com ajuda do programa de Extensão do Desenvolvimento Agrário em coordenação com a Direcção da Agricultura e parceiros.
A anciã Caroba Derula elogiou a iniciativa do Executivo envolver em envolver os Koisan nas acções agro-pecuárias. O objectivo é o de melhorar a dieta alimentar de certas famílias. “Alguns já estão a comercializar nos mercados o produto do seu trabalho”.

Garantias do Estado
A ministra Victória da Conceição garantiu que vai se empenhar-se no trabalho em prol das comunidades Khoisan.