O sector produtivo do café angolano precisa a curto prazo de 25 milhões de mudas (plantas pequenas) de diferentes espécies, para atingir indicativos de alta colheitas e, permitir que o “bago vermelho”, contribua com uma fasquia aceitável no Produto Interno Bruto(PIB).
A informação foi avançada ao JE, pelo director nacional do café do Instituto Nacional do Café (INCA), Ferreira Neto, que revelou que esta necessidade já foi submetido à Comissão para a Economia Real do Conselho de Ministros.
Segundo Ferreira Neto, com 25 milhões de mudas de café, é possível garantir um aumento de mais 500 mil hectares de café ano, atingindo assim as famílias com abrangência às pequenas, médias e grandes empresas.
O plano do INCA à médio prazo contempla programas de relançamento da produção cafeícola do país, através do incremento das áreas de cultivo, da produção de mudas das melhores espécies existentes, da produtividade e qualidade.
Para campanha 2017-2018, formaram disponibilizadas cerca de um milhão de mudas de café arábica e robusta para apoiar mais de 45 mil produtores nacionais, um quantidade considerada insuficiente para aumentar a produção do “bago vermelho”, reconheceu o responsável.
De acordo com informações avançadas, as mudas existen, vão ser utilizadas para incentivar a produção nas zonas tradicionais de produção, nomeadamente nas províncias do Huambo, Bié, Benguela, Huíla e parte do Cuanza Sul, e outras 600 mil do café robusta para Cabinda, Uíge, Cuanzas Norte e Sul, bem como o Bengo.

Quadro actual
Para reverter o quadro actual e augurar uma posição cimeira na produção do café, disse o responsável, o objectivo do INCA passa também pela valorização do produtor local, sendo para isso, necessário implantar nas regiões de plantação unidades de descasque e fábricas de lavagem de café, assim como fomentar a industrialização e exportação de café com a instalação de indústrias de torrefacção e de moagens.
Dados disponíveis apontam que à produção do café na fase actual é inferior 20 vezes à produção registada no ano de 1974, altura que Angola chegou a exportar mais de 250 mil toneladas por ano.
Contudo, os indicadores apontam para um ligeiro crescimento anual. Por exemplo, a produção do café em 2016 chegou a atingir uma meta na ordem de 17 mil toneladas face a implementação de políticas e outros métodos de produção introduzidos na altura.
A produção do café em Angola ocorre em 10 das 18 províncias do país, concretamente Cabinda, Bengo, Cuanzas Sul e Norte, Uíge, Benguela, Huambo, Bié, Malanje e Huíla, numa área de 18 mil hectares, contra 120 mil hectares no período antes da independência, em 1975.
Nesta cadeia produtiva estão engajados mais de 25 mil famílias, 30 agentes ligados ao sector empresarial. A previsão para a próxima colheita está estimada em oito mil toneladas. Uma produção inferior a de 2016 devido à vários factores negativos internos.
A estrutura produtiva nacional compreende até anos cinco anos atrás, cerca de 50 mil produtores inscritos, dos quais 98 por cento representavam explorações agrícolas familiares e os restantes dois explorações empresariais localizados nas províncias do Bengo, Cuanza Sul e Uíge.
Com o propósito de alcançar às metas anteriores, o INCA em parceria com o Fundo de Desenvolvimento do Café de Angola (FDCA), está a proporcionar créditos à produtores. O valor a receber depende em grande medida da extensão disponível para a plantação.

Destino das exportações
O café angolano é exportado para países como os Estados Unidos da América, Espanha, Alemanha, França, Itália, Portugal, Holanda, Líbano, Médio Oriente e Rússia. No mercado naciona, o preço do quilo de café, varia entre os 150 e 200 kwanzas, contra os 50 kwanzas que eram praticados nos anos anteriores.
“A par do aumento da produção, o INCA está a apoiar programas de comercialização através da compra directa do café por agentes comerciais privados e por intermédio da realização de mercados rurais em colaboração com as autoridades”, garantiu.

Parceiros concedem
créditos A produtores

O Fundo de Apoio a Produção do café em parceria com o INCA, concedeu créditos aos pequenos produtores da província de Cabinda. Nesta primeira fase foram disponibilizados 35 milhões de kwanzas. A actividade vai abranger toda às provincias imbuidas na produção do café. Segudo o director do INCA Ferreira Neto, a intensão é galvanizar o sector produtivo. “Temos muitos produtores que pararam de produzir por inexistência de financiamento”, disse.
Sem precisar o valor global da operação, aponta para a necessidade de redobrar a produção.
“Com financiamneto à curto e longo prazo, justamente que poderemos alcançar os nossos objectivos. É necessário produzir”, frisou
Á medida é vista pelo engenheiro agronómo como a mais acertada para o sector que dirige.
Na ocasião o gestor apelou a necessidade de outras instituições financeiras concederem créditos ao produtor.
“ O preço do café no mercado está em alta, por isso achamos que não haverá problema no reembolso”.
AE