As decisões sobre políticas económicas e sociais da região sul e do país vão ser analisadas na província da Huíla que hoje acolhe a reunião do Conselho de Ministros, sob orientação do Presidente da República, João Lourenço.
A cidade do Lubango, palco da reunião, no dia 31 de Maio completou 95 anos de existência, num ambiente de reflexão sobre as estratégicas para revitalizar a velha metrópole que precisa de renovação nas suas infra-estruturas urbanas e resgatar o título de “cidade Jardim de Angola”.
A realização da 7ª reunião do Conselho de Ministro, além da componente política representa, para aos governantes, sociedade civil e cidadãos governados, um novo figurino e mudança de paradigma de governação.
A capital da província da Huíla registou esta semana um movimento incomum de delegações ministeriais que escalaram o Lubango para acompanhar o Presidente da República nesta nova dinâmica de constatar os projectos em curso e definir novas estratégicas de desenvolvimento a partir do interior.
O administrador municipal do Lubango Francisco Barros apresenta o Lubango como uma cidade que perdeu o brilho por conta da escassez de recursos provocados pela eclosão da crise económica e financeira que diminuiu o volume de investimento em infra-estruturas públicas.
Avançou que dos 544 milhões de dólares previstos para o programa de combate à pobreza no Lubango apenas cerca de 60 por cento foram disponibilizados nos últimos anos.
Esta redução de recursos diminuiu também a capacidade de intervenção da administração municipal nos projectos de impacto social. O dirigente justificou que o desgaste da cidade se deve ao tempo e ao crescimento populacional.
“Esta cidade foi concebida para 50 mil habitantes e hoje estamos com quase um milhão de pessoas” considerou.
Francisco Barros manifesta satisfação pela execução do programa de requalificação urgente financiado pelo Governo central, num investimento avaliado em 35 mil milhões de Kwanzas. “Congratulamos pelo facto do Governo adjudicar as obras das infra-estruturas integradas da cidade do Lubango Teremos nos próximos três anos uma cidade totalmente qualificada com novas estradas, passeios, redes técnicas em condições para garantir a mobilidade de pessoal e bens e reanimar os municípios que tanto reclamam da degradação da cidade”, disse.

Governação de proximidade
A visita do Presidente da República e a realização do Conselho de Ministros na cidade do Cristo Rei é aguardada pela população com muita expectativa. O Lubango é geográfica e economicamente estratégico na região sul por congregar maior número de habitantes depois de Luanda e ser ponto de encontro para as províncias do Namíbe, Cuando Cubango, Cunene e para a República da Namíbia.
O especialista em administração e políticas públicas, Denilson Duro, sublinha que a reunião do Conselho de Ministro na província vai de encontro com a estratégia de governação de proximidade e entende que a visita do Presidente da República representa também uma forma de fiscalização dos actos de administração pública dos governos locais como forma acompanhamento, servindo também de pressão para o cumprimento das acções prometidas e maior acutilância nas acções governativas em prol do bem-estar das populações.

Empresários
estão agastados

O secretário-geral da associação agro-pecuário industrial e comercial da Huíla (AAPCIL), Elísio Lobo, disse que a classe empresarial na província da Huíla enfrenta muitas dificuldades na interpretação das alterações do nova pauta aduaneira. 

As preocupações constantes têm estrangulado a actividade das empresas do sector produtivo como as cerâmicas e indústria agro-alimentar que necessitam de maior investimento.
A visita à Huíla é considerada de bom sinal para a solução dos problemas existentes.Elísio Lobo disse que o Presidente da Republica, João Lourenço, conhece as dificuldades do empresariado provincial logo estão optimista de que melhores dias virão.
Sobre a situação das empresas na província da Huíla, o secretário da AAPCI disse que existe “falência técnicas de algumas empresas e falência efectiva acentuadas de pequenas e médias empresas”. Contrbuiu para tal quadro, o momento económico actual, associado à concorrência desleal por parte das empresas estrangeiras.
O coordenador adjunto do fórum angolano de jovens empreendedores (FAJE), Piedade Pena, revela que mais de 95 micro, pequenas e médias empresas na província declaram, desde 2014, falências por causa de dificuldade de acesso a divisas, importação de equipamento e atrasos nos pagamentos por parte do Estado..

A renovação das esperanças
O economista Lino Cavanda Inocêncio considerou a visita do Presidente da República como sendo positiva, pois estimula a classe empresarial, a população e os governos locais pela aproximação e decisões conjuntas. 

Considerou que com esta proximidade do Executivo de levar decisões para a região “renova a esperança e aumenta a confiança sobre as políticas e programas do novo Governo saído das últimas eleições gerais”.
“Porque uma coisa é receber os programas, projectos e preocupação em Luanda e outra é a constatação no terreno. O que está a ser feito? Como estar feito? O que não esta a ser feito e porque não esta a ser feito e o que pode ser feitos para melhorar?”, argumentou.
“Acredito que se a reunião for alargada haverá oportunidade para que os administradores municipais apresentarem os seus pontos de vistas e encontrarem melhor definições em como podem direccionar e resolver certos problemas, disse.

A cidade por dentro
Lubango é uma cidade acolhedora. Deste epítecto já não restam dúvidas. E quando há visitas ou mesmo um evento festivo de dimensão nacional, a cidade “dos braços abertos” do Cristo Rei apresenta-se aos visitantes. Sejam eles políticos, simples turistas e para quem a visita para múltiplas razões. Nesta altura, a cidade está fria, mais a vida laboral continua a ser feita com a maior disposição e disponibilidade possíveis. A vida nocturna local tem características próprias. Apesar do clima que afugenta para as actividades da noite nos seus variadíssimos aspectos, mas os bares e restaurantes permanecem abertos e a comida, ou seja, o chouriço caseiro é servido quentinho e o fino a copo desafia qualquer variação climática, no sentido negativo do ambiente.
Os criadores e os camponeses, com certeza, que nesta hora reveem as suas agendas tentando a justar a uma outra dica tratada dentro ou mesmo à margem das decisões oficiais do Conselho de Ministro. A população está expectante e anciosa em que a imagem da sua cidade capital e da província, grosso modo, mude para melhor. Os níveis de descontentamento são visíveis e, independentemente das justificações, pedem acções muito práticas em prol do bem-estar de todos. Logo, acham ser a visita de João Lourenço oportuna para que o Presidente veja a realidade local e tire as suas conclusões.